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  Edição nº 15  





Nesta Edição:







Uma das maneiras de controlar o diabetes é educar o paciente. Enfocar o seu dia-a-dia de forma lúdica tem sido uma das estratégias adotadas por especialistas. Ana, João, Tio Julião, Iedinhos e Super Mellitus da Silva são exemplos de personagens que povoam desde histórias em quadrinhos até transparências usadas em salas de aula.

Era uma vez duas crianças chamadas Ana e João. Ambas estudavam no mesmo colégio e a menina era paciente diabética do tipo 1. Joãozinho não apresentava a mesma disfunção da amiga, até que um dia seus pais se separaram e ele, que já tinha predisposição, desencadeou a enfermidade. Tempos depois, Julião - o tio do garoto - foi diagnosticado com diabetes tipo 2. Estes personagens fazem parte de histórias em quadrinhos criadas pela endocrinologista Claudia Pieper, do Rio de Janeiro, e pelo produtor gráfico Antônio Balieiro, que contaram, inicialmente, não só com o patrocínio do laboratório Novo Nordisk, mas também com o da Merk, que continua apoiando o projeto.

Segundo a Dra. Claudia, a idéia de fazer uma história em quadrinhos sobre o diabetes surgiu em 1987, desenvolvendo-se até 1989 numa colônia de férias. "Nós contávamos historinhas para as crianças diabéticas e daí eu e o Antônio resolvemos criar personagens com quem elas pudessem se identificar", diz a médica, acrescentando que Aninha era uma paciente com bom controle do diabetes e que ficava ensinando ao colega como deveria agir em diversas situações.

Já Tio Julião é um velho amigo dos leitores de Mais Saúde. Lembram-se? Ele é o personagem-título dos quadrinhos que, durante algum tempo, ocuparam a contracapa da revista. Dando continuidade ao gibi de Joãozinho e Aninha, fez tanto sucesso que ganhou versão em inglês - apresentada no 17º Congresso da Federação Internacional de Diabetes, realizado no México, ano passado - foi publicado na revista da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal e também já está na internet, no site www.tiojuliao.com.br

De acordo com a Dra. Claudia, o tio de Joãozinho foi criado, em 1994, para passar a idéia do que é a Síndrome de Resistência à Insulina e a razão pela qual os pacientes diabéticos tipo 2 devem seguir uma dieta. Motorista de ônibus, que tem contato com um variado número de pessoas, Tio Julião possui um visual típico dos que apresentam essa resistência: obesidade central em forma de maçã.

"A história em quadrinhos já é reconhecida em muitas partes do mundo como método eficaz de estabelecer uma comunicação adequada para a população em geral. Fixa a atenção de quem está lendo porque é recreativa e engraçada, ao mesmo tempo em que passa um termo médico, difícil de entender, para uma linguagem comum", afirma a Dra. Claudia.

No Rastro do Sucesso

No rastro da experiência bem-sucedida com os personagens Aninha, Joãozinho e Tio Julião, a Dra. Claudia e o desenhista Antonio também criaram os Iedinhos, em alusão ao Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia (IEDE), do Rio de Janeiro. Eles, Iede 1 e Iede 2, representam os dois tipos de diabetes, sendo o primeiro mais jovem e mais magro e, o segundo, uma versão semelhante ao Tio Julião, na faixa etária acima dos 45 anos.

Os Iedinhos foram feitos especialmente para a equipe da Unidade de Educação em Diabetes do IEDE. Eles estão nas transparências utilizadas nas aulas freqüentadas pelos pacientes em tratamento no Instituto.

Consciente de que a educação em diabetes é uma grande arma contra o descontrole, o IEDE formou uma equipe multidisciplinar para ensinar aos pacientes a lidar melhor com a enfermidade. "Essas aulas foram feitas a partir de uma pesquisa sobre o grau de instrução do público-alvo do IEDE e têm dado certo. Os pacientes já vão para as consultas querendo ver a programação da semana inteira do curso", conta a Dra. Claudia.

O Super-Herói do Diabetes

Em 1988, o Centro Integrado de Diabetes e Hipertensão (CIDH), em Fortaleza, chefiado pela endocrinologista Adriana Costa e Forti, atual presidente da SBD, criou o Super Mellitus da Silva - herói que vem acabando com o fantasma do diabetes entre os pacientes infanto-juvenis. A idéia foi motivar a garotada a se cuidar e manter o bom controle da disfunção. As ilustrações e artes finais são do desenhista Zélio e o apoio é da Bayer Diagnóstica.

Com característica regional, Super Mellitus usa um chapéu de couro e é paciente diabético tipo 1. Segundo a Dra. Adriana, o primeiro material com o personagem foi um álbum seriado, enfocando temas como nutrição, insulina e conceitos gerais do diabetes. "O álbum é muito prático porque não precisa de projetor de slides ou outro aparelho do gênero. É só enrolá-lo embaixo do braço e levá-lo para as aulas no interior do Estado", comenta.

Além de estar em álbum, Super Mellitus também pode ser visto em revistas (entregues em eventos e campanhas sobre diabetes) e vídeos, passados na sala de espera do CIDH. A Dra. Adriana explica que o objetivo de criar esse personagem foi o de tornar a educação em diabetes mais acessível aos portadores da disfunção. "A educação é a mais importante arma terapêutica. Sem ela, o controle do diabetes fica mais difícil", afirma.

Convivendo em Turma

Em julho do ano passado, junto com a agência RN Comunicações, o Centro BD de Educação em Diabetes criou a história em quadrinhos Turma da Pracinha. Segundo Rafaele Madormo, gerente de marketing da Área de Diabetes da BD, o objetivo foi abrir um espaço para crianças e adolescentes dentro da revista BD Bom Dia. "Colocamos os conceitos do diabetes de forma lúdica nas situações sociais normais dessa faixa etária: as histórias se passam na escola, na vila, e outros lugares que fazem parte do cotidiano infantil", explica.

Ele acrescenta que a intenção é integrar, cada vez mais, as crianças diabéticas com as outras, mostrando que tomar insulina faz parte da vida, "como cortar o cabelo", por exemplo. Na edição do primeiro trimestre deste ano os quadrinhos enfocaram a alimentação, mostrando que tanto os pacientes diabéticos quanto as demais pessoas devem ingerir quantidades adequadas de frutas, verduras, legumes, leite, carnes, arroz e feijão, além de água, principalmente no verão, evitando excessos de frituras, gorduras, doces e refrigerantes.

Glicosímetro Ganha Vida

Outro personagem da área do diabetes é o Glico, que nasceu em março de 2000, junto com a revista De Bem com a Vida, do laboratório Roche. Seguindo a idéia de que a educação é primordial no caso do diabetes, o laboratório quis, com o personagem, alcançar os pacientes mais novos .
Criado pela equipe da Roche Diagnóstica, juntamente com Andréa Daidone, coordenadora editorial da revista, Glico faz parte do Espaço Kids da publicação e, na verdade, é o produto Advantage, que ganhou pernas, braços e rosto, a fim de promover a educação em diabetes de forma leve e lúdica. "Pensamos numa forma mais fácil de nos comunicar com crianças e adolescentes e a resposta tem sido muito legal", afirma Andréa.

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