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Em pesquisa publicada pelo IBGE em dezembro de 2004, ficou comprovado o crescimento alarmante da obesidade no Brasil nos últimos dez anos. Para quem foi diagnosticado com diabetes tipo 2 e não consegue perder o excesso de peso, fica caracterizada a chamada diabesidade: uma condição de coexistência de diabetes tipo 2 e obesidade. Leia mais sobre a pesquisa
Sabe-se, também, que a presença de diabetes em pessoas obesas usualmente é acompanhada de síndrome metabólica (ou síndrome de resistência à insulina) e conseqüente risco cardiovascular elevado - em especial, para infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral.
Segundo o Dr. Bruno Geloneze, presidente eleito do XVI Congresso da Sociedade Brasileira de Diabetes/2007 e endocrinologista da UNICAMP, no diabetes tipo 2 cerca de 85% dos pacientes apresentam diabesidade e resistência à insulina. Diferente dos pacientes com diabetes tipo 1, que desenvolvem a doença em função da perda da capacidade de produção de insulina pelo pâncreas.
No entanto, os portadores de diabetes tipo 1 podem se tornar obesos também, passando a desenvolver resistência à insulina. Nesse caso, eles podem apresentar alterações lipídicas (aumento de triglicérides e redução do HDL-colesterol), hipertensão arterial e obesidade abdominal, tendo como resultado final um grande aumento do risco cardiovascular típico da diabesidade.
Para o endocrinologista, existe um componente essencial para o aparecimento da diabesidade: “o padrão de distribuição abdominal e troncular da gordura parece ser mais importante do que a quantidade de quilos que uma pessoa possui”. De acordo com o médico, esta distribuição é influenciada pela genética de cada um, mas certamente o sedentarismo é importante nesta distribuição. Outro dado relevante é que pessoas obesas ativas (não-sedentárias) são menos propensas à diabesidade do que magros sedentários.
Apesar de ainda não existirem evidências científicas que comprovem a influência de determinados tipos de alimentos na distribuição da gordura corporal, Dr. Bruno lembra que alimentos de alto valor calórico e baixo valor nutritivo tendem a ser consumidos em grande quantidade, facilitando também a instalação da obesidade.
Para o médico, é importante que se repense a polarização da necessidade de um "peso ideal" a ser atingido. Dr. Geloneze acha que este conceito faz com que algumas pessoas obesas desistam de tentar emagrecer porque estão muito longe do "ideal". Ele lembra que reduções de 5 a 10% do peso podem melhorar e até mesmo reverter a diabesidade. Além disso, para ele, a chave do problema está na informação sobre o tema. O especialista acredita que o encontro do conhecimento sobre a importância da obesidade, aliado à percepção do papel dos hábitos dietéticos e do sedentarismo, pode levar a uma postura ativa e preventiva da diabesidade.
O endocrinologista exemplificou o fato com dados retirados da própria pesquisa do IBGE, que já tinham sido apresentados pelo professor Carlos Monteiro, da USP. Eles revelam que existe um grupo de pessoas no qual a obesidade vem diminuindo: “mulheres do Sudeste brasileiro, com nível de instrução mais elevado, têm os índices de obesidade menores atualmente do que há dez anos atrás”.
Assim, a visão otimista seria a de que homens e mulheres informados e estimulados possam modificar seus hábitos de vida, reduzindo a tendência ao crescimento desenfreado da obesidade. Em especial no caso do povo brasileiro, que é aparentemente mais adaptável a mudanças do que a média mundial. “Em outras palavras, instrução, e não exatamente renda, é a grande alternativa”, esclarece o médico.