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Sociedade Brasileira de Diabetes - SBD

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Indice glicêmico

O que é Índice Glicêmico?

O índice glicêmico (IG) é um método, proposto pelo Dr. David Jenkins, pesquisador da Universidade de Toronto – Canadá, em 1981. Ele representa a qualidade de uma quantidade fixa de carboidrato disponível de um determinado alimento, em relação a um alimento-controle, que normalmente é o pão branco ou a glicose, a partir daí, são classificados baseados em seu potencial em aumentar a glicose sangüínea. Através da analise da curva glicêmica produzida por 50g de carboidrato (disponível) de um alimento teste em relação a curva de 50g de carboidrato do alimento padrão (glicose ou pão branco). Atualmente utiliza-se o pão branco por ter resposta fisiológica melhor que a da glicose.

Equação:

CG = IG x Teor CHO disponível na porção do alimentos/ 100

Qual a Importância de Consumir Alimentos com Baixo IG?

As evidências científicas reforçam que o carboidrato é o maior preditor do aumento da glicemia pós refeição, devendo-se considerar qualidade e quantidade deste macronutriente.
O índice glicêmico é uma medida de qualidade do alimento e a carga glicêmica, apesar de ser uma medida que leva em consideração a qualidade e quantidade, controvérsias sobre a validade destes métodos ainda persistem.
Existem diversos fatores que interferem na resposta glicêmica dos alimentos, como a procedência do alimento, tipo de cultivo, forma de processamento e cocção, consistência e teor de fibras. Ao recorrer a tabelas, corre-se o risco primeiramente de identificar alimentos que no caso, não são típicos do Brasil, uma vez que dispomos de tabelas internacionais. Além disso, muitos alimentos com baixo IG, trazem na sua composição altas concentrações de gorduras.
Diante desta situação, vale ressaltar a importância da orientação nutricional realizada pelo nutricionista especialista no atendimento as pessoas com diabetes, no sentido de esclarecer quanto a viabilidade e vantagens na escolha de alimentos com baixo IG e CG.

Como Identificar IG dos Alimentos?

Tal índice foi proposto para auxiliar a seleção de alimentos, assim quando alimento controle utilizado é o pão , os alimentos analisados que apresentam IG 95, são considerados de alto IG. Caso o alimento padrão seja a glicose, considera-se alto, IG > 70, médio IG 56 – 69 e baixo IG < 55.
A recomendação para o uso do IG, baseia-se, principalmente, na substituição de alimentos de alto por baixo IG ao longo do dia.

Onde Encontrar Informações sobre o IG dos Alimentos?

A primeira tabela divulgando valores de IG dos alimentos foi publicada em 1981 e continha 62 alimentos, desde então o número de alimentos de todo o mundo, vem sendo amplamente analisados por pesquisadores do Canadá, Austrália, Nova Zelândia. No Brasil, o IG de alguns alimentos como o abacaxi, morango, banana, feijão, arroz e alguns alimentos industrializados, vem sendo analisados pela Professora Dra. Elizabete Wenzel de Menezes, coordenadora da equipe na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP).

Carga Glicêmica (CG)

O Que É?

O conceito sobre carga glicêmica (CG) foi proposto, em 1997, pelo Dr. Salmeron , pesquisador da Harvard Scholl. A carga glicêmica (CG) é um produto do índice glicêmico (IG) e da quantidade de carboidrato presente na porção de alimento consumido, comparado com o alimento padrão.
Este marcador mede o impacto glicêmico da dieta , sendo calculado através da multiplicação do IG do alimento pela quantidade de carboidrato, contida na porção consumida do alimento.

Equação: CG = IG x teor CHO disponível na porção/100 

Como Identificar a CG dos Alimentos?

Considerando a glicose como controle, os alimentos podem ser classificados em baixa carga glicêmica (CG 20).

Qual a Importância de Consumir Alimentos com Baixa CG?

