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Dia Mundial da Saúde

Glossário de Nutrição

A

Aleitamento Materno - Conjunto de processos – nutricionais, comportamentais e fisiológicos – envolvidos na ingestão, pela criança, do leite produzido pela própria mãe, seja diretamente no peito ou por extração artificial.

Alimentação – Processo biológico e cultural que se traduz na escolha, preparação e consumo de um ou vários alimentos.

Alimentação complementar adequada e oportuna – Aquela que se inicia como complemento ao aleitamento materno, a partir dos 4-5 meses de vida, com dietas adequadas em quantidade e qualidade (nutrientes e calorias).

Alimentos complementares ou de transição – Aqueles que se oferece à criança em complementação ao leite materno, a partir dos 4-6 meses de vida, e que são preparados de modo a oferecer uma dieta de consistência gradativamente maior, até que ela possa receber a dieta da família, junto com o leite materno. Atualmente está em desuso o termo alimento de desmame para não dar a idéia de que a introdução de outro alimento na dieta da criança implica a suspensão do leite materno.

Alimentos “in natura” – Produtos ofertados e consumidos em seu estado natural, sem sofrer alterações industriais que modifiquem suas propriedades físico-químicas (textura, composição, propriedades organolépticas). As frutas e o leite fresco são bons exemplos de alimentos “in natura”.

Amamentação exclusiva – Uso de leite materno, habitualmente até aos 6 meses de vida, como único alimento da criança, não sendo admitidos chás ou água como exceção.

Anemia – Redução dos níveis de hemoglobina no sangue para valores abaixo dos limites estabelecidos como normais, de acordo com a idade, sexo e condição fisiológica.

Apoio alimentar – Doação pessoal ou institucional de um ou vários alimentos para pessoas desnutridas ou em risco de desnutrição. O mesmo que suplementação alimentar ou, em alguns países, assistência alimentar.

Assistência alimentar – Ver apoio e suplementação alimentares.

Avaliação antropométrica – Uso de medidas – principalmente peso e altura – como critério para avaliar o crescimento físico e, por extensão, o estado nutricional.

B

Baixo peso ao nascer – Os casos de crianças nascidas vivas com menos de 2.500 gramas.

Banco de leite humano – Centro especializado, responsável pela promoção do incentivo ao aleitamento materno e execução das atividades de coleta, processamento, estocagem e controle de qualidade do leite humano extraído artificialmente, para posterior distribuição, sob prescrição de médico ou nutricionista.

Bem-estar nutricional – Estado orgânico em que as funções de consumo e utilização de energia e de nutrientes se fazem de acordo com as necessidades biológicas dos indivíduos.

Biodisponibilidade – O grau de aproveitamento de nutrientes específicos contidos nos alimentos, tomando como referência o conteúdo total – 100% - do princípio nutritivo considerado.

Bócio – Aumento significativo da glândula tireóide, que passe a extrapolar seus limites normais. Ocorre por deficiência de iodo na alimentação.

C

Caráter intersetorial – Aspecto que considera a co-responsabilidade de dois ou mais de dois setores do governo em relação às causas ou às soluções dos problemas de alimentação e nutrição.

Carências nutricionais – Situações em que deficiências gerais ou específicas de energia e nutrientes resultam na instalação de processos orgânicos adversos para a saúde.

Composição dos alimentos – Valor nutritivo dos alimentos, ou seja, o seu conteúdo em substâncias específicas, como vitaminas, minerais e outros princípios.

Controle de doenças coexistentes – Medidas para prevenir e curar a ocorrência de doenças que agravam o estado nutricional.

Crescimento e desenvolvimento – O primeiro termo refere-se ao aumento de medidas corporais, como peso e altura. O segundo aplica-se ao aparecimento e aperfeiçoamento de funções, como a linguagem, a habilidade motora, as funções cognitivas, a maturidade psíquica e outras.

Cretinismo – Retardo mental resultante da ação adversa da deficiência de iodo na maturação do sistema nervoso da criança.

Critério de sanidade dos alimentos – Princípios e normas para assegurar que os alimentos tenham bom valor nutritivo e não apresentem contaminantes físicos, químicos e biológicos prejudiciais à saúde dos consumidores.

Cuidados nutricionais específicos – Ações recomendadas para situações peculiares de riscos nutricionais, como a anemia, o bócio, a hipovitaminose A e outras condições.

