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  Edição nº 23  

 

 

Seus Horários de novo nos trilhos

Bárbara Bezerra

 

O diagnóstico do diabetes em cães e gatos vem se tornando cada vez mais comum e já não causa tanta estranheza. Com sintomas semelhantes aos dos seres humanos, os animais com diabetes costumam apresentar a doença já idosos, entre 8 e 12 anos.

No entanto, acredita-se que a expectativa de vida desses animais – desde que ele não seja diagnosticado em estágio muito avançado do diabetes - seja a mesma de um animal normal.

 

 

Não há estatísticas brasileiras para cães e gatos com diabetes. Normalmente, a referência está nos estudos americanos. “A incidência do diabetes em cães e gatos é menor do que a dos seres humanos. Segundo um estudo americano, é de 0,002%, mas tem aumentado nas últimas décadas. Isso é explicado pela maior expectativa de vida dos animais e também pelo aumento da incidência de obesidade”, explica o médico veterinário Ricardo Duarte, Prof. de Clínica Médica de Pequenos Animais do Creupi-SP e Doutorando em Clínica Veterinária pela USP. Entre as causas do diabetes em animais de estimação estão relacionadas: o fator hereditário, um organismo debilitado, pancreatite e fatores de resistência à insulina, entre eles a obesidade.

Diagnósticos em Cães e Gatos

As manifestações do diabetes são semelhantes em todas as espécies. A diferença no diagnóstico de cães e gatos está na forma como cada animal expressa os sintomas. Os sintomas mais comuns são: o aumento do volume da urina, ingestão de água e emagrecimento. No entanto, alguns animais podem ter o apetite aumentado, o que nem sempre é visto com maus olhos pelos proprietários. “Curiosamente, boa parte dos cães diabéticos são diagnosticados quando procuram o veterinário por causa do surgimento de catarata, que não é um sintoma inicial do diabetes. Gatos diabéticos geralmente não desenvolvem a catarata, mas a neuropatia diabética, que pode causar dor e dificuldade para andar”, explica o veterinário.

Previna o Diabetes em Seu Animal
  • Leve-o pelo menos uma vez ao veterinário;
  • Alimente-o com ração balanceada e de boa procedência;
  • Se der comida caseira, divida em partes iguais de carne, legumes e arroz (de preferência integral, por ter maior quantidade de fibras);
  • Não oferecer alimentos gordurosos ou ricos em carboidratos simples;
  • Não dê doces aos animais;
  • Dedique um período do dia para passear e brincar com o animal (isso é atividade física).

Fonte: Revista BD do Centro BD de Educação em Diabetes

Tipo do Diabetes e Teste de Glicemia

“A etiologia do diabetes não está bem estabelecida em pequenos animais. Por ocasião do diagnóstico, a maioria dos cães diabéticos têm pouca produção de insulina. Acredita-se que entre 90 e 95% dos gatos diabéticos têm uma doença semelhante ao diabetes tipo 2 dos seres humanos”, esclarece o veterinário Ricardo.

Para a medição da glicemia em animais, normalmente usa-se monitores portáteis para seres humanos. “Diferente dos seres humanos, na clínica utilizamos sangue venoso ao invés do sangue capilar. Por isso é importante saber se o aparelho que será usado é válido para uso em animais. Recentemente concluímos uma pesquisa para avaliar duas marcas comuns de glicosímetros para o uso em cães”, afirma Dr. Duarte.

Perfil de Cães com Diabetes

Entre os cães, as raças com mais predisposição ao diabetes são poodle e schnauzers. Vale ressaltar que o diabetes é mais comum em cadelas do que em machos e que, segundo o Dr. Duarte, em um dos últimos levantamentos a respeito a relação entre machos e fêmeas era de 5 para 1. Os cães são tratados à base de insulina e, uma vez diagnosticados, dependem dela para o resto de suas vidas, ou seja, são insulinodependentes. A insulina do cão é idêntica à dos suínos e difere apenas em um aminoácido da insulina humana.

Anna Maria Narcise, administradora de empresas e dona da poodle toy Minnie Scarlet, descobriu o diabetes em sua cadela aos 10 anos de idade, depois de uma cirurgia de catarata mal sucedida. “Ela passou a tomar corticóides depois da cirurgia e após quarenta dias de medicação, sem comer ou beber, em pele e osso, ela foi diagnosticada com diabetes medicamentosa “, afirma Narcise. Hoje, Minnie toma aplicações de insulina duas vezes ao dia, usa 60 injeções por mês, faz exercícios e tem alimentação balanceada, inclusive com ração especial. “Ela come cenoura no vapor, pouco sal, nenhum açúcar e frutas em pouca quantidade. O diabetes não tirou o apetite de Minnie, que faz uma festa quando eu chego em casa porque sabe que vai comer”, completa

Fotos: Ricardo Duarte
Vicky, Fêmea da raça Setter Irlandês, com 12 anos (3 anos com diabetes), caçando.
coleta de sangue capilar da região interna da orelha, usando uma lanceta especial.
Carolina, Pinscher, note o olho com catarata e o outro operado.

Os Felinos

A única raça, entre os gatos, predisposta a desenvolver o diabetes é o Sagrado da Birmânia e a maior incidência da doença está entre os machos castrados, talvez decorrente da obesidade. Os gatos, normalmente, têm diabetes tipo 2 e são tratados com hipoglicemiantes orais ou até mesmo com uma dieta – e, como ocorre entre os seres humanos, eles também podem necessitar de aplicações de insulina. A insulina do gato é mais parecida com a bovina e dá-se preferência a utilização da insulina mista em gatos (80% bovina). “As insulinas humanas funcionam bem, sem provocar a formação de anticorpos. Já usamos também insulinas pré-misturadas (NPH/R) em alguns pacientes e análogos da insulina (as ultra-rápidas) no hospital para controle rápido da glicemia”, explica o veterinário. Atualmente, os animais com diabetes contam até mesmo com rações especiais.

Comprometimento com o Animal

É preciso que haja um comprometimento do dono, porque disso depende o sucesso do tratamento e da melhora da qualidade de vida do animal. É de vital importância saber que ele não pode permanecer sozinho, já que o tratamento insulínico é para sempre.

Pioneirismo Canino

O primeiro ser vivo a receber a insulina e o seu organismo responder de forma positiva foi a cadela Marjorie. Em outubro de 1921, o cirurgião canadense Frederick Banting e o seu colaborador, o estudante de medicina Charles Best, realizaram várias experiências no laboratório de Mac Leod, em Toronto, com cães como cobaias, a fim de isolar uma substância capaz de eliminar os sintomas do diabetes. Na oportunidade, os cães tinham os seus pâncreas retirados para a produção do extrato de insulina. Banting e Best descobriram que, ao injetar o extrato em cães diabéticos, as taxas de açúcar no sangue chegavam aos níveis normais. Mais informações sobre a descoberta da insulina no site Banting and Best Diabetes Centre: www.bbdc.org

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