As evidências científicas reforçam que o carboidrato é o maior preditor do aumento da glicemia pós refeição, devendo-se considerar qualidade e quantidade deste macronutriente. O índice glicêmico é uma medida de qualidade do alimento e a carga glicêmica, apesar de ser uma medida que leva em consideração a qualidade e quantidade, controvérsias sobre a validade destes métodos ainda persistem.

Existem diversosfatores que interferem na resposta glicêmica dos alimentos, como a procedência do alimento, tipo de cultivo, forma de processamento e cocção, consistência e teor de fibras. Ao recorrer a tabelas, corre-se o risco primeiramente de identificar alimentos que no caso, não são típicos do Brasil, uma vez que dispomos de tabelas internacionais. Além disso,. muitos alimentos com baixo IG, trazem na sua composição altas concentrações de gorduras. Diante desta situação, vale ressaltar a importância da orientação nutricional realizada pelo nutricionista especialista no atendimento as pessoas com diabetes, no sentido de esclarecer quanto a viabilidade e vantagens na escolha de alimentos com baixo IG e CG.

Considerações Finais sobre IG e CG

Ainda não existe um consenso entre os diversos órgãos de saúde mundiais, sobre a recomendação do índice glicêmico (IG) e carga glicêmica (CG), como estratégia primária para o planejamento do plano alimentar para pessoas com Diabetes Mellitus, pois, questiona-se a relevância e praticidade destes métodos, havendo a necessidade de realização de mais estudos de longa duração com alimentos de baixo IG e CG, no intuito de avaliar seus efeitos na prevenção e tratamento de diversas doenças crônicas não transmissíveis.

Tabela: Site David Mendosa

Leia mais:

American Diabetes Association. Nutrition Recomendations and Interventions for Diabetes. Diabetes Care, volume 30, supp 1, january,2007

Davis EJM.Towards understanding of glycaemic index and glycaemic load in habitual diet: associations with measures of glycaemia in the Insulin Resistance Atherosclerosis Study. British Journal of Nutrition, 95, 397–405,2006.

Foster-Powell K, Holt SH, Brand-Miller JC: International table of glycemic index and glycemic load values: 2002. Am J Clin Nutr 76:5–56, 2002

Lajolo FM, Menenezes EW. Carbohidratos em alimentos regionales Iberoamericanos.São Paulo, Edusp,313-330, 2006

Site David Mendosa

Consultoria: Dra. Gisele Rossi Goveia, Especialista em Nutrição Clínica
Nutricionista da Preventa Consultoria em Saúde - SP, Coordenadora do Departamento de Metabologia e Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes 2006/2007.

 

Peguntas Frequentes

FAQ de Nutrição

Acompanhe neste FAQ as dúvidas mais comuns sobre alimentação e nutrição, encaminhadas ao e-mail info@diabetes.org.br nos últimos meses.

1) "Qual a quantidade diária de carboidrato recomendada a quem tem Diabetes Tipo 2, 80 anos, homem."

Os carboidratos são as melhores fontes de energia do corpo humano. Sendo que ao longo do dia deverão contribuir com pelo menos 50% da alimentação saudável.Entretanto as quantidades deste nutrientes devem ser definidas baseando-se nas necessidades nutricionais avaliadas pelo profissional nutricionista, durante a consulta de Nutrição.

2) Tenho diabetes há 2 anos e ouvi recentemente um comentário dizendo que a cana-de-açúcar e o açúcar mascavo não fazem mal ao diabético. Isto é verdade?

A cana de açúcar faz parte do grupo das frutas, devendo fazer parte do plano alimentar saudável, inclusive para portadores de Diabetes. Já o açúcar mascavo, contribui com calorias e altera os valores da glicemia da mesma forma que o açúcar branco, diferenciando-se por ser menos refinado. Qualquer que seja o alimento deve estar adequado as necessidades de cada pessoa.

3) Meu pai tem diabetes e está bebendo cerveja diet e normal segundo o médico dele uma cerveja no domingo ele pode tomar, eu não concordo gostaria de explicações para que eu possa relatar ao meu pai.