D

Deficiência de ferro - Estado orgânico de carência deste micronutriente, que ocorre quando o consumo alimentar de ferro biodisponível é baixo; quando as perdas de sangue são elevadas; há aumento dos requerimentos por processos infecciosos e ou febris; ou ainda quando ocorrem as duas condições, diminuindo o estoque corporal de ferro, podendo resultar no aparecimento de anemia.

Deficiência primária de iodo – É a deficiência de iodo, inicialmente atribuída à baixa ingestão deste micronutriente.

Deficiência de micronutrientes – Estado orgânico de carência de princípios de nutritivos cujas exigências são muito pequenas, medindo-se em miligramas diárias, como a vitaminas A, o ferro, o iodo e o zinco.

Deficiência energética-protéica – Também chamada desnutrição energético – protéica, refere-se ao estado nutricional que ressalta a deficiência de calorias e de proteínas. Ocorre sobretudo em crianças.

Déficit de altura – Atraso do crescimento estatural, quando comparado com os padrões de normalidade por sexo e idade. Pode ser provocado por desnutrição.

Déficit antropométrico – Atraso nas relações peso/idade, peso/altura, altura/idade, tomando como referências tabelas de normalidade, convencionalmente recomendadas. Pode referir-se a outros índices de medidas corporais.

Desmame – Processo que se inicia com a introdução de qualquer alimento na dieta da criança que não seja o leite materno – incluindo os chás e a água – e que termina com a suspensão completa do leite materno.

Desnutrição – Termo genérico usualmente empregado para discriminar deficiências nutritivas, referindo-se principalmente à desnutrição energético – protéica. Ver as definições correspondentes a déficits antropométricos, desnutrição energético-protéica, deficiência de micronutrientes, que seriam casos específicos de desnutrição ou de doenças carenciais.

Desnutrição crônica – Processo carencial de longa duração, expresso, ilustrativamente, no déficit de altura.

Diabetes – Processo de intolerância à glicose, que se traduz, convencionalmente, na elevação do “açúcar” no sangue e sua presença eventual na urina.

Dieta – Genericamente, corresponde aos padrões alimentares dos indivíduos. Especificamente, pode representar uma combinação recomendada de alimentos em determinadas proporções para atender necessidades terapêuticas.

Dislipidemias – Termo que se refere às alterações, quase sempre por excessos, nos teores de lipídeos ou gorduras do sangue, como colesterol e triglicerídeos.

Distúrbios nutricionais – São problemas de saúde decorrentes da má nutrição, ou seja, situações patológicas de etiologia nutricional.

Doenças da nutrição – Terminologia para uma grande variedade de doenças que resultam do baixo consumo, do consumo excessivo ou do desequilíbrio prolongado da ingestão e utilização de princípios nutritivos que devem ser harmonicamente combinados. Várias referências anteriores configuram essas situações: bócio, deficiências nutricionais, desnutrição. Ver também dislipidemias e obesidade.

E

Endemias carenciais – Doenças carenciais, como a anemia ferropriva, a desnutrição energético - protéica e o bócio, que ocorrem com uma frequencia regular e praticamente constante, e prevalência acima dos limites tolerados como “normais”.

Enriquecimento alimentar – Adição de determinados nutrientes – vitaminas, sais minerais ou outros – a alimentos com baixo conteúdo em relação a determinados princípios nutritivos.

Estresse – Estímulos adversos, com diferentes impactos físicos, psíquicos e nutricionais. Tensão.

F

Ferro medicamentoso – Compostos orgânicos ou inorgânicos de ferro usados para tratamento das anemias.

G

Garantia da qualidade dos alimentos – Ver segurança alimentar, vigilância sanitária dos alimentos.

Grupos biológicos – Ver “vigilância nutricional”, “vigilância de irmãos e contatos”, “vulnerabilidade”. Designativo de riscos induzidos por fatores biológicos.

H

Hábitos alimentares saudáveis – Ver práticas alimentares saudáveis, seguranca e qualidade dos alimentos.

Hipovitaminose A – Baixa disponibilidade de vitamina A nos depósitos hepáticos e níveis diminuídos no sangue, apresentando ou não sintomas e sinais de deficiência.

