![]() |
![]() |
||||
|
|
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
|||
|
||||||

O adorno e o culto ao corpo fizeram com que as tatuagens e piercings fossem integrados ao dia-a-dia do jovem. E se ele tiver diabetes, pode fazer parte desse grupo?
Segundo o endocrinologista Durval Damiani - chefe da Unidade de Endocrinologia Pediátrica do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da FM/USP - a pessoa com diabetes, uma vez bem controlada, não apresenta problemas de cicatrização e nem está predisposta a infecções. “A contaminação resultante de um procedimento realizado por pessoas não habilitadas pode incluir desde uma discreta infecção no local, até hepatite viral e AIDS”, explica.
Tanto a tatuagem quanto o piercing são considerados processos invasivos, que podem acarretar riscos de infecções. “Esses riscos são para qualquer um, não somente para pessoas com diabetes”, afirma o Dr. Durval Damiani.
É importante ressaltar que o quadro infeccioso no paciente com diabetes resulta na descompensação, o que faz com que o controle da glicemia seja mais difícil. E é nessa hora que a participação efetiva dos pais “doma” a impulsividade do adolescente, que por esta característica pode comprometer todo um tratamento.
Piercings e tatuagens estão em todo o lugar. As garotas rendem-se ao piercing no umbigo ou na orelha, às tatuagens de estrelinhas atrás da orelha ou ao famoso golfinho na região lombar. Os garotos, ao piercing na sobrancelha, língua e nariz; e às tradicionais tatuagens tribais - de dragão e símbolos japoneses - nas costas, ante-braços e peitoral.
No ambiente de consultório, o Dr. Damiani esbarra no comportamento dos pais quando o assunto vem à tona. “Muitos são taxativos e não admitem conversas sobre o assunto”, comenta. Nesse contexto, o endocrinologista aconselha: “Sejam amigos de seus filhos e respeitem os seus desejos, desde que estes não os prejudiquem. Mas, sejam firmes quando disserem não. Muitas vezes um “não” é um ato de amor pelos filhos adolescentes, mesmo que não entendido naquele momento.”
O Dr. Damiani é enfático ao afirmar que a relação entre pais e filhos é complexa e que, no ambiente de consultório, ele não tenta convencê-los a mudar de idéia. No entanto, ressalta que parte dos que fazem tatuagem optam mais tarde por removê-las. “Lembremos de um caso famoso (e triste) de um jovem ator que havia tatuado o nome de sua namorada no pênis. Depois de algum tempo, separou-se da moça e o nome ficou. Não é estranho?”, indaga o endocrinologista.
Para fazer uma tatuagem ou colocar um piercing e, principalmente, para os pais manterem-se contra ou a favor, a informação é a melhor arma. Antes de optar, pais e filhos têm que saber o que são os procedimentos, como se faz e o que acarretam. Para a tatuagem, por exemplo, deve-se saber que é uma decisão permanente, um procedimento doloroso - durante e após o processo -, feito com uma agulha, que vai furando e pintando a pele, simultaneamente. Entre os locais mais sensíveis estão o tornozelo e o pescoço.
Também vale ressaltar que a mais simples das tatuagens leva cerca de 40 minutos para ficar pronta. E se você acha que a tatuagem ficará colorida e linda para sempre, saiba que com o tempo ela deve ser retocada e todo o processo repetido.
Na hora de colocar um piercing, o procedimento é basicamente o mesmo para todas as partes do corpo: o local é limpo, marcado com caneta, preso com uma pinça cirúrgica e a perfuração é feita com uma agulha especial. O material do brinco é o aço cirúrgico. A dor e o tempo de cicatrização variam de acordo com o local escolhido: língua, dói muito, leva 6 meses de cicatrização; umbigo, dói pouco, 3 meses de cicatrização, e daí por diante.
Uma dica do tatuador e piercer Gibi, de São Paulo, para quem tem diabetes: caso esteja realmente decidido, opte primeiro por uma tatuagem pequena, para observar o corpo e suas reações. “As pessoas cuidam na primeira semana, depois se esquecem. Já atendi casos graves de infecção no meu estúdio, tanto de tatuagem, quanto de piercing. No entanto, nenhum desses casos era em pessoas com diabetes. Não há uma regra. Todos devem se cuidar”.
“Fiz minha primeira e única tatuagem aos 17 anos e, por causa dela, fui diagnosticado com diabetes. Na época minha mãe havia concordado e foi comigo ao estúdio. Só que, depois de dois meses sem cicatrizar, procurei um hematologista, que pediu alguns exames e identificou a minha doença. Também tenho quatro piercings (na boca e nas orelhas), mas esses foram tranqüilos, não tive problemas.”
Gilmar Jr., portador de diabetes tipo 1 e hipertensão, Rio de Janeiro.