As recomendações para o consumo de álcool para portadores de Diabetes são as mesmas do que para a população geral. Devendo-se restringi-la durante a gestação, e em alguns problemas de saúde, como pancreatite, grau avançado de neuropatia, severa hipertrigliceridemia ou em casos de alcoolismo. A recomendação da American Diabetes Association é para que se limite uma dose de bebida alcóolica para mulheres e duas doses para homens. Entretanto esta recomendação deve ser individual, considerando a opinião da equipe que acompanha o tratamento do portador de Diabetes.

4) "Pergunto: a fibra de maracujá tem resultado no controle da glicose?. Tenho pessoas conhecidas que afirmam que realmente controlam a glicose usando diariamente a "fibra de maracujá"."

Até o momento não existe nenhum respaldo científico para recomendação da fibra do maracujá no tratameto do Diabetes. O tratamento desta doença crônica baseia-se na alimentação saudável e elaborada de acordo com as necessidades nutricionais, aliada ao medicamento prescrito pelo médico, atividade física e monitaração da glicemia.

5) Gostaria de informações a respeito do mel. Os diabéticos do tipo 2 não podem fazer uso do mel.

Os estudos mais recentes mostram que o uso da frutose por portadores de DM 2 pode contribuir para a alteração do controle metabólico. Sendo assim a recomendação é que se utilize frutose, somente de ocorrência natural , ou seja aquela presente em vegetais e frutas, que devem estar distribuídos dentro de um plano alimentar saudável e individualizado.

6) "Boa noite , sou estudante do curso de nutrição da UNITRI em Uberlândia e estou fazendo uma materia que se chama Nutrição Experimental aonde vamos estar trabalhando com a planta pata de vaca no caso de diabetes. Gostaria de saber mais sobre a pesquisa cientifica que foi realiza sobre ela . Sera que o "efeito " que as pessoas que utilizam pata de vaca é o chamado de placebo?"

Já se efetuarem alguns experimentos com a referida planta, tanto a de coloração branca como de roxa. Os efeitos hipoglicemiantes foram observados na espécie de cor branca. Um dos pesquisadores é o Dr. Silvio Panizza, botânico da USP, e também um grupo da disciplina de endocrinologia da UNIFESP testou em humanos. Os resultados foram inconcluentes, mas vale a pena ler as publicações. Acredito que a aluna poderá acessar as publicações através do BVS e LILACS.

7) Quando a nutricionista recomenda 5 porções de algum grupo alimentar, o que isso significa? Quanto é uma porção?

As recomendações nutricionais baseadas na pirâmide alimentar reforçam a importância da quantidade e qualidade da alimentação. Assim seria importante identificar de qual grupo de alimentos estamos falando, por exemplo no grupo do pão, 01 porção equivale a 02 fatias de pão de forma ou 04 colheres (sopa) arroz. Na pirâmide de alimentos, cada grupo tem a definição do que seria uma porção do alimento correspondente.

8) Sou diabético tipo 2 , e gostaria de saber se posso usar alimentos com glúten.

O glúten é a principal proteína presente no Trigo, Aveia, Centeio, Cevada, e no Malte, cereais amplamente utilizados na composição de alimentos, medicamentos e algumas bebidas industrializadas.Sendo assim o portador de Diabetes pode incluí-lo na sua alimentação diária,como substitutos de pães e farinhas refinadas, desde que não apresente nenhum tipo de alergia ao mesmo, normalmente diagnosticada pelos médicos e conhecida como doença celíaca.

9) Meu pai tem 67 anos e, no momento, sua glicose está em torno de 110. Ele pode ingerir passas sem por risco a sua saúde?

