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  Edição nº 10  









A descoberta da insulina em 1921 por Banting (Prêmio Nobel de Medicina) e Best foi saudada, pelo mundo médico, como a solução para resolver o então intrincado problema do diabetes, pois este ceifava vidas impiedosamente. O tempo veio demonstrar que esta maravilhosa descoberta não resolvera o problema, como se esperava. Isto porque a insulina - que, a partir dessa época, começou a salvar os pacientes diabéticos de episódios agudos (como a cetoacidose e coma diabético) e a melhorar as suas vidas - não trouxe os mesmos resultados quanto às complicações crônicas, que começaram a surgir à medida que os diabéticos passaram a viver mais.

Há cerca de três décadas, os esforços dos especialistas e pesquisadores na área do diabetes concentraram-se em aperfeiçoar métodos e produzir medicamentos capazes de evitar ou, pelo menos, minimizar as complicações crônicas, através de um melhor controle metabólico dos pacientes. Este controle se aproxima do ideal quando o portador de diabetes mantém os níveis da glicemia (açúcar no sangue) den-tro dos limites estabelecidos como ideais, a maior parte do tempo. E como os médicos chegaram a esta conclusão? Foi exatamente através de pesquisas, observações clínicas e trabalhos científicos, produzidos pela comunidade médica de todo o mundo. Nesse sentido já foram publicados trabalhos de muito valor, como o DCCT, elaborado durante cerca de 10 anos e que trouxe muita luz para os médicos, orientando-os no tratamento do diabético tipo 1 (que depende do uso de insulina). O estudo europeu conhecido como UKPDS, mais recente com duração de cerca de 20 anos, teve a mesma finalidade, porém tendo em vista os portadores de diabetes tipo 2 (que não dependem do uso de insulina).

Os pesquisadores na área do diabetes baseiam-se em trabalhos com valor científico comprovado, como os acima citados, para tirarem conclusões válidas e aceitas pela comunidade médica. Elas funcionam como padrão para o médico orientar e tratar seu paciente.

Em 1997, sob a presidência do Dr. Antonio Carlos Lerario (SP), a Sociedade Brasileira de Diabetes realizou um primeiro Consenso sobre o assunto e, no ano passado, ele foi atualizado, então sob a presidência do Dr. Jorge Luiz Gross (RS).

O que Significa o Consenso?

Os Consensos da SBD têm sempre duas finalidades principais: ouvir a opinião dos especialistas em diabetes sobre como proceder na conduta com o paciente; e como indicar o tratamento adequado para cada caso. Especialistas de vários Estados do Brasil foram convocados para esses Consensos. Reunidos em grupos na sede da SBD, eles abordaram vários tópicos, discutindo pormenorizadamente a conduta a ser adotada. No final, eles se reuniram em assembléia geral e estabeleceram os parâmetros adequados para apresentar à classe médica brasileira. O Consenso é o pensamento da SBD sobre como proceder frente às várias situações enfrentadas pelo paciente diabético.

Por exemplo: seguindo as normas adotadas internacionalmente, o nível de açúcar no sangue (glicemia) para saber se um indivíduo é ou não diabético, ficou assim estabelecido: normal – glicemia de 60 a 109 mg/ dl; diabetes – glicemia igual ou acima de 126 mg/dl (comprovado em dois dias diferentes). Na faixa entre 110 e 125 mg/dl o indivíduo tem tolerância reduzida à glicose e, portanto, deverá ser orientado pelo médico, pois está a caminho de se tornar diabético.

O Consenso brasileiro levou em consideração a opinião de especialistas internacionais e organizações de peso no cenário científico. Entre elas, figuram as associações americana e canadense de diabetes e a Organização Mundial de Saúde. O Consenso brasileiro deverá estar brevemente na Internet. Com ele, quis a diretoria da SBD contribuir de maneira efetiva e prática para que a classe médica possa repassar medidas benéficas para o seu paciente, a fim de que ele tenha uma vida melhor, mais saudável e sem complicações.

Dr. Antonio Rodrigues Ferreira, endocrinologista, coordenador do Centro de Pesquisa da Clínica de Endocrinologia e Metabologia da Santa Casa de Belo Horizonte.

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