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Dia dos Namorados

Companheiros no Amor e no Diabetes

Muitos crêem que namorar uma pessoa com diabetes pode ser algo complicado. Os parceiros passam a conviver com uma nova rotina: medicamentos, alimentação diferenciada, controle glicêmico. Quando o namoro se prolonga e vem a vontade de ter uma família, surge uma dúvida: “E os filhos? Terão diabetes?”.

O seriado Malhação, da TV Globo, já abordou o assunto “diabetes na adolescência” através do personagem Gustavo (Guilherme Berenguer). Sua namorada, Letícia (Juliana Didone), acompanhou sua adaptação à nova rotina. No final, o seriado mostrou que, com a aceitação do tratamento e a ajuda da companheira, Gustavo pôde levar uma vida normal.

Um Cotidiano de Cuidados

A estudante de Letras Mariáh Oyarzabal, 20 anos, descobriu que tinha diabetes quando já namorava o estudante Tomaz Silveira, 21 anos (foto).

“Quando completei um ano de namoro com o Tomaz, comecei a ter alguns sintomas típicos do diabetes. Ele dizia para eu ir ao médico, enquanto eu achava que era qualquer bobagem, despistava. Passado um mês e meio, resolvi ligar pra o médico da família, que logo percebeu do que se tratava”, recorda.

“Desde então tenho me cuidado bastante. Quando tenho hipoglicemia, ele sempre me traz um lanchinho. O Tomaz me pergunta se não está na hora de medir a glicemia, se não devo comer alguma coisa. Pode parecer chato pra alguns, mas eu gosto dessa preocupação, sinal que ele quer me ver bem, com saúde”, afirma. “Este é o primeiro dia dos namorados que vamos ter depois do diabetes. Para mim, a data já adquiriu outra importância: ele não é só um namorado, ele é meu companheiro, às vezes ‘enfermeiro’, é atencioso. Eu o amo demais (ainda mais depois dessa nova fase!)”, declara Mariáh.

Tomaz diz que o cotidiano deles é o mesmo de quando a namorada não tinha diabetes. “Saímos com nossos amigos, namoramos, tudo com era antes. Ajudo a Mariáh a controlar os horários para comer”, diz. A maior preocupação dele é com as hipoglicemias. “Quando ela está com a glicose baixa, vou e busco refrigerante e algo para comer. Eu me preocupo em ela ter uma hipoglicemia e eu não tenha como socorrê-la”, confessa Tomaz.

Já Thaís Villela, 20 anos, conta que o tratamento de seu diabetes melhorou depois que começou a namorar Alencar Ferrari, 25 anos. “Durante uns cinco anos eu não cuidei bem do meu diabetes. Ficou muito descontrolado durante esse tempo todo”, recorda.

“Quando comecei a namorar o Alencar, em março do ano passado, ele foi me convencendo a me cuidar. Passei a tomar a insulina corretamente, voltei a consultar um médico, passei a fazer mais testes de glicemia. Engordei uns 5 kg por causa da insulina e, com a ajuda dele, que luta jiu-jitsu há uns 10 anos, comecei a fazer dieta e exercícios. Isso fez com que as doses de insulina diminuíssem e, em 3 meses, perdi os 5kg”, lembra. (foto)

“Eu achava que estava tudo bem comigo. O Alencar mudou minha cabeça e passou a me ajudar. Ele fazia até meus lanches para levar para a faculdade, ia comigo ao mercado pra comprar o que precisava para a dieta. Também me assessorava e incentivava-me a treinar na academia. Eu era bem rebelde com o tratamento de diabetes e ele me ajudou a mudar o cuidado com a minha saúde”, admite Thaís.

“Ajudei a Thaís, incentivando-a a se controlar melhor, tanto na alimentação, como na medição do controle da glicemia e estimulando a prática de atividades físicas. Os cuidados com o diabetes já fazem parte da nossa rotina: lembrar de pegar as insulinas, aparelho de glicemia e a preocupação com as hipoglicemias”, conta Alencar.

Psicologia: o Apoio na Hora Certa

Dra. Fani Malerbi, coordenadora do Departamento de Psicologia da SBD, diz que é muito importante que a pessoa com diabetes tenha o apoio dos que a amam. “A pessoa com diabetes pode negar a sua doença, sentir medo, raiva, culpa, tristeza. É importante que ela possa contar com alguém que se importe com seus sentimentos, que os compreenda”, explica.