Atualmente as recomendações nutricionais para portadores de Diabetes não restrigem o consumo de frutas, baseado em ser mais ou menos doce. O consumo deste grupo de alimentos deve estar adequado as necessidades nutricionais, lembrando que assim como para a população em geral recomenda-se de 03 a 05 porções de frutas ao dia. No caso das passas, 01 colher (sopa) tem aproximadamente o teor calórico e de carboidratos de qualquer outra fruta, por exemplo, uma maçã pequena.

10) Descobri que tenho diabete a pouco tempo, estou em desespero que posso comer a médica do posto só me disse que posso comer 2 colheres de arroz, feijão e carne. Choro todos os dias.

Em primeiro lugar gostaria de tentar tranqüilizá-la, pois ter Diabetes hoje é bem diferente de alguns anos atrás.
Não existe uma única dieta para todas as pessoas, as recomendações atuais respaldam o plano alimentar saudável e individualizado definido pelo profissional nutricionista. Este profissional vai avaliar as suas necessidades nutricionais, que vão variar de acordo com idade, sexo, altura, peso e atividades de trabalho e física. A partir destes dados juntamente com a avaliação dos hábitos alimentares e sociais será possível elaborar um plano alimentar equilibrado que atenda aos objetivos de tratamento e melhor qualidade de vida. Sugiro a procura de uma Associação de Diabetes na sua cidade, para reforçar informações importantes para o tratamento, bem como passar em consulta com um profissional Nutricionista.

11) Devo consumir alimentos diet ou light? Qual a diferença entre eles?

Os alimentos diet e light são uma alternativa para variar a alimentação. Diet são alimentos produzidos para atender às necessidades específicas de indivíduos, para o portador de diabetes, o alimento dietético não deve conter açúcar. Light: são alimentos modificados que devem ter uma redução de no mínimo 25% de alguns de seus componentes, comparados ao produto convencional como açúcar, gordura, proteínas, sódio (sal).

12) Pessoas com diabetes podem comer alimentos “que vem de baixo da terra”?

Os alimentos armazenados abaixo do solo, como por exemplo a batata, batata doce e inhame, destacam–se por serem excelentes fontes de carboidratos. Estes alimentos compõem a base da pirâmide alimentar e devem fazer parte de um plano alimentar saudável elaborado de forma individualizada.

13) Sou diabético. Fui orientado a trocar o pão, o cuscuz e o beiju/tapioca por biscoitos. Não gosto muito de biscoitos, que outros alimentos posso usar no café da manhã ou lanches?

Na verdade, alimentos como cuscuz, beiju/tapioca e pão podem ser utilizados por pessoas com diabetes.O importante é lembrar do quanto deve ser utilizado por vez. Às vezes, por gostarmos muito de determinados alimentos,continuamos a consumí-los em quantidades acima do necessário e, no caso do controle glicêmico, isto prejudica. Portanto, o problema não está primeiramente no alimento mas sim na quantidade que a pessoa utiliza. Com relação a quantidade de carboidratos(açúcares) que estes alimentos tem podemos dizer que 1 pão, 4 colheres de sopa de cuscuz e 1 beiju/tapioca fina (do tamanho de um prato de sobremesa) tem a mesma quantidade. Para pessoas que tem pressão alta, o cuscuz e o beiju/tapioca tem como vantagem o fato de quem prepara poder controlar a quantidade de sal utilizada. Lembrete: esta orientação se refere ao cuscuz e ao beiju/tapioca simples, preparados com as farinhas, água e sal.Se colocar leite de coco, coco ralado a quantidade de energia vai aumentar e talvez seja mais do que você precisa.Atenção com a manteiga, margarina , queijos e requeijão que podem ser colcoados para acompanhar o pão, o cuscuz e o beiju/tapioca, usar quantidades moderadas."

14) "Gostaria de saber se poderiam me passar uma listagem de alimentos que contenham potássio, pois a minha mão teve uma grave crise a quando fizeram o exame de sangue, constataram que faltava o potássio. O médico receitou que ela comesse bastante banana e laranja pois eram alimentos ricos em potássio, mas como ela já esta comendo estas a frutas há muito tempo esta ficando meio enjoada, além da falta do potássio ela ainda tem diabetes. Peço uma ajuda urgente, por favor..."

