Home Page SBD
Blog da SBD
moldura canto
mais saude mais saude   mais saude mais saude
  Edição nº 24  

Alimentação na praia

As trinta e oito semanas de gravidez de uma gestante com diabetes sem dúvida inspiram mais cuidados do que de uma gestante sem a disfunção. Nesse caso, uma das atenções principais é se o bebê vai ter diabetes ou alguma doença devido ao descontrole glicêmico materno.
Se a gravidez vai chegar até o final? Com certeza isso acontecerá, mas vai depender da força de vontade da futura mamãe.

A Palavra-Chave é Controle

O ponto de partida para uma gravidez tranqüila, tanto para a mulher com diabetes pré-gestacional, quanto para a portadora de diabetes gestacional, é o controle da doença. “Todas as gestações diabéticas são consideradas de alto risco. Isto é, merecem cuidados especiais para que não haja complicações. Bem cuidados, mãe e filho evoluem bem”, explica a endocrinologista Ingeborg Christa Laun.

Em ambos os casos, a mãe tem um papel fundamental na hora de se proteger e ao seu bebê. Para isto, não basta estar em dia com os exames solicitados pelo ginecologista ou endocrinologista nas oito primeiras semanas de gestação. Ao longo da gravidez a gestante deve-se render às dietas de uma nutricionista, às ultra-sonografias e aos testes com o glicosímetro quatro vezes ao dia. É importante o comprometimento com o controle de peso, da pressão arterial, de possíveis infecções urinárias e a vigilância ostensiva em relação à pré-eclâmpsia.

“É desejável que as gestantes previamente diabéticas tenham uma gestação planejada. Elas devem ser investigadas quanto à presença de retinopatia, nefropatia, e/ ou neuropatia diabética, assim como de doença macrovascular. Algumas destas complicações são, inclusive, contra-indicações relativas para a gestação”, esclarece a Dra. Ingeborg.

As Preocupações da Mãe

Uma das dúvidas mais freqüentes em relação ao bem-estar do feto nessa gestação diz respeito a sua futura condição de criança com diabetes. As chances da mãe com diabetes gerar um bebê com a doença oscila entre 1 e 2%.

“É muito raro que o bebê nasça com diabetes (hiperglicemia). A hipoglicemia neonatal é uma das complicações freqüentes e é rotineiramente vigiada no berçário. O risco de obesidade e diabetes tipo 2 na adolescência e na vida adulta é grande, mas poderá ser minimizado pelo controle glicêmico materno estrito durante a gravidez” afirma a Dra. Ingeborg.

Ainda sobre a herança genética do diabetes, a Dra. Ingeborg é enfática ao afirmar que, caso a criança tenha essa predisposição, poderá desenvolvê-la em qualquer faixa etária. “Estudos sobre a incidência de diabetes tipo 1 em filhos com um dos pais diabéticos concluíram que: em torno dos 20 anos de idade, 6,1% dos filhos de pais diabéticos tinham diabetes, contra 1,3% dos filhos de mães com diabetes. Assim, o diabetes tipo 1 seria transmitido menos freqüentemente pelas mães”, completa a especialista.

Antidiabéticos Orais Cedem Vez à Insulina

Segundo a Dra. Ingeborg, a insulinoterapia é a única forma de tratar a hiperglicemia na portadora do diabetes durante a gravidez. E alerta: “Freqüentemente, não se consegue um controle metabólico satisfatório com o uso de drogas orais.”

Sobre a insulina, a Dra. Ingeborg ressalta que, à medida que a gestação avança, a necessidade de insulina aumenta e essa prática quer dizer que está tudo bem com a placenta e que não há motivos para sustos. Vale um lembrete: a insulina não atravessa a placenta. O que passa livremente pela placenta é a glicose.

Para Uma Gestação Duplamente Segura

O importante no acompanhamento médico de uma gestante com diabetes é ser assistida por uma equipe multiprofissional: endocrinologista, obstetra, nutricionista, enfermeira e, em alguns casos, o psicólogo.

