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Trabalho em Conjunto

Dia 31 de Agosto é Dia do Nutricionista. Pensando nisso alguns profissionais de outras especialidades, que trabalham em parceria com os nutricionistas, enviaram depoimentos sobre a importância do atendimento em equipe.

Segundo a coordenadora do Departamento de Nutrição e Metabologia da SBD, Dra. Gisele Rossi Goveia, a nutrição, ao longo dos anos, tem sido considerada um dos pontos mais desafiadores para o controle do diabetes. “Cada vez mais reforça-se a importância de profissionais especializados e integrados à equipe multidisciplinar para tratar, uma doença considerada multifatorial”, completou ela. Leia, abaixo, alguns depoimentos enviados.

Depoimento da Enfermeira Paula Pascali

“A trajetória educativa em que mergulhamos com os pacientes com diabetes desde seu diagnóstico é composta por diversas ações interligadas, isto é, medicamento adequado, pratica de atividade física, e alimentação saudável. Estamos falando de uma patologia crônica onde o seu tratamento envolve mudanças no estilo de vida, adaptações a nova rotina, aprendizado técnico.

A atuação direta do nutricionista é fundamental para o paciente e para o enfermeiro também pois começam a compreender os efeitos dos alimentos na glicemia, com o planejamento de uma alimentação saudável levando em consideração sua terapia medicamentosa, estilo de vida, biótipo, atividade física. Aprendemos junto com o paciente a derrubar tabus, uniformizando as informações. A discussão e avaliação de um diário de glicemia em conjunto com o nutricionista agregar um valor inestimável rumo ao bom controle.

Após 05 anos de larga convivência clinica com as nutricionistas Luciana Bruno e Gisele Goveia, posso afirmar que nossas ações se entrelaçam, assim como as ações do tratamento do diabetes. Saímos do estágio que as discussões referente a aplicação de insulina são restritas ao enfermeiro e as refeições ao nutricionista.

Sinto-me uma privilegiada, pois acredito não ser uma situação fácil de ser conquistada, mas possível. Espero que este depoimento incentive o leitor a dar o primeiro passo para o trabalho multidisciplinar. O trabalho multidisciplinar auxilia na melhora da performance de cada profissional tendo como resultado uma evolução clinica mais rápida e o paciente mais satisfeito”.

Paula Maria de Pascali Enfermeira da Preventa – Consultoria em Saúde Coordenadora do Departamento de Enfermagem da SBD 2006/2007

Depoimento do Endocrinopediatra Luis Eduardo Calliari

“Em relação ao trabalho conjunto com a nutricionista, diria que esta é uma parceria necessária para um atendimento em alto nível do paciente com DM. Assim como com o profissional médico, é importante que a nutricionista seja especializada em diabetes, visto que a nutrição destes pacientes é muito específica e sofre com os conceitos falsos que muitas vezes encontramos nas famílias. O auxílio no tratamento pode ocorrer em vários momentos - ao diagnóstico, quando da necessidade de se melhorar o controle, em situações específicas (férias, festas, etc), no detalhamento e aconselhamento das opções para o dia-a-dia, na necessidade de perda de peso, etc.

Os eventuais problemas desta parceria geralmente estão relacionados ao desconhecimento dos conceitos atuais de nutrição em diabetes, à diferenças nas condutas do médico e da nutricionista, à interferência de uma das partes no trabalho da outra. Todos estes problemas são evitados facilmente com um conhecimento maior entre os profissionais e com discussões entre eles de cada caso individualmente.

Resumindo, cada vez mais devemos incentivar esta parceria, visando a excelência do atendimento, com benefício para o tratamento de nossos pacientes”.

Dr. Luis Eduardo Calliari Prof.Assistente da Unidade de Endocrinologia Pediátrica da Santa Casa de SP; Presidente do Departamento de Endocrinologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo Membro do Conselho Consultivo da ADJ-SP

Depoimento da endocrinologista Ana Claudia de Ramalho

“O trabalho multiprofissional em endocrinologia otimiza vários aspectos do acompanhamento ao indivíduo com diabetes: otimiza a satisfação do indivíduo em acompanhamento, pois sente que várias pessoas se ocupam dele e assim a expectativa não é concentrada apenas no endocrinologista; otimiza a satisfação de quem acompanha, pois trabalhar em grupo traz mais tranqüilidade em relação a cada caso, reduzindo o nível de ansiedade em relação as dificuldades; otimiza tempo no atendimento, pois as tarefas são bem distribuídas, e assim otimiza nossos resultados que se foca no melhor controle do indivíduo com diabetes.

Dentro desta visão tenho procurado nos diversos focos da minha prática trabalhar e valorizar o papel da nutricionista, enfermeira, professor de educação física, psicólogo nas atividades práticas no indivíduo com diabetes. Algumas vezes percebo a dificuldade do endocrinologista, na prática clínica privada diária, em trabalhar em equipe.

Dentro da SBD, tenho excelentes experiências no trabalho com o grupo de enfermagem e nutrição. No trabalho de palestras à população, como podemos falar de exercício e diabetes sem orientação de carboidratos (CHO)? Como podemos dar apoio aos atletas com diabetes em corridas de rua sem conversar com esses atletas sobre o uso de carboidratos antes, durante e depois do exercício? Como orientar esses indivíduos quanto ao melhor tipo de carboidrato? Nós endocrinologistas não aprendemos sobre nutrição em nossa especialização, durante a residência médica.

Considerando a orientação para o exercício ou mesmo fora dele, propor ao paciente contagem de carboidrato não se resume a entregar a ele uma caderneta com os valores de carboidrato. É necessário o papel da nutricionista de ensino, adequação e dinâmicas práticas com o paciente. Hoje, por exemplo, recebi um e-mail da nutricionista da minha equipe, Sabrina Soares, referindo que nosso paciente estava fazendo a contagem errada das porções de feijão, desta forma ele finalmente usava uma proporção carboidrato-insulina diferente do que eu tinha proposto para ele (a proposta foi 20 grs de CHO=1U e ele estava usando 30grs de CHO=1U). Desta forma o trabalho em conjunto evitou que eu aumentasse desnecessariamente a dose de insulina dele. Hoje trabalho com uma equipe multiprofissional (EMTD) em que acompanhamos os pacientes que iniciam terapia de bomba de insulina. A presença da equipe tem evidenciado uma redução do tempo necessário para o ajuste dos basais e das relações insulina-carboidrato das refeições no paciente que inicia terapia de bomba.

O departamento de exercício contou com a participação do departamento de nutrição em atividades com a população neste semestre. Isso enriqueceu bastante nossas informações ao público. Parabenizo as nutricionistas pelo seu dia, reforçando a minha satisfação do nosso trabalho em conjunto”.

Dra Ana Claudia Ramalho Endocrinologista da Equipe Multiprofissional de Tecnologia em Diabetes - EMTD Coordenadora do Departamento de Atividade Física da SBD 2006/2007

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