Hospital “Amigo da Criança” - Maternidades que cumprem os “Dez passos para o sucesso do aleitamento materno”, preconizados pela OMS/Unicef.

I

Idiotia – Retardo físico, motor e mental ocasionado pela deficiência grave de iodo no período fetal e nos primeiros meses de vida.

Índice de Pobreza Humana (IPH) – Esse índice é composto pelos indicadores relacionados à esperança de vida, à desnutrição em menores de 5 anos, à alfabetização, ao acesso a serviços de saúde e à água potável.

Iodo dependente – Diz-se dos distúrbios funcionais ou morfológicos – entre os quais o bócio e a idiotia – produzidos pela deficiência de iodo na água, sais e alimentos consumidos.

M

Mcg/dl – Microgramas por decilitro. Medida utilizada em exames laboratoriais.

Medidas profiláticas – Medidas tomadas para a prevenção de doenças ou de agravos nutricionais.

Medidas terapêuticas – Medidas adotadas para corrigir situações patológicas clinicamente instaladas. Ações destinadas à cura de doenças.

Megadoses – Grandes quantidades de um medicamento ou micronutriente administradas de uma só vez, como é o caso da vitamina A.

Micronutrientes – Nutrientes demandados pelo organismo em quantidades muito pequena - miligramas ou microgramas – como iodo, a vitamina A, o zinco e o ferro.

Monitoramento do estado nutricional - O mesmo que vigilância nutricional.

N

Nutrição – Estado fisiológico que resulta do consumo e utilização biológica de energia e nutrientes em nível celular.

O

Obesidade – Aumento exagerado do peso em relação à altura. No sinônimo popular, os gordos correspondem a obesos.

Orientação alimentar – Recomendações para escolha, preparação, conservação doméstica e consumo de alimentos mediante critérios de consideração de seu valor nutritivo e indicações específicas, segundo condições fisiológicas (crescimento, gravidez, lactação), patológicas (obesidades , diabetes, doenças carenciais) ou, ainda, por justificativas socioeconômicas (relação valor nutritivo X custos). Ver, também, práticas alimentares saudáveis.

P

Percentil 10 e percentil 3 da relação peso/idade – O percentil refere-se à posição de um indivíduo em uma dada distribuição de referência. Assim, os percentis 10 e 3, como utilizados no texto, referem-se aos valores de peso apresentados por 10% e 3% das crianças, respectivamente, na distribuição do padrão antropométrico de referência. Dessa forma, uma criança que se encontra com peso igual ou inferior a esse dois limites tem uma possibilidade maior de apresentar uma situação de distúrbio nutricional. Em outras palavras, pode-se afirmar que o percentil 10 ou o percentil 3 da relação peso/idade é a linha de separação entre a normalidade e a possível desnutrição ou retardo de crescimento.

Perigo na cadeia alimentar – Agente biológico, químico ou físico (ou propriedades de um alimento) que pode ter efeitos adversos sobre a saúde.

Práticas alimentares saudáveis - Usos, hábitos e costumes que definem padrões de consumo alimentar de acordo com conhecimentos científicos e técnicas de uma boa alimentação. Ver “orientação alimentar”, “composição dos alimentos” e “bem-estar nutricional”.

Percusores de vitamina A – Substâncias contidas nos alimentos vegetais – carotenos – que, depois de ingeridos, se convertem em vitaminas.

Produtos dietéticos – Bebidas ou alimentos processados, que se destinam a atender determinadas situações de interesse médico ou nutricional: baixo conteúdo calórico, reduzido teor de gorduras, por exemplo.

Produtos farmacêuticos – Usa-se o termo, neste documento, para discriminar preparações farmacológicas à base de nutrientes específicos, como vitaminas, ferro, iodo, zinco, etc., sob a forma de medicamentos.

Propriedade terapêutica – Propriedade que tem determinado alimento ou fármaco – ver ítem anterior – de atuar, curativamente, na correção de desvios ou doenças da nutrição.

R

Riscos nutricionais – Condições caracterizadas por probalidade aumentada de que um determinado problema nutricional possa acontecer, ou já esteja ocorrendo.

Rotulagem nutricional – Componente do rótulo que descreve o conteúdo nutricional do produto.

S

Segurança alimentar – Garantia de que as famílias tenham acesso físico e econômico regular e permanente a conjunto básico de alimentos, em quantidade e qualidade significantes para atender os requisitos para os requerimentos nutricionais.