A especialista diz que uma forma de ajudar a pessoa com diabetes é mostrar que ela é muito querida e que seus sentimentos são compreendidos. “Porém, é preciso mostrar também que ela precisa se cuidar. Ela é a única pessoa que pode ter o controle, então, é fundamental que o exerça”, ressalva.

É importante que se ajude a pessoa com diabetes a encarar a realidade. “O diabetes tem que ser encarado como algo importante e que deve ser tratado tanto pelo portador quanto pelas pessoas que o rodeiam, inclusive o(a) companheiro(a). Se as pessoas se recusarem a encarar a realidade, isto certamente interferirá no tratamento e trará conseqüências danosas a curto e a longo prazo”, alerta.

A psicóloga orienta que, primeiramente, é preciso adquirir informações sobre a doença e seu tratamento. “O desconhecimento gera uma série de preconceitos. O estigma associado à palavra ‘doente’ faz com que ninguém queira receber esse rótulo. O medo da reação do companheiro e de que o diabetes seja um empecilho ao relacionamento talvez sejam os principais motivos da não revelação”, explica a Dra. Fani.

Conhecendo bem o diabetes e seu tratamento, o companheiro deve assegurar à pessoa com diabetes de que não há nenhum motivo para envergonhar-se. “Por exemplo não há nada de errado em se usar óculos para se corrigir uma pobre acuidade visual”, compara.

Segundo a psicóloga, é necessária precaução ao demonstrar cuidado com a pessoa com diabetes. “O cuidado é uma demonstração de amor. No entanto, a pessoa que o recebe pode se sentir invadida, avaliar que ele é excessivo ou desnecessário. Pode, ainda, interpretá-lo como uma demonstração de que ela não é capaz de se cuidar sozinha e se sentir mal por se perceber como incapaz. Tudo isto deve ser expresso para que não haja problemas na comunicação entre as pessoas”, ensina Dra. Fani.

E os Filhos que Virão?

O Dr. André Reis, professor da Pós-Graduação de Endocrinologia da UNIFESP/EPM e assessor médico em Diabetologia do Fleury (laboratório de análises clínicas), explica que o diabetes não é impedimento para se ter filhos. “Só não se recomenda que se engravide com complicações vasculares do diabetes em estágio muito avançado. No entanto, esta discussão deve ser individualizada com o médico. Não há razões ‘genéticas’ para contra-indicação de gravidez”, afirma.

E quando duas pessoas com diabetes formam um casal? “Apesar de gerar filhos com risco maior de diabetes, a promoção de estilo de vida saudável pode minimizar o efeito genético de um casal com diabetes”, esclarece Dr. André. “Uma preocupação comum das pessoas com diabetes refere-se ao possível risco da doença ser transmitida aos filhos. Ao contrário de outras doenças genéticas, o diabetes não é herdado de forma direta. Entretanto, o aspecto genético existe, fazendo com que algumas pessoas tenham uma propensão maior de desenvolvê-lo.

“Os genes, isoladamente, não são capazes de promover o diabetes. Uma prova deste fato é a análise de gêmeos idênticos. Estes gêmeos têm os mesmos genes. Se um dos irmãos for diabético do tipo 1 o outro apresentará a doença em cerca de 50% dos casos. Quando um gêmeo tem diabetes do tipo 2, o risco do outro ter a doença é de cerca de 3 em 4 (carga genética mais evidente)”, ensina.

Características dos pais
Chances de o filho ter diabetes tipo 1 (valores aproximados)
Pai com diabetes tipo 1
5,9%
Mãe com diabetes tipo 1 – criança nascida quando a mãe tem menos de 25 anos
4%
Mãe com diabetes tipo 1 – criança nascida quando a mãe tem mais de 25 anos
1%
Pai e mãe com diabetes tipo 1
10% a 25%
Pai ou mãe com diabetes tipo 1 – diagnóstico antes dos 11 anos
Chances descritas acima dobram

 

Características dos pais
Chances de o filho ter diabetes tipo 2 (valores aproximados)
Um dos pais com diabetes tipo 2 – diagnóstico antes dos 50 anos*
14,28%
Um dos pais com diabetes tipo 2 – diagnóstico após os 50 anos*
7,69%
Ambos os pais com diabetes tipo 2
50%

* Alguns cientistas acreditam que haveria um aumento do risco quando a mãe tem diabetes.
Fonte: Dr. André Reis

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