O potássio está presente em vários alimentos como abacates, bananas, frutas cítricas e secas, leguminosas como feijão, ervilha (sem ser em conserva), lentilha, soja e grão de bico, vegetais e produtos de grão integral

15) "Solicito a definição de carboidratos, proteínas e vitaminas, e como devem usadas por diabéticos."

Os carboidratos são as melhores fontes de energia e podem ser encontrados adicionados ou naturalmente nos alimentos. As proteínas estão envolvidas na formação e manutenção das células e dos tecidos do corpo e órgãos. As vitaminas são substâncias orgânicas necessárias em pequenas quantidades para o crescimento e manutenção da vida, favorecem as respostas imunológicas dando proteção ao organismo.
Todos estes nutrientes devem estar presentes na alimentação da pessoa com diabetes de forma equilibrada de acordo com a necessidade de cada pessoa. Entretanto, as quantidades devem ser estipuladas por um profissional nutricionista, através da elaboração de um plano alimentar individualizado.

16) "Poderia me informar quais os alimentos ricos em magnésio?"

Os alimentos fontes de magnésio são: hortaliças, legumes, peixes, castanhas, cereais e produtos lácteos.

17) "Eu gostaria de saber em que frutas eu posso encontrar a vitamina A?"

As frutas mais ricas em vitamina A, são as frutas de cor amarelo-alaranjado, como manga, laranja, mamão, porém também é encontrado em cenoura, moranga, abóbora madura e hortaliças verde-escuro, exemplo: couve, agrião e almeirão.

18) "Sou Responsável técnica por uma loja especializada em produtos relacionados a diabetes em Florianópolis e gostaria de saber a porcentagem de carboidratos máxima que um produto deve ter para consumo pelo paciente diabético."

Não há um valor específico de CHO para cada classe de produtos, porém em se tratando de alimentos que se inserem na classificação de "light" a redução deve ser de no mínimo 25% do nutriente ou ingrediente em foco, em relação ao produto convencional.

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Mudança em Rótulos é Boa, já a Gordura Trans Não

Você sabe o que é gordura trans e por que a indústria usa nos alimentos? Essa gordura é utilizada porque deixa os alimentos mais saborosos e ajuda a dar melhor resistência, ou seja, mantém o prazo de validade dos mesmos. Olhando por este ângulo parece que essa gordura é boa, mas na realidade ela não é.

A gordura trans pode aumentar a quantidade de colesterol ruim no organismo e é um fator de risco para problemas cardiovasculares, como informou a Dra. Gisele Rossi Goveia, coordenadora do Departamento de Nutrição da SBD.

A Dra. Giselle Rossi também falou sobre a norma da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que determina que os rótulos dos alimentos apresentem informações sobre valor energético e quantidade de seus nutrientes. Leia mais na entrevista abaixo.

1) O que é gordura trans?

É um tipo gordura que é formada por um processo de hidrogenação natural ou industrial.

2) Quais os produtos que mais contém a gordura trans?

Os alimentos de origem animal, como a carne e o leite possuem pequenas quantidades dessas gorduras. Sendo que a maior preocupação deve ser com os alimentos industrializados, como sorvetes, batatas fritas, salgadinhos de pacote, bolos, biscoitos, pastelaria, gorduras hidrogenadas e margarinas.

3) O que pode causar o consumo excessivo dessa gordura?

O consumo em excesso contribui para o aumento dos níveis de colesterol total eldl colesterol (colesterol ruim), bem como redução dos níveis de hdl colesterol (colesterol bom).

4) Se for consumida em pouca quantidade, a gordura trans também afeta o organismo?

Não existe um valor definido para o consumo. Recomenda-se a leitura dos rótulos dos alimentos, identificando quais alimentos são ricos ou não em gordura trans. A partir daí deve-se optar por aqueles que contenham menor teor deste tipo de gordura. A recomendação geral é que não se deve consumir mais de 2 gramas de gordura trans por dia.

