Os primeiros estudos descritivos sobre os efeitos dos canabinóides datam de mais 4.000 anos atrás, na índia, com a descrição das ações terapêuticas e psicotrópicas da planta Cannabis sativa. Nos últimos 40 anos, desde a purificação dos elementos ativos do sistema e a clonagem dos receptores canabinóides CB1 e CB2, muitos trabalhos têm sido publicados, descrevendo o papel central do sistema endocanabinóide, como um modulador central nos processos metabólicos e de secreção hormonal.

Recentemente, o EMEA - a agência regulatória de medicamentos da Europa - recomendou positivamente a aprovação da comercialização do Rimonabant, um bloqueador do receptor endocanabinóde CB1, para tratamento de obesidade.

Os receptores e os agonistas endógenos (endocanabinóides) constituem um sistema distinto de sinalização, envolvido com diversas funções fisiológicas, desde balanço homeostático, modulação de nocicepção, resposta imune, inflamatória e ainda aspectos relacionados ao sistema cardiovascular. Notadamente, tem se discutido o papel do sistema endocanabinóide na regulação dos sistemas endócrinos e do balanço de energia.

Os receptores canabinóides (CB) são relacionados à proteína G e têm dois tipos descritos, o CB1, um dos receptores mais abundantes do cérebro e também relacionado com funções periféricas do sistema, e o receptor CB2, presente nas células imunes e do sangue.

Na hipófise, os receptores CB1 têm uma distribuição irregular e variável, estando presentes em diferentes células como corticotrofos (que secretam ACTH), somatotrofos (GH) e, também, em parte das células produtoras de prolactina. Perifericamente, ou seja, fora do sistema nervoso central e nos órgãos-alvo, o receptor CB1 é descrito em adipócitos maduros, assim como no trato gastrointestinal, próximo às terminações vagais, que estão envolvidas na modulação da ingestão de comida. Além disso, o receptor CB1 é descrito ainda nos testículos, ovários e em outros órgãos, como o fígado. Além de amplamente distribuído, a ação desses receptores é também bastante ampla, pela possibilidade de interações funcionais com outros receptores, como os orexígenos (estimulam a fome), os da serotonina e alguns receptores da dopamina.

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Informações do Autor

Dr. Rodrigo Lamounier
Endocrinologista do Serviço de Metabologia do IEDE
Endocrinologista do Hospital Federal da Lagoa – RJ