Você sabe o que são alimentos funcionais? E por que as pessoas com diabetes podem se beneficiar deles? A nutricionista Dra. Emília Y. Ishimoto, da Faculdade de Saúde Pública da USP, responde questões básicas sobre o tema nessa reportagem sobre a importância do seu consumo para quem tem diabetes.
O que São Alimentos Funcionais?
Funcionais são os alimentos in natura, ou processados, capazes de produzir demonstrados efeitos metabólicos ou fisiológicos úteis na manutenção de uma boa saúde física e mental. “Eles auxiliam na diminuição dos riscos de doenças crônicas não transmissíveis, além de manter suas funções nutricionais básicas. Ou seja, são alimentos que fazem ‘algo além’ de nutrir”, explica a especialista.
Para entender melhor que tipos de substâncias são tidas como funcionais, a nutricionista Dra. Emília exemplifica: “O ácido graxo ômega 3, um tipo de gordura presente em peixes marinhos, como atum, salmão e sardinha, reduz riscos de doenças cardiovasculares porque inibem a progressão da aterosclerose; a proteína da soja reduz o colesterol sanguíneo; as isoflavonas (também da soja) reduzem os sintomas clássicos da menopausa e parecem reduzir riscos de câncer de mama e osteoporose”
A Combinação com o Diabetes
A Dra. Emília recomenda uma série de alimentos que auxiliam no controle da glicemia, como as fibras solúveis (aveia, psillium, frutas e leguminosas) e outros que ajudam a manter o perfil lipídico em níveis saudáveis como os peixes, azeite de oliva, soja. “Para quem tem diabetes, os alimentos funcionais devem essencialmente manter níveis saudáveis de glicemia e reduzir riscos de outros distúrbios metabólicos associados, como dislipidemias e síndrome metabólica”, explica a especialista.
“A clássica recomendação (dieta balanceada, com poucas gorduras e muitas frutas, verduras e legumes, aliada a exercícios freqüentes), ainda é válida. Isto, junto com os alimentos citados acima (lembrando que os açúcares simples devem ser evitados e o peso ideal deve ser buscado), pode ser considerado uma boa recomendação”, explica a doutora.
Para a nutricionista Dra. Ishimoto, o bom senso também é um importante fator na indicação dos alimentos porque há muitos estudos sobre eles tentando evidenciar ação específica para o diabetes, como o cromo, fibras prebióticas, fitoterápicos e outros. “Na minha opinião, ainda é cedo para recomendar aos pacientes estas substâncias. Mas é importante ressaltar que o atendimento deve ser individualizado, pois cada caso é um caso”.
Obstáculos para a Categoria
“Há muitas lacunas a serem preenchidas neste campo de pesquisa. Uma delas é sobre os fatores que afetam (positiva ou negativamente) a absorção e, portanto, o aproveitamento dos compostos alimentares bioativos”, esclarece a doutora. E completa: “Para isto, pesquisas com humanos estão sendo empreendidas. Eu diria que a principal questão é sobre a eficácia destes compostos. Há muito estudo sério, mas há também muita falácia – não podemos esquecer que, quando o mercado de consumo está interessado (como é o caso), há muito oportunismo, devido a interesses econômicos”.
Há muitos mitos em torno do termo “funcionais”, pesquisas que têm resultados divulgados apenas em animais, e não em seres humanos. Como é o caso da berinjela com suco de laranja, indicada para a redução do colesterol, só comprovada em coelhos. Para a especialista, há muita “abobrinha” e pouca coisa séria sendo divulgada, principalmente na área de emagrecimento.
Identificando os Funcionais
Para que o consumidor identifique com propriedade os alimentos funcionais, basta atenção ao rótulo do produto, já que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) divulgou, em 1999, normas específicas em torno do assunto. “O fabricante deverá atender aos requisitos para o que se denomina ‘alegação de saúde’ (em inglês: health claim). Por exemplo: farelo de aveia de uma determinada marca tem a seguinte alegação: ‘ajuda a manter níveis saudáveis de colesterol’. Para a empresa conquistar esta alegação investiu oito anos em pesquisas.
Como Tudo Começou
A idéia de dar um nome específico a este grupo de alimentos surgiu pela primeira vez na década de 80, no Japão. Na ocasião, o termo definido foi FOSHU (Foods for Specified Health Use). Em seguida, os Estados Unidos e a Europa adotaram a nomenclatura ‘functional foods.” O termo ‘nutracêuticos’ também é utilizado, mas a tendência é que este seja aplicado apenas para o ingrediente funcional, que pode ser isolado e comercializado na forma de suplementos ou medicamentos.
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