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Os pacientes diabéticos são constantemente alertados sobre a importância da prevenção de complicações. O que por vezes não fica tão claro é como tratar essas possíveis complicações, como a retinopatia diabética, uma das principais causas da cegueira irreversível. Veja o que o laser pode fazer nesses casos.
O laser é um grande aliado no tratamento da retinopatia. No início, os aparelhos para sua aplicação eram rudimentares e inspiravam receio. "Hoje eles são extremamente bem desenvolvidos e com uma possibilidade de acerto total", informa o Dr. Marcos Avila, médico oftalmologista e presidente do Conselho Brasileiro de Oftalmologia.
Muitos pacientes têm medo de iniciar a laserterapia porque acham que podem ficar cegos. Para o Dr. Ávila, "a maior complicação da retinopatia é a perda visual, mas não por causa do laser e sim devido a uma evolução natural da enfermidade".
A retinopatia diabética danifica os vasos capilares responsáveis pela condução do sangue até a retina, estimulando a criação de novos vasos e hemorragias no olho. Quando a mácula - região central da retina - ainda não foi comprometida, o paciente pode não perceber a evolução da doença até as fases avançadas, quando a complicação começa a causar a diminuição gradativa da acuidade visual. Outro sintoma é o aparecimento de manchas escuras na visão, que se dissipam em alguns dias ou se mantêm por um longo período.
O número de pessoas que perderam a visão em conseqüência da retinopatia ficou bastante reduzido a partir do momento em que a laserterapia começou a ser usada. A aplicação do laser deve ser feita nas fases iniciais dos dois tipos básicos da doença, que são retinopatia exudativa ou maculopatia diabética e a retinopatia proliferativa.
Com o objetivo de diminuir a formação de neovasos e estancar o vazamento de líquido entre as células retinianas, a laserterapia é realizada no consultório médico após a aplicação de colírio anestésico, o que assegura um tratamento sem dores ou desconforto para o paciente. Os intervalos entre uma aplicação e outra são, geralmente, de 30 a 60 dias e o número de vezes necessárias depende do tipo de retinopatia. Pode acontecer de o procedimento ser iniciado em uma fase tardia: "Nessas circunstâncias, o laser não tem o efeito ideal", alerta o Dr. Ávila.
Uma vez iniciado, o tratamento não deve ser abandonado - a não ser, é claro, sob orientação médica: "Alguns pacientes fazem a primeira sessão de laser e interrompem as aplicações em seguida; nesses casos, há uma tendência natural de agravamento da retinopatia diabética e, por conseqüência, a visão piora", explica.
O Dr. Ávila, que já tratou de muitos pacientes com essa complicação decorrente do diabetes, esclarece que em alguns casos não há indicação de laserterapia e sim de vitrectomia - técnica cirúrgica que visa retirar os restos da hemorragia e liberar a tração exercida sobre a retina.
Apesar de satisfatórios, no sentido de evitar uma perda visual severa, os resultados da vitrectomia não garantem uma grande melhora visual porque os pacientes são, na maioria dos casos, operados numa fase avançada da doença. "Por isso, deve-se tratar com laser nas fases iniciais, deixando a vitrectomia para uma fase posterior", explica o médico.
Infelizmente, a laserterapia não é de fácil acesso em todo o país. "Na maioria dos Estados, a rede pública não dispõe de potencial adequado para atender a todos os pacientes que necessitam", lamenta o Dr. Ávila.
São muitos os benefícios trazidos pelo tratamento a laser, mas é importante cuidar, além dos efeitos, das causas da retinopatia. O diabetes mal controlado facilita o surgimento da complicação, mas só o controle da glicemia não é suficiente para evitar seu aparecimento.
Isso acontece com outras complicações do diabetes. A diferença é que na retinopatia os sintomas só aparecem quando a retina já está muito afetada. Dessa forma, a doença pode passar despercebida até alcançar fases avançadas, quando o olho já se encontra seriamente danificado.
Por isso, é importante consultar o oftalmologista uma ou duas vezes ao ano. Controlar a pressão arterial, manter a taxa de colesterol baixa e evitar o fumo são cuidados que, sem dúvida alguma, diminuem as chances de problemas nos olhos.