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Diabetes Mellitus pós-transplante – Análise Crítica

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O manuscrito “Post-transplant diabetes mellitus”, publicado em Diabetology&Metabolic Syndrome 2009, 1:4(05 October 2009)  aborda um importante e atual assunto no campo da diabetologia:  uma forma de diabetes secundário desenvolvido após transplante de órgão sólidos, sendo os mais comuns fígado e rim.

O diagnóstico precoce do diabetes mellitus pós-transplante é fundamental e algumas condições estão associadas a maior risco.  A identificação dessas condições pode ajudar a selecionar o subgrupo de pacientes com maior risco e os direcionar precocemente para medidas preventivas e monitorização do status glicêmico.

Entre as condições potencialmente modificáveis citadas no artigo, encontramos a infecção por citomegalovírus e vírus da hepatite C e a presença de intolerância à glicose no período pré-transplante.

As condições modificáveis incluem o uso de glicocorticóides, inibidores da calcineurina (especialmente o tacrolimus), presença de obesidade e componentes da síndrome metabólica.

O artigo priorizou o conhecimento dos fatores de risco modificáveis, entretanto a identificação dos fatores não modificáveis no período pré-transplante também é extremamente importante para guiar a melhor terapia minimizando o risco de desenvolver diabetes, como por exemplo, a escolha do esquema imunossupressor. Entre estes, estão incluídos etnia (não caucasiana), idade acima de 40 anos, sexo masculino, história familiar de diabetes, haplótipos do HLA, doador cadáver e história de rejeição aguda. Um maior detalhamento destes fatores poderia ter sido fornecido.

O diagnóstico, as metas terapêuticas e o seguimento do DMPT são essencialmente os mesmos definidos pela Sociedade Brasileira de Diabetes para o Diabetes tipo 2.

A escolha do melhor esquema terapêutico deve ser individualizada, considerando os potenciais efeitos adversos das drogas. Insulinoterapia é necessária em cerca de 25% dos pacientes e não deve ser postergada. Algumas características específicas de cada droga oral podem guiar a seleção da melhor terapia e faltaram informações no artigo nesse sentido.

Mensagens importantes:

O diabetes pós-transplante dever ser rastreado em todos os pacientes submetidos a transplantes de órgão sólidos.
Um subgrupo de pacientes encontra-se sob maior risco e sua detecção pode ser feita baseada em dados obtidos na prática clínica como a presença de:

  • Obesidade
  • Intolerância à glicose ou outros componentes da Síndrome metabólica
  • Idade acima de 40 anos
  • História familiar de diabetes
  • Infecção por CMV ou HCV
  • Uso de glicocorticoides ou inibidores da calcineurina, especialmente o tacrolimus.

Este grupo de pacientes deve ser monitorado e medidas de prevenção do diabetes implementadas precocemente. O acompanhamento do diabetes pós-transplante é essencialmente o mesmo das outras formas de diabetes, com foco no risco cardiovascular e nas complicações crônicas microvasculares.

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