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  Edição nº 09  








Nas ceias de fim de ano não faltam comidas calóricas, como pernil, nozes, amêndoas, passas, rabanadas, etc. Vinho e champanhe também são tradicionais. Como as pessoas com diabetes devem, então, se alimentar nesse período de festas e férias em que cardápios e horários de refeições são alterados? Para responder a essa e outras perguntas, consultamos dois especialistas no assunto.

Segundo o endocrinologista Adolpho Milech, na realidade a dieta das pessoas com diabetes não requer muitos cuidados qualitativos e, sim, quantitativos. Com exceção do açúcar contido nos doces, eles podem se alimentar de quase tudo. O que têm de saber dosar é a quantidade de alimentos e em que horários comê-los. "Se eles ingerirem grande quantidade de carboidratos de uma vez, a glicemia vai subir", adverte.

Além disso, de acordo com o Dr. Milech, normalmente o paciente tipo 1 toma uma insulina de depósito com uma programação de liberação, geralmente associada a uma insulina de ação rápida ou ultra-rápida. Se ele não padronizar um horário para se alimentar, vai ter desagradáveis picos de insulina, gerando a hipoglicemia porque não comeu, ou então porque comeu em hora errada. E ainda grandes altas na taxa de glicemia, resultando na hiperglicemia.

O Dr. Milech aconselha os portadores do diabetes comerem fibras, capazes de retardar a absorção intestinal da glicose. Elas podem ser encontradas em alimentos pouco calóricos, como as saladas verdes, mas também no arroz e na batata, por exemplo.

Para Cada Perfil, Um Cardápio

Quanto ao menu de fim de ano, Milech afirma que devem ser considerados os valores calóricos alto, normal ou baixo, indicados para cada perfil de cada paciente. "Para um diabético magro, que precise ganhar peso, vamos liberar alimentos como as nozes, que têm fibras e quantidade de gordura como o amendoim. De um modo geral, as passas são açucaradas, mas, se ingeridas moderadamente, não vão oferecer risco. No entanto, se ele comer um quilo delas, evidentemente vai fazer mal", explica.

No caso de ter diabetes e ser obeso, ganhar peso prejudica seu controle glicêmico. "A obesidade é um fator de resistência à ação da insulina, podendo fazer com que os portadores de diabetes tenham que tomar o medicamento em quantidades cada vez maiores", diz Milech. O médico acrescenta outras desvantagens para os diabéticos muito gordos: "a obesidade, por si só, já é um fator de risco de doença cardiovascular. Além disso, ela está associada a outro distúrbio metabólico, o aumento de triglicerídeos, que, por sua vez, também é um fator de risco".

Vinho e Champanhe

Quanto à ingestão de vinho ou champanhe, Milech é taxativo: "Se o diabético beber 100ml não vai lhe fazer nenhum mal. O grande problema do vinho para quem tem diabetes tipo 1 é que o álcool, ingerido em pequena quantidade e quando a pessoa come mal, pode causar uma hipoglicemia. Por outro lado, quando tomado em grande quantidade (mais de duas taças), ele tende a aumentar a glicemia. Então, se o diabético quer tomar vinho, que tome uma única taça e, de preferência, de vinho seco", adverte.

A dificuldade, diz Milech, é convencer a pessoa de que, se ela tomar uma taça de vinho não vai fazer mal, mas se tomar três, vai. "Não gostamos muito de proibir as coisas, mas o problema é que, quando liberamos algo em determinada quantidade, alguns entendem que podem tomar à vontade", explica.

Férias X Horário

Muitas crianças têm dificuldade com a alimentação. Não gostam disso ou daquilo, às vezes comem muito, outras, pouco. Nas férias, com a falta da rotina escolar esse problema tende a aumentar. Segundo o Dr. Milech, para crianças cuja ingestão alimentar é imprevisível pode-se dar um pouco menos de insulina de ação prolongada e mais insulina de ação rápida. "Alguns até preconizam, em crianças rebeldes para comer, que se aguarde e veja o que elas vão ingerir. Depois, fazer uso de insulina de ação ultra-rápida. Assim os pais podem ter uma noção do que elas comeram e de quanto terão de aplicar de insulina", comenta.

Quanto à mudança na rotina da garotada, a nutricionista Naira Moreira, do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sugere substituir uma refeição por um sanduíche, caso estejam na rua. Ela aconselha, no entanto, procurar sempre coisas mais leves. "Um sanduíche de ricota, com maionese light e cenoura ralada pode ser uma opção", afirma.

Já se a escolha for um hambúrger, não há problema algum. "Nele haverá uma porção (que a criança tem de comer) de proteína e outra de pão, substituindo o arroz e o feijão do almoço", explica.

Cuidados de Verão

Por serem mais refrescantes, frutas como melão e melancia são as mais indicadas para o consumo no verão, na opinião da nutricionista Naira Moreira. De acordo com o Dr. Milech, como qualquer pessoa o diabético está sujeito, na estação mais quente do ano, à exposição excessiva ao calor, aos raios solares e, geralmente, a síndromes diarréicas. Nessa época, os meios de comunicação aconselham, para isso, o soro caseiro, à base de água, sal e açúcar.

No caso do diabético, a medida a ser tomada é um pouco diferente. Em desidratação leve, ele não precisa, necessariamente, comer o açúcar. "Nós, hoje em dia, não interrompemos a alimentação numa diarréia. Então o paciente poderá comer sal, arroz, purê de batata, que vai dar exatamente o equivalente ao carboidrato. Ele não está tendo hipoglicemia que necessite, imediatamente, comer o açúcar para tirá-lo dessa situação", afirma.

Milech diz, ainda, que se o diabético entrar numa diarréia, independente disso ele terá que tomar cuidado na monitorização, pois o mal estar gera uma situação de estresse, aumenta os hormônios antagonistas da insulina e a glicemia poderá subir muito rapidamente. "De qualquer forma, é preciso procurar um médico. Todos os portadores da doença devem saber que, no dia em que têm qualquer processo infeccioso - seja gripe, amigdalite, diarréia - a tendência é que a glicemia se desestabilize", explica.

Medidas de Prudência

Não fazer exercício exageradamente, não ficar estressado e não se expor a mudanças bruscas de temperatura são alguns dos cuidados que o diabético deve ter para evitar a gripe no verão. Segundo Milech, a palavra-chave é o equilíbrio. "Os diabéticos bem controlados são os que não vivem em função do diabetes e que não o negam", diz.

Na praia os pacientes jamais deverão ir descalços, principalmente se sofrerem de neuropatia (com perda de sensibilidade nos nervos). "É muito comum vermos crianças entrando naquela areia escaldante sem nada. Eu recomendo que eles tenham alguma coisa para proteger os pés, não só para ser usado na areia, mas também dentro d’água porque, se pisarem em alguma coisa descalços, não vão sentir", aconselha. É bom lembrar que qualquer ferimento deve ser comunicado ao médico.

Para viagens, armazenamento de insulina e exercícios consulte também os links abaixo

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