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Após o diagnóstico do diabetes, a primeira consulta ao especialista costuma trazer uma certa ansiedade aos pacientes. Dúvidas a respeito das mudanças no dia-a-dia, do que é permitido e de como será o tratamento são freqüentes. Para auxiliá-los nesse momento tão importante, o Dr. José Egídio de Oliveira, representante da SBD Regional Rio de Janeiro, dá algumas dicas sobre o que perguntar ao seu médico.
Por Sandra Malafaia
“Hoje em dia já sabemos que existe tratamento para qualquer modalidade de diabetes, desde os tipos 1 (que aparece mais na infância e juventude) e o 2 (que antigamente acometia mais o adulto e agora vem surgindo mais cedo), até outros”, afirma o Dr. José Egídio.
Ele acrescenta que o paciente bem informado tende a valorizar e a se dedicar mais ao tratamento. No entanto, é muito difícil que a pessoa absorva tudo na primeira consulta.
“Na fase inicial do diabetes, há todo um envolvimento emocional, por ser um fato novo, por estar num serviço médico. Isso implica em alguma dificuldade para se captar tudo o que a equipe de saúde está passando”, explica.
Muitas vezes, é preciso marcar a segunda consulta num espaço de tempo mais curto para deixar que a pessoa com diabetes e sua família absorvam aquelas primeiras informações.
“Quando eu sinto que a conversa está fluindo bem, passo mais detalhes. Do contrário, isso será realizado de forma mais lenta, mas tem quer ser feito, pois o paciente precisa saber tudo sobre o diabetes”, frisa o Dr. Egídio.
Segundo o especialista, geralmente quando o médico começa a falar sobre a nova rotina da pessoa com diabetes (realizar testes, aplicar insulina, fazer exercícios físicos e melhorar o plano alimentar), ela pode ficar preocupada, achando que precisará se dedicar muito durante todo o dia.
Quanto a isso, ele ressalta que tudo será esclarecido pelo médico ou pela equipe de saúde, mostrando que a automonitorização vai demandar um tempo muito pequeno e não irá interferir com as atividades da pessoa.
“Um teste de glicemia pode ser feito em 1 ou 2 minutos, numa ida ao banheiro. E a aplicação de insulina, em geral, segue alguns horários. O paciente só precisa estar preparado para isso. Além do mais, atualmente existem meios muito rápidos, como a caneta de aplicação”, comenta.
É comum, no consultório particular, o especialista não ter o enfermeiro ao lado. Então é ele mesmo quem ensina à pessoa com diabetes a aplicar a insulina.
“Quando eu faço a primeira insulina no paciente, aproveito para conversar e passar informações escritas, através de folhetos informativos, sobre como armazenar e que procedimentos tomar em situações especiais. Isso dá uma certa segurança a ele”, diz o Dr. Egídio.
O especialista acredita ser muito importante que a pessoa com diabetes tenha acesso, em sua própria casa, a informações sobre a disfunção. Ele cita o site da SBD como uma maneira de conseguir isso com qualidade e segurança.
Quanto à nova rotina, o Dr. Egídio lembra que não é muito diferente da realizada por quem opta por manter a saúde e melhorar a qualidade de vida.
“Se a pessoa com diabetes se tratar corretamente, vai evitar as chamadas complicações. Esse fato poderia ser um desdobramento da pergunta: – O que acontece se eu não conseguir um bom tratamento? A resposta será – você terá uma chance maior de apresentar as complicações do diabetes”, declara o doutor.
O representante de SBD Regional Rio de Janeiro divide as complicações do diabetes em dois grupos. O primeiro deles se refere à elevação brusca da glicose no sangue, hiperglicemia.
Esse fato pode levar o paciente a urinar excessivamente, sentir muita sede, emagrecer, desidratar e até perder a consciência, chegando ao coma diabético, mais freqüente em pessoas com diabetes tipo 1.
O segundo grupo de complicações são as decorrentes da glicemia aumentada e mantida durante muito tempo – meses, anos –, podendo levar a alterações vasculares no coração, nos olhos (retinopatia), nos rins (nefropatia) e nos nervos (neuropatia). Essas situações acontecem, principalmente, nos pacientes com o tipo 2 do diabetes.
“Uma pessoa adulta que trabalha deve perguntar ao médico se o diabetes vai implicar em alguma mudança na sua situação profissional. Muitas vezes pode ser uma pessoa responsável por uma família. É importante realçar que, se o paciente se tratar de forma correta, mantendo o bom controle, ele vai continuar na sua atividade profissional sem problemas”, enfatiza o especialista.
De acordo com o Dr. Egídio, o tratamento também não será nenhum empecilho para um estudante, um trabalhador, um profissional liberal. “Temos exemplos até de atletas com diabetes que ganharam a medalha olímpica”, lembra.
Na opinião do Dr. Egídio, se o diabetes estiver bem controlado o paciente terá que realizar consulta médica num espaço entre três a quatro meses – tempo em que deverá fazer alguns exames importantes, principalmente a dosagem da hemoglobina glicada, que deve ser mantida sempre menor do que 7.
Além da hemoglobina glicada, existem mais quatro exames básicos que precisam ser solicitados: fundo de olho (que analisa a retina), microalbuminúria (verifica a presença de pequenas quantidades de proteína na urina, podendo causar nefropatia), pressão arterial e verificação dos pés.
Para orientar sobre alimentação, é mais comum que o médico encaminhe o paciente para uma nutricionista. Mas como o Dr. Egídio, além de ser endocrinologista, é nutrólogo, a alimentação também é cuidada por ele.
“Procuro mostrar a quem tem diabetes que o importante é desfrutar de uma alimentação saudável, adequada a qualquer pessoa. Isso fará bem para a saúde do indivíduo e para o controle do açúcar no sangue”, explica.
Aliás, o especialista lembra que, hoje em dia, até mesmo a restrição ao açúcar é relativa, devido à existência de insulina de ação ultra-rápida, capaz de controlar a glicemia, mesmo com o paciente comendo doce comum.
Mas adverte: “Isso só será liberado para quem tenha compreensão, que consiga fazer a automonitorização, o cálculo de contagem de carboidratos (calcular a quantidade de carboidratos naquele doce e aplicar, previamente, uma dose suficiente de insulina de ação ultra-rápida para evitar a hiperglicemia)”.
Além disso, a pessoa também deve ser informada de que essa atitude, com freqüência, poderá causar-lhe excesso de peso. E Isso não é bom para ninguém, tendo diabetes ou não.