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  Edição nº 20  

 

 

 

 

 

Algumas das emoções provocadas pelo fato de ter diabetes podem fazer mal ao paciente. Outras, porém, são úteis e o ajudam a chegar a um acordo com o novo estilo de vida. Negação, raiva e ansiedade são alguns desses sentimentos com que precisamos aprender a conviver e superar.

A negação, por exemplo, pode fazer parte do modo como a natureza deixa que as novidades trazidas pelo diabetes penetrem gradativamente. Até a raiva pode ser uma aliada para lidar com a doença, se a energia for canalizada numa direção que a ajude a assumir sua condição. A chave para lidar com suas emoções é entender seus sentimentos sem tentar reprimi-los ou negá-los. Algumas emoções podem exigir atenção imediata e outras simplesmente têm de seguir seu curso.

 

Algumas pessoas acham que dar vazão a seus sentimentos por um tempo; ficar se lamentando pela própria sorte por uma ou duas semanas ajuda, e só então recobram o ânimo e mergulham de cabeça para dar conta do problema. Mas quanto melhor você entender seus sentimentos, mais fácil será enfrentar o diabetes.

Trecho do livro “Guia Completo sobre Diabetes”, da Editora Anima.

Vencer a Negação

Você estará experimentando a negação se sua primeira reação à notícia de que tem diabetes for a de tentar não pensar sobre o caso, desejar que desapareça, dizer a si mesmo que vai lidar com a questão mais tarde ou convencer-se de que os médicos não sabem o que estão dizendo. A negação não é necessariamente ruim. Pode ajudá-lo a ajustar-se à convivência com a diabetes. Agarrando-se às suas emoções, você conseguirá lidar melhor com o choque de absorver todas as novas instruções e informações médicas. Fingindo que não está com diabetes ou que ela não é essa coisa toda que dizem, você pode evitar um excesso de estresse, raiva ou depressão enquanto começa a sondar quais as mudanças que terá de enfrentar.

Entretanto, se ficar negando por muito tempo, corre um risco maior de negligenciar sua saúde e não tratar o diabetes. Isso pode causar situações de emergência a curto prazo e também levar a sérios problemas a longo prazo. Você pode ficar tentando manter sua velha rotina ou fingir que pode continuar comendo do modo como fazia antes, mas quanto mais cedo fizer as mudanças, melhor se sentirá.

O diabetes é uma doença controlável se os níveis glicêmicos estiverem sob controle. Fazendo isso, é possível evitar muitas das complicações debilitantes, como doença ocular, renal, cardíaca, derrame e infecções. Mas fica a seu critério assumir seu problema e fazer as mudanças que lhe assegurarão uma vida longa e saudável. Ninguém pode tomar essa decisão por você.

Evadir-se da negação pode dar algum trabalho. Conversar com outros diabéticos sobre como eles lidam com isso sempre ajuda. Pense em entrar para um grupo de apoio, uma sala de bate-papo ou um site de notícias na Internet. Ou procure aconselhamento psicológico.

Converse com seu médico ou educador em diabetes caso se sinta oprimido pela situação. Não tente muda tudo de uma só vez. Antes de mergulhar num programa de exercício, pense em observar sua dieta ou aprender como monitorar a glicemia por algumas semanas. Converse com o médico ou educador sobre o modo de abordar a administração do diabetes passo a passo.

A negação e outros sentimentos, como culpa e raiva, fazem parte da convivência com a diabetes para muita gente. Podem ir e vir, assim como a vida e o diabetes mudam com o correr do tempo. Às vezes, é preciso saber que você compartilha das mesmas preocupações que outros.

O Controle da Raiva

Ao se descobrir a presença do diabetes, é normal que surjam sentimentos de raiva. É como se a vida não estivesse sendo justa. A raiva pode aparecer quando a negação for superada, ou quando passar a coexistir com ela, com a depressão ou com a ansiedade; pode aparecer durante os confrontos com os problemas trazidos pela doença ou em situações que não tenham nada a ver com ela.

Todos esses sentimentos são naturais quando se tem de lidar com uma condição tão difícil. A raiva é comum no processo de ajuste ao diabetes. É normal ficar com raiva de algo que não se pode controlar. Mas se após alguns meses, essa sensação (uma hostilidade incontrolável) ainda persistir, é sinal de que você precisa de mais ajuda para abordar esses sentimentos.

Uma boa forma de lidar com a raiva e outros sentimentos negativos é reconhecê-los, perceber que são normais e descobrir maneiras de canalizar sua energia para conseguir assumir o controle da situação.

