Informações do Autor

Dra. Maria Goretti
Nutricionista Professor Adjunto-Departamento de Nutrição - Universidade Federal de Pernambuco-UFPE
Membro do Departamento de Nutrição da SBD 2014/2016

Parte 2

A fim de minimizar as complicações nutricionais e criar condições para maior sucesso em longo prazo, é importante prever, prevenir e corrigir as alterações nutricionais em pré-pós-cirúrgico, com um monitoramento cauteloso e suplementação nutricional segundo diretrizes. As prioridades são a educação alimentar do paciente/familiares visando bons hábitos de alimentação, dentro do seu estilo de vida e condições socioeconômicas e culturais.

Nutrientes

Seguimento regular com nutricionista especializada é fundamental para facilitar a perda ponderal adequada e avaliar ingestão de micronutrientes que poderá ser inadequada pela restrinção gástrica das técnicas de Banda gástrica (BG) e gastrectomia vertical (GV); da restrinção gástrica e desabsorção no Bypass gastrico (BGYR) e pequena restrinção gástrica e grande desabsorção na derivação biliopancreática (DBP) e switch duodenal (BPD-DS). Estas 2 últimas acarretam maior risco para desnutrição protéica e deficiências de micronutrientes. Em todas as tecnicas com excessão da BG, ocorre alterações funcionais e hormonais envolvidas no controle da fome e apetite, na ingestão de alimentos, na saciedade, alteração metabolica da glicose e alterações em hormônios intestinais, como grelina, GLP-1 e PYY.

Proteina

Recomendação individualizada, com ingestão de 80-90 g/ de proteina por dia vem sendo associado com perda reduzida de massa magra. Mínimo recomendado de 60 -70 g/dia ou superior a meta de 1,5 g/ kg/dia de peso ideal ajustado nos procedimentos de BPD e BPD-DS.

Carboidratos

Limitar sempre uso de açúcar simples, doces concentrados, shakes, bebidas açucaradas, isotonicas e alcóolicas, em todas as técnicas. Uso de carboidrato presente em frutas,legumes,grãos,cereais integrais, raízes e tubérculos deve ser incluido entre as refeições, distribuídos ao longo do dia.

Hidratação

Importante para prevenir desidratação, mas torna-se limitado pelo novo tamanho gástrico. Os líquidos não devem ser combinados com refeições, recomenda-se que ocorram 30 minutos após as refeições. O volume varia de acordo com necessidades individuais e, geralmente em torno de 1,5 L/dia proporciona boa hidratação .Evitar bebidas calóricas, carbonatadas e alcoólicas.

Micronutrientes

Após qualquer técnica é necessário suplementação diária de micronutrientes de forma crônica. A suplementação para BG inclue: 1 polivitamínico adulto ( com ferro, ácido fólico e tiamina, 1200 a 1500 mg de Ca elementar, na dieta e suplemento de citrato, minimo de 3000 UI de vitamina D. O Ca quando na forma de carbonato 2000 mg /dia. Ingestão de Ca alimentar tem sido defendida, por aumento da incidência de infarto com uso de suplementos. A vitamina D em mulheres deve ser associada com Ca, e doses adicionais individualizadas.Suplementação básica para BGYR e GV : 2 polivitaminicos adultos (com ferro, ácido fólico,tiamina), 1200 a 1500 mg de cálcio elementar (na dieta e na forma de citrato em doses divididas), mínimo 3000 UI de vit D, vit B12, 45 a 60 mg de ferro ( dieta + polivitaminico + suplementos adicionais). Para BPD e BPD-DS podem ainda exigir a suplementação de vitamina A,D, E e K, após 2 a 4 semanas de cirurgia. As últImas diretrizes internacionais reforçam a importância da monitorização contínua de micronutrientes .

Suporte Nutricional (SN)

Após a cirurgia , os pacientes podem necessitar de SN, justificado pela grave intolerância a ingestão oral ou necessidades inadequadas, ou ainda por novas cirúrgias. SN deve ser considerada em pacientes com alto risco nutricional e desnutrição severa.

A gastrostomia ou nutrição enteral (NE) na BGYR é indicado.Nutrição parenteral nos pacientes que não conseguem satisfazer as suas necessidades nutricionais com NE ou quando associada a NE.

Considerações finais

Exigências nutricionais no pós-operatório variam com base no procedimento cirúrgico, tolerância individual, e estilo de vida. Adesão aos protocolos dietéticos associados aos polivitaminicos, bem como regulares exames pós-operatórios para avaliar deficiências de macro e/ou micronutrientes, acompanhamento por equipe multidisciplinar, e atividade física regular (minimo de 150minutos/semana), podem determinar o sucesso cirúrgico com perda ponderal e/ou controle glicêmico de forma saudável.

Referências:

1. AACE/TOS/ASMBS. Bariatric Surgery Clinical Practice Guidelines, Endocr Pract.2013; 19 (2): Suppl 1:S1-27.
2.Academy of Nutrition and Dietetics. Nutrition care manual_.Bariatric surgery. http://nutritioncaremanual.org/topic.cfm?ncm_category_id51&lv15.Acesso 15-10-2013.
3. Allied Health Sciences Section Ad Hoc Nutrition Committee, Aills L,Blankenship J, et al. ASMBS allied health nutritional guidelines for the surgical weight loss patient. Surg Obes Relat Dis 2008;4:S73–108.
4.Burgos M, Lima D,Coelho P.Nutrição em Cirurgia Bariátrica. Editora Rubio 2011.
5. Mechanick J, Youdim A, Jones D, et al. Clinical practice guidelines for the perioperative nutritional, metabolic, and nonsurgical support of the bariatric surgery patient. Surg Obes Relat Dis 2013;9:159–91.
6. Bosnic G.Nutritional requirements after bariatric surgery. Crit Care Nurs Clin North Am. 2014 Jun;26(2):255-62. 

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