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  Edição nº 22  

 

 

Muito Samba no pé

 

 

 

 

É chegada a hora de curtir toda a alegria que acompanha a grande festa do Rei Momo. Para quem gosta de muito agito, pular e dançar, não há época melhor, mas é preciso muita disposição nos pés e nas pernas para acompanhá-las.

 

 

 

 

 

Tudo parece perfeito para os foliões, mas para as pessoas com diabetes, a última frase do parágrafo anterior pode suscitar muitas dúvidas. Afinal, quem tem o mínimo de convivência com a disfunção sabe como é importante cuidar bem dos pés. Isso porque qualquer ferida ou bolha na região torna-se motivo de alerta.

Contudo, isso não significa que a pessoa com diabetes esteja obrigada a ficar de pernas para o ar, deixando de participar da maior festa brasileira. Como se sabe, o exercício físico é um aliado indispensável para o tratamento da doença, que ajuda, inclusive, na boa circulação do sangue pelas veias e artérias.

Cuidados Iniciais

Segundo a Dra. Hermelinda Pedrosa, Coordenadora do Departamento de Complicações Crônicas e Pé Diabético da SBD, em primeiro lugar é importante descobrir a existência ou não da neuropatia (insensibilidade), para que não ocorram traumas repetitivos com o uso de calçados apertados ou novos.

Assim, a especialista faz um alerta às pessoas que já apresentaram algum tipo de complicação. “ Recomendo cuidados extremos, pois o risco de novas lesões é 58 vezes maior em quem já teve uma úlcera! O melhor mesmo seria apenas assistir, sem realizar atividades extenuantes, como pular ou correr atrás de trios ou blocos”, observa.

Nunca Ficar Descalço

Estando tudo bem, o folião pode pular e dançar o tempo que se sentir à vontade, pois não há dados definindo um espaço seguro para prevenir lesões. A partir daí, de acordo com a Dra. Hermelinda, a melhor opção é escolher um tênis bem confortável e nunca ficar descalço.

“Lembro também que é importante acomodar o tênis ao pé e não o inverso. Além disso, evite usá-los, nessas ocasiões, se forem novos. E, sob hipótese alguma, fique descalço. Independentemente da superfície, há riscos de garrafas quebradas, pedras, entre outros, que podem causar traumas, além de provocarem um risco maior de quedas”, analisa.

Ocorrência de Bolhas nos Pés ou Dores nas Pernas

Caso surjam bolhas nos pés, a Dra. Hermelinda recomenda não “estourá-las” e deixar que o tecido afetado se restabeleça sozinho. Caso ocorra um rompimento espontâneo, deve-se aplicar soro fisiológico 0.9% ou óleo vegetal. E jamais usar esparadrapos tipo band-aides e emplastros, pois geralmente contêm ácidos que ajudam a aumentar a lesão. Ou seja, o melhor é relaxar e aguardar a melhora da ferida.

Em relação às dores nas pernas, a especialista explica que as causas variam entre a muscular (proveniente de atividades excessivas) e a de origem vascular. “Geralmente, a dor neuropática não piora com as atividades físicas, pelo contrário, até melhora. Portanto, é bom ficar atento e observar ou pedir ajuda a um médico plantonista, e evitar automedicação com antiinflamatórios”, ensina.

A Dra. Hermelinda lembrou também dos riscos de ocorrer uma hipoglicemia diante da maratona que é o carnaval. “É bom levar balas ou sucos, além de beber muita água e evitar ingestão excessiva de álcool”, finaliza.

Seguindo essas dicas, agora é chamar os amigos e cair na folia.

Consultoria: Dra. Hermelinda Pedrosa, uma das coordenadoras do Departamento de Complicações Crônicas e Pé Diabético, da Sociedade Brasileira de Diabetes.

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