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Há pelo menos dois anos a insulina inalável tem o seu lançamento anunciado. Desde 2000, a imprensa publica que em cinco anos o produto já estaria disponível no mercado. Em meio a tantas expectativas, a quantas estão as pesquisas em torno da insulina inalável?
Nos EUA, as primeiras pesquisas em torno do tema são de 1997. A previsão oficial é que, até o lançamento da nova forma de administração da insulina, cerca de 7.500 pessoas sejam parte desse estudo em mais de 300 centros de pesquisa no Brasil e no exterior.
Em 1999, o Brasil registrou o seu primeiro paciente submetido aos testes com a insulina inalável. O estudo foi realizado no Centro de Estudos de Endocrinologia do Hospital de Heliópolis, em São Paulo, sob a coordenação do Dr. Freddy Goldberg, chefe do Depto. de Endocrinologia e do Centro, que em seis anos de atividades já recebeu 150 voluntários.
Atualmente, a insulina inalável não está disponível comercialmente em nenhum país do mundo. A previsão é que a solicitação para comercialização da insulina rápida seja feita à FDA (Food and Drugs Administration) ainda neste semestre, o que, segundo o Dr. Goldberg, viabilizaria a chegada do novo método para 2006.
Segundo o Dr. Freddy Goldberg, a Exubera (dos laboratórios Nektar Ther, Pfizer e Aventis Farma) é a insulina inalável mais adiantada em termos de pesquisas e a mais próxima de ser lançada. Ela é acondicionada em blisters (envelopes) de 1mg e 3 mg, pronta para inalação. Há uma proporcionalidade entre a insulina injetável e a em pó: sabe-se que um miligrama de insulina inalável é o eqüivale a três unidades na seringa.
Para ser utilizada, ela deve ser colocada em um inalador - semelhante aos usados para bronquite – e, em seguida, o paciente deve aplicar, aspirar, prender a respiração por cerca de cinco segundos e pronto: está livre das picadas. “A insulina inalável vem acondicionada em um blister com a substância em pó. Ele é introduzido em uma fenda do inalador que aciona um dispositivo que libera o pó para inalação”, ensina o Dr. Golberg.
Segundo o Dr. Freddy, a maior vantagem da insulina inalável é oferecer ao paciente uma alternativa menos agressiva para o paciente e, com isso, levar um número, cada vez maior de pessoas a um melhor controle do diabetes.
Em relação à eficácia, tanto a insulina injetável, quanto a inalável funcionam do mesmo modo. “Elas têm a mesma potência e duração de ação. A segunda tem uma ação rápida, então o que pode-se esperar é que ela substitua as injeções de insulina rápida, não as basais. Quanto a sua ação combinada, a insulina inalável pode se associar à basal ou aos comprimidos, sem problemas”, explica o endocrinologista Goldberg.
As duas desvantagens relacionadas pelo Dr. Freddy abordam a segurança pulmonar e a dificuldade no ajuste preciso da quantidade da insulina inalável. “O que os estudos mostraram com a utilização por seis anos foram pequenos declínios da função pulmonar, que não resultaram em complicações clínicas.” O endocrinologista disse que, como a insulina inalável vem acondicionada em blisters de 1 mg e 3 mg, é mais difícil selecionar a quantidade exata prescrita, como é feito com a seringa.
Para ser voluntário nas pesquisas coordenadas pelo Dr. Freddy Goldberg, primeiro o protocolo é aprovado pela comissão de ética. Em seguida, o paciente pode ser recrutado, caso satisfaça aos critérios de inclusão da pesquisa. Daí é assinado o consentimento informado.
“O paciente leva o inalador para casa, o glicosímetro, as fitas reagentes e as insulinas. Uma das regras do estudo é oferecer ao paciente todo o material para o tratamento”, ressalta o Dr. Goldberg.
“Fiquei sabendo da pesquisa sobre insulina inalada pela minha irmã, que também tem diabetes e que me inscreveu como voluntária. As primeiras vezes que eu a usei, logo percebi a diferença entre a inalada e a injetável. A inalada controla a minha glicemia com muito mais eficiência. E além disso, não sofro mais com tantas picadas. Hoje, mesmo com a inalada, ainda sigo com a Lantus à noite. Só espero que esse recurso chegue ao mercado a um preço acessível.”
Rosemary Aparecida Silva Fizio, 46 anos, portadora de diabetes tipo 2 e usuária da insulina inalada desde janeiro de 2005.