5) A mudança nos rótulos proposta pela Anvisa é uma alternativa benéfica?

Acredito que a mudança na rotulagem seja benéfica. Mas é necessário que a população seja esclarecida sobre o que vem a ser gordura trans e quais os malefícios.

6) A população saberá interpretar as novas informações nos rótulos?

Sim, desde que devidamente orientados. E esta ação cabe aos profissionais especialistas no assunto. Na minha opinião, não adianta aterrorizar a população. É preciso trabalhar de forma educativa, informando a importância das gorduras totais e o que significa o que está sendo estipulado de gordura trans.

 

Consultoria: Departamento de Nutrição e Metabolismo da SBD - Gestão 2006/ 2007

 

 

 

 

Primeira Consulta

Dra. Marlene Merino Alvarez - 15/03/2006 19:49
Membro do Departamento de Nutrição e Metabologia da Sociedade Brasileira de Diabetes

Abordagem Inicial

Existem milhares de pessoas com diabetes no mundo. Apesar das inúmeras campanhas de esclarecimento, ainda existem muitas dúvidas em relação ao seu tratamento e, principalmente, em relação à alimentação. é muito comum achar que o plano alimentar (dieta) para o portador de diabetes se restringe à retirada apenas do açúcar ou ainda existem as radicais que cortam quase todos os carboidratos (pães, massas, doces, etc.). Puro engano!

Quando o açúcar está alto no sangue significa que o corpo não está utilizando corretamente os alimentos, desta forma o organismo fica muito debilitado. Para não errar para mais ou para menos é necessário consultar um nutricionista, que é o profissional mais capacitado para elaborar o plano alimentar do portador de Diabetes Mellitus.

Atualmente o plano alimentar é baseado em uma alimentação saudável que considera todos os grupos de alimentos. A quantidade do alimento a ser consumido vai depender de cada caso e por isso o tratamento é individualizado.

A primeira consulta com o nutricionista, deve ocorrer logo após a consulta com o endocrinologista, onde foi feito o diagnóstico de diabetes. Assim, toda a ansiedade em relação à alimentação vai ser atenuada e mais rapidamente haverá melhora da glicemia.

Plano Alimentar

O plano alimentar é um dos componentes essenciais no tratamento do diabetes e, junto com a medicação, a atividade física e a educação continuada, é a receita para o sucesso do bom controle.

A consulta com o nutricionista tem como objetivo fornecer um plano alimentar acessível à sua realidade e que atenda às necessidades de energia (calorias), proteínas, vitaminas e minerais para a sua idade, visando a melhoria do controle metabólico.

Na consulta, o nutricionista realiza uma entrevista (anamnese) para obter dados sobre a doença atual e outras informações específicas para a construção do plano alimentar. Constam das perguntas, à história de algumas doenças (obesidade, anorexia, bulimia, dislipidemias, pressão alta, etc.) e a alimentação atual e pregressa (nascimento e do passado recente), assim como informações do funcionamento do tubo digestório como mastigação, problemas no estômago, glândulas anexas e eliminações fisiológicas (fezes e urina).

A história alimentar é a ferramenta mais preciosa na consulta de nutrição pois a partir desses dados se iniciará a prescrição do plano alimentar. Portanto, é necessário ter o conhecimento das técnicas corretas para se coletar e avaliar estas informações, a fim de se obter um retrato mais fiel do perfil alimentar do indivíduo.

Uma das estratégias mais comumente utilizada é o recordatório de 24 horas, no qual se deseja saber os horários, locais e as quantidades de alimentos ingeridos em cada refeição do dia anterior. Estes dados podem ser complementados com informações obtidas pelo questionário de freqüência de consumo alimentar, que classifica os alimentos por grupos (leite e derivados, frutas, hortaliças, carnes, ovos, óleos, etc.). Com estes dados o nutricionista deseja obter informações mais detalhadas sobre os alimentos consumidos e obter um panorama dos hábitos alimentares. Uma dica para esta primeira consulta, principalmente no caso das crianças, é já levar registrado o que foi ingerido por refeição na última semana ou em 3 dias (2 durante a semana e 1 de final de semana).

