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Com um bom planejamento alimentar e uma leitura atenta nos rótulos dos produtos, é possível fazer compras com maior eficiência e ajudar o controle do diabetes com um cardápio equilibrado. Veja como é fácil se organizar para consumir somente itens que se encaixem no seu estilo de vida.
Elaborar uma lista de alimentos antes de ir ao supermercado é um procedimento mais simples do que se pode imaginar. É o que assegura a nutricionista Marlene Merino Alvarez, membro do Departamento de Nutrição e Metabologia da Sociedade Brasileira de Diabetes.
A especialista afirma que é possível desenvolver um planejamento alimentar em que a pessoa com diabetes pode comer de tudo, sem prejudicar o controle da disfunção. Contudo, ela lembra que as recomendações para uma determinada pessoa podem não se adequar ao perfil de outra. Assim, o planejamento deve ser individualizado, com orientação profissional, contendo as quantidades específicas para atender às recomendações nutricionais para cada caso.
Segundo a nutricionista, sem uma listagem previamente preparada é mais fácil ficar vulnerável às “tentações”, que geralmente envolvem alimentos prejudiciais à alimentação equilibrada que o diabetes exige. Assim, a lista ideal se baseia apenas na preparação de um cardápio que permita uma dieta saudável.
Um passo importante é determinar o período de tempo a que a lista se destina (abastecer por uma semana? Um mês?) e compará-la com a vida útil do alimento. As hortaliças, por exemplo, duram poucos dias. Observando esses cuidados, é possível evitar desperdícios e, até mesmo, economizar.
De acordo com Marlene Merino, o planejamento deve obedecer a uma escala nutricional. “Primeiramente, é importante garantir os gêneros da cesta básica (arroz, feijão, etc.); depois a fonte protéica (leite, ovos, frango, peixe ou boi) e a fonte de vitaminas e minerais das hortaliças e frutas. Por último, e em quantidade menor, ficam os alimentos industrializados, junto com os diets e lights”, ensina.
Tendo essas noções básicas em mente, a próxima etapa é verificar a conservação dos alimentos. “A embalagem não pode estar danificada ou amassada. Isto facilita a entrada de microorganismos que estragam o alimento e, no caso das latas amassadas, contaminam o produto com química do revestimento interno da embalagem”, observa.
A mesma atenção deve ser dada ao acondicionamento dos alimentos. “No caso dos congelados, eles não devem possuir uma crosta de gelo na embalagem, pois isso demonstra que a temperatura variou, não estando, desta forma, de acordo com as normas de conservação dos produtos congelados. Uma opção é escolher os produtos que estão no fundo da geladeira”, aconselha.
A regra seguinte é olhar atentamente o rótulo de cada produto antes de colocá-lo no carrinho de compras. Escolha apenas os mais indicados para manter sua glicemia sob controle. Segundo a nutricionista Marlene Merino, é preciso observar as especificações nutricionais, a data de validade, a lista e a quantidade dos componentes da fórmula (principalmente no adoçante). “Às vezes, o produto contém uma quantidade excessiva de adoçante, que pode consumir sua recomendação máxima diária para aquela determinada substância”, alerta.
Em relação aos carboidratos, a nutricionista recomenda adaptá-los à porção que será consumida. “Por exemplo: alguns produtos apresentam a quantidade dos nutrientes para 100g do alimento e, por isso, é necessário fazer uma regra de três simples, para saber a quantidade real que será consumida (peso líquido). Só após esta continha é que se poderá substituir o produto por quantidade de carboidrato semelhante à do plano alimentar”.
Caso você esteja acima do peso e tenha dislipidemia, a especialista ressalta que a quantidade de calorias, colesterol, gorduras saturadas e trans devem ser avaliadas com cuidado. Além disso, existem também alguns termos técnicos que podem confundir. Os mais comumente encontrados são glucose, que é igual à glicose, e açúcar invertido, que é igual à frutose.
As fibras têm uma função muito importante no organismo, que é a de expulsar as toxinas. As fibras ditas insolúveis “varrem” o intestino, fazendo com que ele funcione de maneira regular. Elas também aumentam a sensação de saciedade. Exemplo: hortaliças (folhas). As fibras solúveis se ligam aos açúcares no intestino e os expulsam para fora do organismo. Desta forma, diminuem o açúcar no sangue. Exemplo: aveia, maçã e os feijões.
Para quem ainda tem dúvidas quanto à diferença entre alimentos lights e diets, e qual o melhor para o consumo, a nutricionista Marlene Merino explica que, de modo geral, os dois produtos podem ser utilizados, mas com algumas limitações. “Por exemplo, alguns produtos lights podem conter sacarose e não serem indicados para o indivíduo com diabetes. Já os alimentos diets podem possuir um teor grande de gorduras e calorias (ex: chocolate) para compensar a retirada da sacarose, prejudicando o controle metabólico da pessoa com diabetes. A leitura do rótulo é fundamental e a escolha mais indicada para o consumo deve ser individualizada”, ensina.
O produto light é aquele que tem um valor calórico reduzido, quando comparado ao alimento convencional, e se destina, em geral, a indivíduos com excesso de peso. O alimento diet é aquele que sofreu substituição, adição ou retirada de um ou mais componentes com o objetivo de atender necessidades específicas de um determinado grupo de pessoas (ex: diabetes - retirada do açúcar; hipertensão- retirada do sal).
Seguindo todas essas regras e consultando um nutricionista regularmente, é possível ter uma alimentação equilibrada, ideal para o controle do diabetes. Basta não cair nas tentações que os supermercados exibem em suas prateleiras. Como bem definiu Marlene Merino, “os alimentos são arrumados com o único objetivo de nos seduzir”.
Para evitar tamanha tentação, uma dica simples é se alimentar antes de ir ao supermercado. “Esta dica realmente funciona, uma vez que, se formos às compras com fome, todos os alimentos serão comprados em maior quantidade e muitos supérfluos entrarão na lista como essenciais”, finaliza.