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Uma atualização na Classificação e Diagnóstico do Diabetes Mellitus

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Rodrigo O MoreiraDr. Rodrigo O Moreira
Médico Colaborador do Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia

 


Neste primeiro mês de 2012, neste novo site da Sociedade Brasileira de Diabetes, iremos inaugurar uma nova coluna científica. A idéia desta coluna é apresentar, mensalmente, alguns artigos que estejam sendo publicados que causem grande impacto no nosso conhecimento atual do Diabetes Mellitus (DM). Minha idéia será sempre escolher artigos que possam ser facilmente localizados na net (sempre que possível colocarei o endereço eletrônico) e que tenham aplicabilidade na prática clínica. Nesta primeira coluna, escolhi dois artigos que acabam de ser publicados em duas das mais importantes revistas sobre Diabetes no mundo.

O primeiro artigo é um artigo que acredito que deva ser leitura obrigatória de todos os endocrinologistas, cardiologistas, clínicos e qualquer médico que trate de pacientes com DM. Ele é publicado sempre no mês de janeiro e envolve as recomendações da American Diabetes Association sobre o diagnóstico e classificação do Diabetes Mellitus. Nesta revisão é apresentada a classificação do DM (com uma descrição principalmente dos tipos 1 e 2, além das outras formas mais raras), além de uma importante discussão sobre as chamadas categorias de risco aumentado para DM. Finalmente, são apresentados os critérios mais atuais para o diagnóstico do DM, incluindo o Diabetes Gestacional. Uma leitura rápida, mas essencial, para se manter atualizado em uma das doenças mais importantes da endocrinologia. O artigo foi originalmente publicado no suplemento 1 do Diabetes Care (Diabete Care 2012;35:S64-S71) e  pode ser acessado, sem custo, no endereço: http://care.diabetesjournals.org/content/35/Supplement_1/S64.full.pdf+html

O segundo artigo deste mês foi publicado na edição de janeiro da Diabetologia junto com um Editorial, dada a sua importância. O manuscrito “Use of antidepressant medication and risk of type 2 diabetes: results from three cohorts of US adults”, de autoria de An Pan e colaboradores avaliou 03 grande coortes de pacientes nos EUA que receberam antidepressivos. A incorporação destas 03 coortes permitiu o acompanhamento de um total de 1.664.679 indivíduos-ano de acompanhamento, tendo sido identificados 6.641 novos casos de DM. Após a análise estatística, incluindo correção por vários fatores de confusão (incluindo índice de Massa Corporal), os autores identificam que indivíduos que utilizam antidepressivos tem um risco 68% maior de desenvolver DM. Este artigo tem algumas implicações importantes. Existe hoje um uso muito grande dos Inibidores Seletivos de Recaptação de Serotonina [ISRS] (uma das principais classes de antidepressivos) no Brasil, principalmente como adjuvantes no tratamento da obesidade. Desta classe, talvez o medicamento mais utilizado seja a Fluoxetina, principalmente por existirem estudos que sugiram que a Fluoxetina possa proporcionar uma perda de peso sustentada e até mesmo melhora da resistência a insulina. Mesmo com estes possíveis benefícios, este artigo aponta para outra direção. Os autores fizeram uma análise para avaliar os efeitos de diferentes classes de antidepressivos e concluíram que o risco de DM é maior tanto nos que utilizam os antidepressivos tricíclicos como os que utilizam os próprios ISRS.

As implicações do artigo comentado acima são imensas. Se já era consenso que a maioria dos antipsicóticos poderia levar a um aumento do risco de DM (principalmente relacionado ao peso), tínhamos maior segurança, e até possíveis benefícios, para o uso dos antidepressivos. A magnitude dos resultados levou a publicação, na mesma edição, de um interessantíssimo editorial intitulado “Antidepressants drug use and Future Diabetes Risks”, por Mika Kivimaki e G. David Batty. Vale a pena ressaltar que, embora os autores comentem sobre as implicações deste possível aumento de risco, eles levam muito em conta a cultura americana e européia. Fico imaginando as implicações que isso teria em nosso país, onde acredito que o uso dos antidepressivos seja muito mais disseminado e não fiscalizado.

O artigo pode ser encontrado em: http://www.springerlink.com/content/5r1355m8081610j8/fulltext.pdf

O Editorial pode ser encontrado em:

http://www.springerlink.com/content/236165155l45r84r/fulltext.pdf

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