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  Edição nº 19  









Uma insulina de ação rápida já está à venda; outra, de longa duração, está para chegar. Congressos internacionais trazem boas notícias sobre novas formas de aplicação, sem agulhas.
O Futuro, sem dúvida, promete uma melhoria na qualidade de vida do paciente diabético
.

Os principais encontros de endocrinologistas e especialistas em diabetes - ADA (Associação Americana de Diabetes) o EASD (Associação Européia para o Estudo do Diabetes - foram recentemente palco do lançamento de duas novas insulinas e a apresentação de diversas pesquisas em andamento. As novidades para os diabéticos são boas.

Segundo o Dr. José Egidio de Oliveira, presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), que esteve presente aos dois eventos, duas insulinas foram lançadas. "A Aspart é parecida com uma que já existia, a Lispro, mas tem uma vantagem sobre a insulina de ação rápida, por ser absorvida mais rapidamente quando aplicada pela via sub-cutânea, e ter um tempo menor de ação hipoglicemiante. Ela tem um pico maior de ação rápida", explica o médico.

Pessoas não diabéticas possuem dois picos de secreção de insulina: um pico rápido, logo que o alimento é absorvido; e um pico mais longo, que cobre o período pós - prandial, após as refeições. Com esta insulina ultra rápida, diz o Dr. Egidio, estamos mais próximos da secreção fisiológica de insulina, atendendo às necessidades dos diabéticos tipo l e tipo 2. Também pode ser utilizada em casos especiais, como crianças. Dr. Egidio explica que as mães ministravam a insulina antes das refeições e a criança, às vezes, comia mais ou menos do que o previsto. Agora, com a insulina Aspart, "a mãe pode esperar a criança comer e calcular a dose de acordo com o que foi ingerido na refeição."

A outra insulina ainda não está disponível no mercado nacional. A Glargi-na, um análogo de longa duração, atua no controle da secreção nos períodos basais - como jejum, entre refeições ou repouso. "Nós precisamos de ter uma secreção de insulina também neste período, para regular a produção de glicose em nosso organismo. Esta produção é necessária para alimentar algumas células do organismo que só sobrevivem com glicose, como as células nervosas." A insulina atua como reguladora desta produção e sua falta faz com que glicose em excesso seja produzida. Se o paciente usa grandes doses de insulina à noite, pode fazer hipoglicemia. A Glargina, segundo Dr. Egidio, não possui pico de ação, é constante, mantendo um melhor controle.

Outras Formas de Aplicação

Durante o último encontro da Associação Americana de Diabetes, nos Estados Unidos, algumas pesquisas sobre novas insulinas foram apresentadas. A grande novidade para os pacientes diabéticos é que todas exploram outras formas de aplicação da insulina, evitando a agulha.

Elas estão em fases diversas de teste, umas mais adiantadas do que outras. Aguardando somente a liberação do Food and Drug Administration (FDA), órgão americano que autoriza a comercialização de medicamentos, a insulina em adesivo pode ser a primeira a ser comercializada. Primeiro, um adesivo eletrônico (patch), alimentado por uma bateria, é aplicado na pele; em um milésimo de segundo ele vaporiza, sem dor, células na superfície da pele, criando aberturas microscópicas. Então outro pequeno adesivo, contendo um reservatório de insulina, é aplicado na pele, como um band-aid.

A pesquisa mostrou que a insulina é regularmente absorvida durante 12 horas de uso. A companhia está trabalhando em uma versão de 24 horas. No entanto, o patch somente fornece o nível basal de insulina necessário por dia e noite. A pesquisa está sendo desenvolvida pela Altea Development Corporation.

Pesquisas Adiantadas

Também em pesquisas bastante adiantadas (a chamada fase 3), inclusive com testes feitos no Brasil, a insulina inalá-vel promete facilitar a vida dos diabéticos. Trabalham com o mesmo princípio a Exubera, da Inhale Therapeutics, Pfizer e Aventis; AERx, da Aradigm e Novo Nordisk; Insulin Technospheres, da Mannkind/PDC; Air System, da Alker-mes com Eli Lilly; e a Aerodose, pela Aerogen com Disetronic.

Segundo o Dr. Jay Skyler, da Universidade de Miami, "basicamente estes sistemas liberam uma dose de insulina -em líquido ou em pó - através da boca, diretamente nos pulmões, onde entra na circulação sangüínea como uma insulina de ação rápida". Ele enfatizou que a pesquisa deve agora determinar se a rota pelos pulmões é segura, custo efetivo e viáveis para fornecimento de insulina por longos períodos. Alguns problemas estão aparecendo: IÁ dos pacientes têm acessos de tosse, há síntese de anticorpos de insulina em 1/3 e uma perda da capacidade do pulmão em 3% dos pacientes em 6 meses.

Outras duas formas de usar insulina estão em estágios iniciais de pesquisa, mas já demonstram resultados positivos. Antigamente, a pílula de insulina era inútil, pois a molécula era grande demais, conta Richard Abbas, diretor de Biofarmacêutica da Emisphere Technologies. O agente oral de distribuição facilita a absorção pelo fígado e o sistema circulatório, com o máximo de concentração de insulina vista entre 15 e 25 minutos, imitando a produção fisiológica e excreção pelo pâncreas. Na fase l do estudo que avalia a segurança e tolerância da cápsula, nem a pílula simples de insulina, nem o agente entregador, sozinho, tiveram impacto nos níveis de insulina. No entanto, a insulina combinada ao agente entregador garantiram uma absorção de insulina em níveis clinicamente significantes.

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