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  Edição nº 17  

 

 

 

 

 

 

 

 

Depois que a American Diabetes Association (ADA) liberou moderadamente os doces para os pacientes diabéticos bem- controlados, ficou claro que o grande vilão da dieta não era somente o açúcar. Agora, a luta é também contra outro inimigo: as gorduras. Você precisa saber por que.

Apesar de serem extremamente importantes para o nosso organismo, as gorduras precisam ser ingeridas de forma equilibrada. Não só em relação aos tipos, mas também à quantidade. Para os diabéticos a recomendação é ainda mais rígida, já que eles possuem um status de risco semelhante a quem já teve um primeiro infarto. Sendo assim, seu colesterol LDL deve ficar abaixo de 100mg% (ingestão diária) e o total até 200mg/dia, mesmo que não apresente nenhum tipo de complicação.

As gorduras podem ser prejudiciais tanto para os diabéticos tipo 1 quanto para os tipo 2. Sabe-se que elas exercem um papel extremamente importante no controle glicêmico (um grama de gordura fornece 9 Kcal, enquanto um grama de carboidrato fornece 4 Kcal), além de serem fundamentais no controle do peso e na prevenção de doenças cardiovasculares.

No caso do diabetes tipo 2, a doença cardiovascular é a principal causa de morte, sendo necessário, então, reduzir ao máximo a ingestão de gorduras saturadas para menos de 7%, no mínimo. O colesterol total ingerido também é importante, tendo que ficar bem abaixo dos 30% do total da dieta do paciente diabético.

Problemas do Excesso de Peso

Com relação aos controles glicêmico e de peso, os dois estão intimamente ligados. "Quanto maior o excesso de peso, maior dificuldade para tratar e, conseqüentemente, mais resistência insulínica, mais medicamentos, mais risco e mais complicações", explica o Dr. José Egídio de Oliveira - endocrinologista, atual presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes e chefe do Serviço de Diabetes e Nutrologia do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da UFRJ. Ele explica que muitos desses pacientes, além da hiperglicemia e do diabetes, apresentam hipertensão arterial, dislipidemia e outros fatores relacionados à alteração de coagulação (a trombose, por exemplo, que também facilita a doença vascular).

Já no caso do tipo 1, a preocupação se deve ao fato de que, com a melhora do controle através do tratamento intensivo, a principal causa de morte desses pacientes também passou a ser por complicações cardiovasculares. Antigamente, o principal motivo era a nefropatia, mas agora, com a facilidade da monitorização, o acesso à alimentação é muito mais fácil. "Se o paciente perceber que sua glicemia está alterada, ele vai lá, mede a glicemia e toma insulina. Então, a preocupação com o peso aumenta, já que a tendência é ir engordando cada vez mais".

Assim, o problema da gordura precisa ser resolvido da melhor forma, seja por causa do excesso de peso ou do controle glicêmico. O endocrinologista afirma que é preciso observar a história alimentar da pessoa e, a partir disso, tentar identificar se está cometendo algum tipo de erro. Se estiver, descobrir como ele está influenciando o controle glicêmico. Tenta-se corrigir isso, então, levando em consideração os hábitos da pessoa.

Feijão com Arroz

Na opinião do endocrinologista, a alimentação do brasileiro sofreu muita influência externa. Para ele, temos uma tendência a ficar imitando os hábitos de outros países, sem pensar no que realmente é melhor para a nossa saúde. No caso do diabético, o tradicional arroz com feijão é uma excelente opção, apesar de estar sendo cada vez menos consumido. Para perda de peso a influência do carboidrato é menos importante do que a da gordura. Nesse caso, o carboidrato faz o mesmo efeito no organismo de uma pessoa não diabética. Ou seja, se quiser ficar em forma, tem que restringir o açúcar do mesmo jeito.

Além disso, o que importa quando ingerimos carboidrato não é apenas a quantidade, mas também a forma como ele é preparado. Isso se deve ao fato de os alimentos possuírem índices glicêmicos diferentes dependendo da preparação. Por exemplo: o peso na glicemia do macarrão feito al dente é bem menor quando comparado ao macarrão cozido por mais tempo. O mesmo acontece com a batata frita, se comparada ao purê.

Portanto, se você precisa emagrecer e não está conseguindo, pense no docinho que estará esperando por você, quando estiver bem-controlado e magrinho. Vai valer a pena o sacrifício, não vai?

Consultoria: Nutricionista Anita Sachs, professora adjunta e chefe da disciplina de Nutrição do Depto. de Medicina Preventiva da Universidade Federal de São Paulo.

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