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  Edição nº 17  

 

 

 

 

 

 

 

A revista Mais Saúde realizou uma pesquisa sobre o uso de insulina em locais públicos e as respostas não deixam dúvida: o diabético brasileiro não se sente completamente à vontade para aplicar sua dose de insulina em público. A maioria acredita que as pessoas ainda confundem com o uso de drogas injetáveis.

Os diabéticos se dividem quando escolhem o local de aplicação de insulina: 50% se aplicam em qualquer lugar, enquanto 49% procuram um local reservado para fazê-lo. Entre os pacientes que escolheram esta opção, mais da metade (59%) o fazem para não chamar atenção. Mesmo assim, 76% dos entrevistados afirmam nunca ter passado por uma situação desagradável.

O medo de ser discriminado e olhado como uma pessoa diferente faz com que até mesmo mães de pacientes evitem a insunilização em público. Marcia, mãe de Jessica, diabética de dois anos, conta que não aplica insulina em sua filha em locais públicos. "Quero que ela possa ser uma criança normal."
Segundo o paciente Reneo Pedro Prediger, "os principais problemas dos portadores de diabetes estão relacionados à qualidade da informação e disponibilidade generalizada de produtos dietéticos".

Até mesmo pessoas que, teoricamente, estariam informadas sobre o assunto não entendem o uso da insulina, como conta Valéria Prestes. "Pedi ao orientador do colégio para tomar a insulina e ele falou que era só pegar meus 'comprimidinhos', tomar e voltar para a sala de aula. Quando falei que era injeção ele não permitiu, disse que eu estava me drogando. E o que os outros alunos iam pensar? Minha mãe teve que conversar com ele, aí eu tomava insulina no banheiro dos professores, escondida."

Pacientes Têm Dificuldades de Aceitar o Diabetes

A confusão entre drogas e insulina acontece muito, de acordo com os entrevistados. Mas segundo a endocrinologista Rejane de Oliveira, o paciente também tem sua participação nessa questão. "Eu acho que isso é muito mais ele não querer publicamente assumir que é diabético, que toma insulina, do que alguma confusão ou algum medo. As outras pessoas é que ficam incomodadas, a verdade é essa. São curiosas e se sentem incomodadas com injeção, sangue."

"É desagradável pelo fato de ficarem olhando como se fôssemos extraterrestres. Mas nunca falaram nada, não".

"Na maioria dos lugares há um banheiro onde a gente pode aplicar a insulina sem ter que ficar sob olhares curiosos".

" Acho muito chato quando as pessoas olham aterrorizadas para você se aplicando, é horrível escutar aquele 'coitada".

"As pessoas ficavam me vigiando como uma drogada".

Mas a curiosidade dos outros pode ser uma forma de divulgar a doença. Antônio Ricardo Corrêa da Silva, paciente diabético há 21 anos, diz que aproveita as perguntas de leigos para divulgar a causa. "Quando alguém pergunta, ou vejo curiosidade do que estou fazendo, tento explicar do modo mais simples para que a pessoa entenda ou mesmo transmita aos outros".

A Dra. Rejane realiza, em sua clínica no Rio de Janeiro, um trabalho de assistência ao paciente em parceria com a psicóloga Laila Vianna. Ela explica que o problema pode ser de aceitação do diabético por ele mesmo. "Eu acho que isso complica é na dificuldade de se aceitar, aceitar o diabetes e aquilo que ele impõe. O que o diabetes impõe? Que quanto mais vezes o paciente se aplicar a insulina e souber sua glicemia, vai ficar sabendo cada vez mais o que pode fazer ou não."

Faltam Campanhas de Esclarecimento

Laila exemplifica: "Se se tratar de um jovem que se aceita bem, que está bem controlado, bem acompanhado, vai ter uma atitude diferente daquele que não se enxerga diabético e, conseqüentemente, não se aceita. Essa visão tem que ser muito bem conduzida para mudar, porque se alguém não faz sua insulina ou sua glicemia em público, não vai fazer estas picadas múltiplas que o tratamento impõe. Se o paciente vai passar o dia fora, sabe que vai ter que tomar a insulina na rua, seja no restaurante, seja na escola."

As profissionais acham que o Ministério da Saúde e toda a sociedade deveriam se envolver em uma campanha de esclarecimento sobre o uso da insulina, desmistificando o assunto. "Acho que isso pode ser uma campanha da própria Sociedade Brasileira de Diabetes", sugere a Dra. Rejane.

Os pacientes concordam. Maria das Graças, enfermeira e diabética tipo 1 avalia que "os órgãos públicos, as ONG's e as sociedades de classes ainda não despertaram para um trabalho massificado de informação para a sociedade em relacionar insulina e vida". Com o apoio da família, amigos e da sociedade, o diabético vai poder se cuidar muito melhor, sem se sentir como um extraterrestre.

Resultados das pesquisas

Foram 81 entrevistados, entre internautas que responderam à pesquisa no site da SBD e pacientes da Dra. Rosângela Rea, em Curitiba, que responderam à pesquisa a pedido da endocrinologista. Como agradecimento, todos receberam um exemplar da revista Mais Saúde.

• Uso de Insulina
1 vez ao dia: 20%
2 vezes :42%
3 vezes : 19%
4 vezes: 9.5%
não respondeu: 9.5%

• Uso de Caneta/Seringa/Bomba de Insulina
caneta: 20%
seringa: 69%
os dois: 8%
usa bomba de insulina: 1.5%
não respondeu: 1.5% /

• Local de Aplicação
reservado: 47%
em qualquer lugar: 50%
não respondeu: 3%

• Uso em Local Reservado Porque...
há confusão com drogas: 16%
receio de chamar atenção: 59%
discriminação : 8%
todas as alternativas: 17%

• Já Viveu Situação Desagradável
sim: 16%
não : 75,5%
não respondeu: 8.5%

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