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Nessa época do ano a gripe costuma atingir muita gente. Logo, a atenção precisa ser redobrada, pois ela pode influir no seu controle. Algumas providências simples, como adotar uma alimentação balanceada e beber bastante líquido, podem diminuir bastante o risco de descontrolar suas taxas de glicemia.
Não é porque você tem diabetes que aumentam suas chances de pegar uma gripe, a não ser que esteja mal controlado. Mas é certo que ela influencia no diabetes e deve ser evitada. Independente de serem de origem virótica ou bacteriana, infecções respiratórias em geral resultam na liberação de hormônios (como a adrenalina) na corrente sangüínea, que podem aumentar a taxa de glicose.
O risco é maior para idosos e mal controlados, que têm o organismo mais fragilizado, pois as defesas orgânicas estão diminuídas.
A incidência de gripe aumenta na estação mais fria do ano. A razão direta é a sobrecarga do aparelho respiratório, que tem o trabalho extra de aquecer o ar antes deste entrar nos pulmões.
Com o frio, fica-se mais em lugares fechados, o que aumenta a possibilidade de contato com outros gripados.
O primeiro passo é procurar o médico. Muitos pacientes, ao invés disso, costumam fazer um autodiagnóstico que
freqüentemente leva ao erro, pois os sintomas da gripe podem ser confundidos com os de outras doenças. Uma vez diagnosticada a infecção, deve-se partir para um tratamento específico.Segundo o endocrinologista Saulo Cavalcanti, delegado da SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes) e da ABESO (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade) em Minas Gerais, o procedimento mais indicado é atacar a causa e não os sintomas. Por isso é importante atentar para a qualidade de vida do paciente. Um ritmo puxado pode abrir portas para várias infecções. "Não adianta curar uma gripe agora e continuar com a resistência baixa. Senão você vai passar a vida tratando o problema", alerta ele.
O tratamento costuma ser simples. Na maioria das vezes basta adotar uma hidratação oral, rica em líquidos e frutas. Repouso também é fundamental.Um dos problemas mais comuns é o paciente voltar às atividades normais sem estar completamente recuperado. Para aqueles cuja profissão exige um maior desgaste físico, o cuidado deve ser redobrado, pois o risco de desidratação aumenta.
A utilização de medicamentos vai depender do seu quadro clínico. Usar remédios não prescritos por médico é um risco para o paciente diabético. Alguns contêm açúcar na sua composição e podem elevar a taxa de glicemia sem você saber. Por isso, é importante manter uma monitorização rigorosa.
A questão é mais séria para os indisciplinados. Dos pacientes que sabem que são diabéticos, 20 a 25% negam a doença, ou seja, não fazem nenhum tratamento. Eles devem criar o hábito de adotar o que o Dr. Saulo chama de "monitorização glicêmica inteligente", que consiste em dosar a glicemia pelo menos uma vez por semana em quatro horários. "O paciente que entender a importância dessa atitude vai controlar sua própria insulina e saberá como agir em diferentes situações", afirma ele.
Alguns pacientes costumam ter dúvidas quanto aos procedimentos em relação ao tratamento do diabetes quando estão gripados. Se você é um deles, saiba que não se deve suspender a insulina nem quando estiver usando remédios para a gripe. "O que pode ser necessário é ajustar as doses de insulina, dependendo do antigripal adotado", afirma o Dr. Saulo. Se mesmo fazendo uso de antitérmico a febre não baixar em 24 horas, o ideal é procurar um especialista, pois pode se tratar de uma infecção mais grave. É sempre recomendável manter os cuidados básicos: repouso, alimentação cuidadosa e, o mais importante, beber muita água entre as refeições.
O uso de vitamina C é liberado. As únicas restrições são as pastilhas efervescentes que contêm açúcar. Já existem versões diet deste tipo de produto no mercado. Consulte seu médico para saber qual a melhor opção.
Equilíbrio é a palavra-chave quando se fala em hábitos
alimentares. É importante adotar uma alimentação regrada,
com três refeições maiores - desjejum, almoço
e jantar - e lanches intermediários. Além disso, evitar excessos
que reduzam a resistência, como cigarros e bebidas alcóolicas.
Paralelo à alimentação, o cuidado com os exercícios
físicos é fundamental. Pode ser necessário que o paciente
deixe de fazer atividades físicas no período da gripe. Uma
vez recuperado, o ideal é voltar para a mesma atividade, no mesmo
horário de costume. Dr. Saulo explica a razão: "a insulina
pode apresentar uma adequação em determinado horário.
Se você muda o tipo de exercício, pode ter hipoglicemia em
outro horário".
Em abril de 1999 começou a ser aplicada no Brasil a vacina contra
gripe, medida que vem se mostrando eficaz. A aplicação deve
ser feita uma vez por ano, de preferência entre fevereiro e abril,
para que o paciente esteja imunizado no inverno.
Resfriado comum e gripe são diferentes. Enquanto o primeiro apresenta
sintomas como coriza, obstrução nasal e garganta irritada,
a gripe - resultante da ação do vírus Influenza - causa
febre e dores no corpo. É ela que a vacina pode prevenir. Para isso,
deve ser aplicada anualmente, pois a cada ano é produzida uma versão
com base nas mutações do vírus no ano anterior.
Então,
a vacina não previne contra mutações muito recentes.
Segundo levantamento do Ministério da Saúde, no ano passado
houve uma diminuição de 8% nas internações de
idosos por pneumonia em relação a 1998. A vacinação
teria, segundo os autores da pesquisa, diminuído o número
de mortes e melhorado a qualidade de vida. Apesar de a pneumonia não
ser necessariamente causada pelo agravamento de uma gripe, esta é uma
das causas mais comuns. O menor número de internações
pode ser, portanto, atribuído ao sucesso da vacinação
em idosos.
As crianças são as mais vulneráveis ao vírus
Influenza, já que não têm imunidade. Segundo estudos,
a probabilidade de uma criança ficar gripada é três
vezes maior do que a de um adulto.
A vacina é recomendada para crianças, idosos e pacientes de doenças cardíacas e crônicas, como o diabetes. Pessoas que sofrem freqüentemente de problemas respiratórios também devem tomá-la. Há poucas contra-indicações: pessoas com alergia ao tiomersal (mertiolate) e ao ovo de galinha, além daquelas que estiverem com os sintomas da gripe. Nesse caso, é melhor esperar que ela passe, para então se vacinar.
Cerca de 10% da população brasileira sofre com a asma, principalmente no inverno. A recomendação básica neste caso é evitar os ácaros, pois 85% dos asmáticos são sensíveis a ele. Procure não se expor a lugares empoeirados e ambientes poluídos. Os ácaros também são responsáveis por 80% dos casos de alergias respiratórias.
Se você é paciente diabético e asmático, atente para os medicamentos que está ingerindo, pois os mais eficazes no controle da asma aumentam a taxa de glicemia. Mas isso não significa que eles devam ser evitados. Elevando proporcionalmente a dose de insulina, não há risco de ocorrer uma hiperglicemia. O mais importante é tomar a atitude certa depois da crise: não sendo mais necessário usar o medicamento para asma, deve-se voltar à dose convencional de insulina. Senão, corre-se o risco de ter uma hipoglicemia.