Quanto ao parto, a escolha entre o normal e cesariana deve partir do obstetra. No entanto, para as gestantes com diabetes tipo 1 a indicação é a cesárea. Segundo a Dra. Ingeborg, não há uma indicação a respeito do tempo ideal de gestação. A não ser que haja sofrimento do bebê, respeita-se as trinta e oito semanas. “A gestante pode e deve ter uma participação ativa em todo o processo. Como no próprio diabetes, as coisas mais importantes são a aceitação, a mudança de comportamento e a adesão ao tratamento”, ensina a Dra. Ingeborg Laun.

Estatísticas Brasileiras

No censo brasileiro de diabetes gestacional de 1989, no qual a incidência demonstrada é de 7,6% , considera-se o diabetes e a intolerância à glicose gestacionais. No Rio de Janeiro a incidência é bem maior que a média nacional: 12%. A especialista afirma que há trabalhos que mostram incidência de uma gestação de portadora de diabetes tipo 1 para cada 1.000 gestantes.

Segundo a Dra. Ingeborg, considerando o grande número de mulheres com diabetes tipo 2 em idade fértil, podemos afirmar que se trata de um problema de saúde crescente, que demanda atenção dos especialistas (obstetras e clínicos) e das autoridades de Saúde Pública.

Bate-Papo Descontraído

A equipe da Mais Saúde online conversou com mulheres com diabetes, no período de gravidez e pós-gestação, abordando temas como: maiores preocupações, dificuldades para engravidar, dia-a-dia de uma grávida com diabetes, sobre gestações anteriores e experiência de vida. Acompanhe os depoimentos:

“Minha preocupação é a mesma das duas gestações anteriores: os bebês vêm com hipoglicemia ou com diabetes. O meu primeiro tinha hipoglicemia e faleceu com três dias. Todas as minhas gestações não foram programadas, foram complicadas e de risco. Hoje a maior dificuldade é a de cumprir a dieta. A minha mensagem para as mulheres que têm diabetes e que querem engravidar é que primeiro, antes de querer, é preciso fazer o controle. Depois, o acompanhamento médico, porque as complicações são perigosas para o bebê. É bom poder estar grávida.”
Vilma Maria de Souza, 35 anos, 14ª semana de gravidez, portadora de Diabetes Tipo 1 desde os 19 anos.

“Procurei pelo Hospital do Servidor Público, no Rio de Janeiro, em novembro passado. Essa é a minha quarta gestação. Nenhum dos meus filhos tem diabetes. O primeiro bebê, perdi com dois meses. O segundo, eu tive normal. No terceiro, cheguei a ser internada por causa da minha diabetes descompensada, (que chegava a 450) e eu o perdi. Descobri que tinha diabetes gestacional na 33a semana da minha segunda gestação e hoje tenho diabetes tipo 2. Manter o peso para mim é a maior dificuldade.É difícil controlar a alimentação. As vezes, descontrolo a dieta ou esqueço a insulina mas, assim que me lembro, tomo. Eu fui muito bem atendida no Hospital dos Servidores. Vou ter o meu bebê assistida pelo obstetra e acompanhado de perto pelo endócrino.”
Heloísa Malhado, 39 anos, 33ª semana de gravidez, portadora de Diabetes Tipo 2 e diagnosticada de Diabetes gestacional na 2ª gravidez (esta na quarta).

“Tenho dois filhos e tive quatro gestações. Perdi uma no oitavo mês e outra no segundo trimestre. Tenho a consciência de que, na época, não havia profissionais especializados que pudessem me passar procedimentos claros de como eu deveria levar a minha gravidez com diabetes. A minha primeira filha nasceu há 18 anos, prematura. Quinze anos mais tarde, aos 45 anos, engravidei, sem planejamento, é claro. Enfrentei uma gravidez de risco, pelo diabetes e pela minha idade. Fácil não foi, mas foi possível. Eu precisava de cuidados especiais, me dispor ao tratamento, me restringir na alimentação, controlar a minha glicemia e o fiz. O tratamento para uma gestante com diabetes não é barato. Não há planos de incentivos por parte do Governo e a medicação é cara. Muitas pessoas não tem recursos para pagar pelos exames, que não estão disponíveis em muitos hospitais do Estado. É o retrato do descaso.”
Teresa Cristina Assaife, 49 anos, portadora de Diabetes Tipo 1 desde os 9 anos, dois filhos e quatro gestações.

TOPO

Topo Volta Creative Commons License 2008 - Sociedade Brasileira de Diabetes.
Add to Technorati Favorites