Segurança alimentar e nutricional – Acrescenta-se, à definição anterior, o conceito de que, além do acesso e consumo, o organismo deve dispor de condições fisiológicas adequadas para o aproveitamento dos alimentos. Ou seja, para uma boa digestão, absorção e metabolismo de nutrientes.

Segurança alimentar dos alimentos – Trata, em vigilância Sanitária, dos atributos referentes à inocuidade dos alimentos e seu valor nutritivo. Ver também práticas alimentares saudáveis.

Sítios sentinelas – Áreas ou comunidades que podem ser acompanhadas mediante a aplicação de um conjunto de indicadores do estado nutricional para expressar, por analogia, a situação provável em contextos socioeconômicos e sanitários semelhantes.

Sobrepeso – Excesso de peso de um indivíduo quando em comparação com tabelas ou padrões de normalidade. A obesidade é um grau bem elevado de sobrepeso.

Suplementação alimentar – Cota adicional de alimentos destinadas a prevenir ou corrigir deficiências nutricionais. Ver apoio alimentar.

T

Tabela de composição químico alimentar – São tabelas que informam o conteúdo dos alimentos em proteínas, gorduras hidratos de carbonos , vitaminas e minerais de interesse da nutrição humana.

Tradições alimentares – Usos e costumes alimentares transmitidos de geração a geração, segundo a cultura tradicional de determinadas etnias ou grupamentos antropologicamente homogêneos.

Transição alimentar – Refere-se a mudanças lentas ou rápidas que ocorrem no padrão alimentar das crianças, na medida em que a alimentação vai sendo substituída por outras produtos, até atingir o padrão alimentar da família. É um período crítico em relação aos riscos nutricionais.

Transição epidemiológica - Mudanças que ocorrem nos perfis de morbimortalidade de uma população, tendo como substrato principal a transição demográfica de que uma pirâmide etária “jovem” para um modelo de população madura ou envelhecida. O fato epidemiológico mais representativo seria a passagem do pólo desnutrição/infecção para o pólo obesidade / doenças crônico-degenerativas.

U

Utilização biológica dos alimentos – Processo que envolve a cadeia digestão/absorção/ metabolismo/excreção ou ressíntese parcial dos alimentos nos organismos vivos. Pode ser adversamente alterado pela ocorrência de doenças, compreendendo um, dois ou até todos os elos da cadeia de utilização biológica.

V

Vigilância alimentar e nutricional – Consiste na coleta e na análise de informações sobre a situação alimentar e nutricional de indivíduos e coletividades, com o propósito de fundamentar medidas destinadas a prevenir ou corrigir problemas detectados ou potenciais. É um requisito essencial para justificar, racionalmente, programas de alimentação e nutrição. Ver ainda: crescimento e desenvolvimento, controle de doenças, cuidados nutricionais específicos.

Vigilância de irmãos e contatos – Recomendação para acompanhar, de forma atenta, dispensando os cuidados necessários (apoio ou suplementação alimentar, avaliação do crescimento, ações básicas de saúde ) a irmãos e mães (considerados “contatos”) de crianças desnutridas de 6 a 23 meses. A desnutrição nessa faixa etária pode ser um indicativo de que mães e irmãos podem ser desnutridos, constituindo grupos de riscos nutricional.

Vigilância nutricional – Parte da vigilância alimentar e nutricional, tratando , como enfoque principal, o estado de nutrição dos grupos biológicos (crianças, gestantes) e sociais ( baixa renda) mais expostos aos problemas da nutrição. Pode incluir, também, situações opostas (homens e mulheres adultos e velhos com sobrepeso, obesidade e suas conseqüências).

Vigilância sanitária dos alimentos – Verificação da aplicação de normas e condutas objetivando assegurar a necessária qualidade dos alimentos. Ver “critério de sanidade dos alimentos”.

Vulnerabilidade – Trata-se de fatores biológicos, ocupacionais ou sociais que aumentam os riscos aos agravos nutricionais.

X

Xeroftalmia – Alterações oculares condicionadas pela deficiência de vitamina A.

Fonte: Política Nacional de Alimentação e Nutrição/ Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica – 2a. edição revisada – Brasília: Ministério da Saúde, 2003.

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