![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
|||
|
||||||
Está aberta a temporada de férias de verão, tempo
de recarregar as baterias para mais um ano de atividades. Veja
as providências a tomar se seus planos incluírem viagens.
|
|
O diabético que necessita de insulina para manter a saúde é um caso peculiar: para ele a rotina significa segurança e sair dela pode ser um risco em potencial. A pessoa que depende de um ritmo regular de refeições balanceadas, insulinas em doses e tempos precisos e exercícios físicos dosados pode recear o afastamento do seu ambiente, porque pode contribuir para alterar o controle de sua doença.
Embora seja verdade que o diabético precisa encarar seu controle metabólico com seriedade, e que nesse ponto de vista ele seja realmente especial, é falso pensar que por isso ele tenha que passar a vida preso à sua casa. Com algumas providências relativamente simples, o diabético pode cercar-se da segurança necessária para viajar e, assim, reforçar seu caminho para uma vida independente e normal.
Para você, que está nessa situação, aqui vão alguns conselhos:
Se você planeja sair de férias, vá ao médico com alguma antecedência. Ele fará uma reavaliação do seu grau de controle e poderá dar-lhe alguns conselhos e informações úteis. Por exemplo: endereços e telefones de bons médicos e hospitais em seu local de destino. Outra coisa importante é obter um relatório que contenha os dados mais importantes referentes a seu estado de saúde, como a existência ou não de complicações e o esquema de medicamentos em uso. Essas informações podem ser decisivas em caso de emergência.
Você estará mais seguro se levar aquilo de que pode precisar, sem confiar na disponibilidade comercial desses artigos, nem sempre previsível. Entre as coisas provavelmente necessárias, lembre-se das seguintes:
Leve esses suprimentos numa pequena valise ou frasqueira de mão. Não os despache com sua bagagem, por duas razões: primeiro, porque não é incomum o extravio de bagagem despachada; segundo, porque as diferenças de temperatura nos locais de armazenamento de bagagem podem alterar a atividade dos seus medicamentos, notadamente a insulina.
Por exemplo, a temperatura no compartimento de carga dos aviões comerciais pode chegar, durante a viagem, a 50 graus negativos, o suficiente para arruinar todo o seu suprimento de insulina. Da mesma forma, evite o calor em excesso. Deixar seu suprimento de insulina num carro fechado sob o sol pode contribuir para sua inativação.
Se você viaja pelo Brasil, comunicação não é problema. Mas se vai para o exterior, é importante que tenha meios de expressar necessidades médicas imediatas na língua local.
Um bom recurso é utilizar uma tradução para o inglês dos dados constantes em seu relatório médico e em seu cartão de identificação. O inglês é uma língua universal e, na maioria dos hotéis e hospitais, sempre há alguém que o entenda.
É interessante, também, levar cartões escritos contendo algumas frases básicas na língua local que traduzam necessidades imediatas.
Antes de sair, discuta com seu médico as adaptações que podem ser necessárias para ajustar sua rotina a certas diferenças de estilo. Por exemplo, se você é do interior e vai passar as férias numa praia do Nordeste, quase certamente irá comer mais peixe e, talvez, mais gordura do que em sua casa. Se for visitar outros países, procure informar-se sobre seus hábitos alimentares. Por exemplo, na Espanha o jantar é bem mais tarde do que estamos acostumados e na Austrália, bem mais cedo. Pode haver necessidade de mudar seu horário de insulina.
As viagens também afetam seu programa habitual de exercícios físicos. Uma viagem turística, por exemplo, propicia a realização de longos passeios a pé. Isso pode afetar seu controle da glicose e requer que você leve consigo algum alimento, para o caso de uma reação hipoglicêmica. No outro extremo, a imobilidade prolongada imposta por longos trajetos de carro, trem, ônibus ou avião pode trazer sobrecarga à sua circulação periférica. Lembre-se disto e programe paradas para "esticar as pernas", ou passeie pelo espaço disponível a intervalos regulares.
A diferença de fuso horário não traz maiores problemas para o não-diabético, exceto por alguma sonolência e mal-estar. Para você, no entanto, que precisa tomar insulina a intervalos regulares, a diferença de algumas horas para mais ou para menos pode ser significativa.
É importante compreender que esse problema é passageiro e restrito somente ao período de deslocamento. Assim que você chegar ao seu destino, passa a viver no horário local e, portanto, só precisará ajustar a dosagem de insulina uma vez - a primeira no novo horário.
É importante, também, ficar alerta para o fato de que a adaptação das doses de insulina ao novo horário não tem precisão absoluta, podendo acarretar tendência para a hipoglicemia, de um lado, ou para a hiperglicemia, de outro. Você deve, portanto, policiar-se um pouco nas primeiras horas após a chegada.
Seu médico poderá fornecer-lhe o esquema de adaptação que for melhor para o seu caso individual.
Por essa lista de precauções, você pode ver que viajar lhe dá mais trabalho e cuidados do que a um não-diabético. No entanto, a observação meticulosa desses cuidados vale a pena, porque contribui para aumentar seu senso de autonomia e segurança e para diminuir o falso sentimento de marginalidade que o diabetes pode lhe trazer. Fale com seu médico, arranje tudo e boa viagem!