Comece pelo reconhecimento da raiva e responsabilize-se por ela. Não ponha a culpa de alguma explosão que você tiver em outra pessoa ou situação não relacionada. Ao mesmo tempo, aceite a raiva como parte do processo.

A seguir, observe os episódios de raiva e os acontecimentos que os desencadearam. Faça anotações ou mantenha um diário, se possível. Após alguns dias ou semanas, revise suas observações. Existe algum tipo de padrão? Veja se há situações ou pessoas em particular que a deixam com raiva. A raiva costuma acontecer após uma hora preso num engarrafamento de trânsito? Ou quando as pessoas começam a lhe perguntar sobre o diabetes? Tente calcular quais são as situações que o deixam encolerizado.

Às vezes a simples identificação daquilo que motiva a cólera pode ser suficiente para nos entendermos com ela. Talvez seja também necessário evitar as situações que a provoquem. Se sentir que fica roxo de raiva cada vez que seu marido ou mulher lhe pergunta sobre a glicemia, não espere até que a coisa exploda. Num momento de calma explique que aquilo o aborrece. Faça um trato de que testará a glicemia em certas horas se ele ou ela parar de cobrar.

Talvez descubra que o sentimento de raiva está ali porque você ainda não se conformou com o fato de ser diabético. Nesse caso, pense em entrar para um grupo de apoio, conversar com outras pessoas ou procurar a ajuda de um psicólogo.

Você pode deixar que a raiva o domine e o deixe infeliz ou pode encará-la como uma energia descontrolada. Use essa energia para fazer algo positivo. Ela pode ser um sinal de que você está pronto para uma mudança de vida. Informe-se a respeito do diabetes e torne-se o próprio defensor de sua saúde. Experimente testar a glicemia sempre que surgir um episódio de cólera ou vá caminhar para se acalmar. Dando passos positivos para controlar a raiva será possível assumir o tratamento do diabetes.

Manipulação do Estresse

Tanto os diabéticos quanto os médicos e pesquisadores há muito suspeitam que o estresse afeta o controle glicêmico. Embora não haja provas de que por si só possa causar qualquer doença, é possível que o estresse provoque ou piore os -sintomas em pessoas já vulneráveis.

O estresse é uma faca de dois gumes para diabéticos, assim como para outras doenças crônicas. Contribui para os sintomas da doença e esta pode também desencadear o estresse. O modo de lidar com diabetes e o estresse a ela associado divergem de uma pessoa para outra. Mas o estresse relacionado à diabetes é semelhante ao estresse em geral.

O diabetes pode trazer estresse real, imaginário ou esperado a qualquer um. Pode fazer com que você se sinta impotente em relação ao próprio organismo, além de desamparado e sem poder de controle. Causa raiva e leva-o a perguntar: “Por que comigo?” Pode surgir a negação (“isso não pode estar acontecendo”), a depressão (“estou triste e desesperançado”) ou o desamparo (“não consigo lidar com isso”). O diabetes pode levar à baixa auto-estima, levando-o a pensar que há algo de errado com você.

Reconhecer como age quando está estressado pode ajudá-lo a lidar com o problema. Fica facilmente encolerizado e culpa os outros? Chora com facilidade e fica deprimido ou retraído? Talvez tenha uma sensação de vazio ou apatia. Talvez recuse o auxílio dos que o cercam ou exija uma atenção exagerada por parte deles. Talvez repreenda-se com muita severidade.

Se tiver tendência a ficar excessivamente ansioso ou violento quando está sob estresse, convença-se a ficar mais calmo e a se controlar. Delegue responsabilidades e arrume tempo para si mesmo. Se tiver tendência a interiorizar o estresse, lembre-se de que não é culpado pelo diabetes que tem e que pode tomar medidas positivas para lidar com sua condição. Aprenda a relaxar.

Algumas destas estratégias de controle do estresse podem funcionar:

Reconheça que todo mundo faz escolhas na vida e você faz as suas. Seja moderado, evite comportamento excessivo. Insista em identificar as coisas que o deixam estressado. Imagine maneiras de lidar com isso. Você pode não controlar engarrafamentos no trânsito, patrões irados ou um bebê que chora, mas pode ter algum controle sobre o modo como reage a essas situações. Tente encontrar maneiras saudáveis de lidar com os sentimentos de solidão, baixa auto-estima, raiva e outras emoções desconfortáveis.

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