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  Edição nº 15  

 







 

 

Era verão de 1921,em Toronto, Canadá. Após várias tentativas de outros cientistas, o médico Frederick Grant Banting (na foto à direita) e o bioquímico Charles Herbert Best (à esquerda) conseguiram, finalmente, reduzir a glicose no sangue de um cão diabético. Curiosamente, através do chamado “melhor amigo do Homem” estava sendo descoberta a insulina, até hoje a grande aliada dos portadores do diabetes.

Em 1922, Leonard Thompson, 14 anos, foi o primeiro ser humano a ser tratado com insulina. O diabetes havia sido diagnosticado há dois anos e o garoto era submetido à inanição por uma dieta restritiva - método terapêutico usual na época.

Sua primeira injeção intramuscular não obteve sucesso, mas a segunda tentativa, algum tempo depois, com um extrato mais purificado, alcançou o objetivo esperado, reduzindo a glicose no sangue e permitindo um tratamento a longo prazo. Com a condição de que se estabelecesse um comitê para o controle de produção da insulina - nome derivado do termo latino insula (ilha), por se originar de células pancreáticas semelhantes a pequenas ilhas, quando vistas através de microscópio -, os descobridores do seu método de extração passaram a patente para o Conselho Diretor da Universidade de Toronto.

Em 1923, o medicamento foi licenciado na Alemanha, Dinamarca e Áustria, ficando disponível para médicos e pacientes. De lá para cá foram muitas as mudanças no conteúdo das ampolas.

Divisor de Águas

O momento da descoberta da insulina foi um divisor de águas na história do diabetes. Antes, os pacientes não tinham perspectiva de vida a longo prazo. Ficar diabético soava como uma condenação. Mas essa situação demorou a mudar. Alguns anos após a grande façanha de Banting e Best a doença ainda soava muito ameaçadora.

Em 1935, Rogério de Oliveira tinha três anos de idade. Já livre das fraldas, uma ocasião voltou a fazer xixi na cama, como nos tempos de bebê. As formigas atraídas por sua urina ajudaram no diagnóstico, feito por um médico, em Lisboa, onde o então menino passava férias. "O especialista disse que seria melhor se eu tivesse caído da escada... Meus pais ficaram apavorados!", conta ele, que cresceu saudável, está com 68 anos e é médico endocrinologista no Rio de Janeiro, especialista em diabetes.

Durante todos esses anos o Dr. Rogério de Oliveira testemunhou os avanços na fabricação da insulina. Ele diz que, antigamente, devido à pouca pureza do medicamento, era mais freqüente acontecer uma hipoglicemia sem que fosse percebida. "Hoje em dia está tudo bem melhor. Com as insulinas humanas é possível um maior controle do diabetes. Além disso, as agulhas são menores e as seringas, descartáveis - as de vidro davam muito mais trabalho", lembra.

O que Existe no Mercado

Atualmente, encontra-se no mercado uma grande variedade de insulina, de diversos laboratórios e tipos diferentes (veja tabela anexa). O paciente diabético tem a sua disposição insulinas de ação rápida, intermediária e pré-misturada, que se distinguem pela velocidade com que são absorvidas e pelo tempo que o organismo leva para assimilar todo o remédio injetado.
Seguindo a evolução do tratamento do diabetes, há alguns anos as seringas foram gradativamente sendo substituídas pelas canetas com agulhas ultra-finas. Bem mais fáceis de usar, principalmente por crianças, elas são carregadas com cartucho contendo insulina suficiente para vários dias de uso. Bastante práticas, são as companheiras ideais no trabalho, na vida social, em pequenos deslocamentos ou viagens.

Recentemente, o Ministério da Saúde brasileiro liberou a utilização da bomba de infusão de insulina por portadores do diabetes tipo 1. Já usada há vários anos nos Estados Unidos e Europa, ela é presa na cintura do paciente e o seu tamanho é semelhante ao de um BIP.
Carregada com insulina de ação rápida ou ultra-rápida, a bomba imita o pâncreas ao liberar o medicamento constantemente, em pequenas doses. Na hora da refeição, o paciente mede sua glicemia e, de acordo com o que vai ingerir, prepara o aparelho para ceder maior ou menor quantidade do produto.

Novidades em Teste

Uma insulina denominada Glargina está sendo testada pelo laboratório Aventis. Ela mantém constante, por 24 horas, os níveis de circulação da substância no sangue, com menor risco de ocorrência de hipoglicemia. Com previsão de chegar ao Brasil no ano que vem, a nova insulina também poderá ser aplicada através de caneta com agulha fina.

Continuam em testes as insulinas oral e inalada, para melhorar ainda mais a vida dos pacientes. Caso sejam aprovadas, os portadores do diabetes tipo 1 poderão se medicar com sprays ou comprimidos, podendo reduzir o número de aplicações diárias.

Em meio a tantas variedades terapêuticas, vale lembrar ao paciente diabético que seu tratamento deve ser sempre orientado pelo médico, de acordo com seu estilo de vida e suas necessidades.

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