O esquema de medicamentos (se houver) e os exames laboratoriais realizados previamente também são importantes para a avaliação do nutricionista e devem ser levados para a consulta. Outro item relevante é o fornecimento de informações sobre os exercícios físicos, realizados rotineiramente (horários, tipo, intensidade), uma vez que o plano alimentar poderá ser flexibilizado ou não a partir desses dados.

Exame Físico

A outra etapa da consulta é o exame físico no qual são verificadas as medidas antropométricas como: peso, estatura e circunferência da cintura. Elas são importantes para se determinar o peso desejável e para traçar a estratégia do cálculo do plano alimentar (calorias). Se o indivíduo estiver acima do peso e tiver uma circunferência da cintura acima do normal, ele necessitará de uma restrição calórica mais importante do que aquele que tem esses dados dentro da normalidade. Estas medidas antropométricas fornecem pistas de maior ou menor resistência à insulina. Outras medidas como dobras cutâneas e percentual de gordura podem ser realizadas para complementar a avaliação da gordura corporal.

Os dados antropométricos são avaliados de maneira diferente de acordo com a idade do portador de diabetes. Crianças e adolescentes, por passarem por constantes mudanças devido ao crescimento, são avaliados através de índices e gráficos. A massa corporal no adulto é comumente avaliada através dos valores IMC (índice de Massa Corporal) e da circunferência da cintura e comparados a padrões de normalidade pré-estabelecidos.

Após toda essa avaliação, o plano alimentar é calculado, correlacionando as necessidades nutricionais para idade e atividade física, com o peso que foi previamente determinado pela avaliação antropométrica. O nutricionista, através dos conhecimentos inerentes a sua profissão, transforma estes dados numéricos em medidas caseiras de alimentos para serem distribuídas pelas refeições. Esta distribuição da alimentação leva em consideração a anamnese alimentar (hábitos alimentares) e o esquema medicamentoso (insulina ou remédio).

Parceria: Paciente e Nutricionista

A parceria entre o nutricionista e da pessoa com diabetes na elaboração do plano alimentar é fundamental para que este seja viável e prazeroso. As dúvidas sobre os alimentos surgem na medida em que aumenta o envolvimento com o plano alimentar e, desta forma, se inicia o processo educativo onde profissional e paciente passam a trocar informações que são essenciais para o sucesso do tratamento.

Ainda nesta primeira consulta, o nutricionista inicia a abordagem sobre a ação dos alimentos no organismo e de como os nutrientes (carboidratos, proteínas e gorduras) agem sobre a glicemia. Outros temas como hipoglicemia e o uso de produtos diets, adoçantes, frutas, doces, etc. devem ser abordados de tal maneira que o paciente saia da consulta com segurança de realizar as suas refeições.

A educação continuada faz parte de todas as consultas e as dúvidas são explicadas juntamente com a construção do plano alimentar.

Ao final da consulta é fornecido um plano alimentar específico às necessidades nutricionais e de saúde, com listas de alimentos para consulta sobre o seu conteúdo nutricional e de carboidratos. Estas listas abrem um leque de opções de alimentos de forma que o plano alimentar não fica monótono e pode ser modificado pela própria pessoa com diabetes, respeitando as orientações do nutricionista.

Após a consulta, o nutricionista disponibiliza o parecer nutricional para o médico ou para outros profissionais que fazem parte da equipe de atendimento. As consultas subseqüentes são igualmente importantes para que haja a avaliação e possível modificação da conduta nutricional inicial e possa dar continuidade ao processo educativo.


Alimentar o corpo é muito mais do que saciar a fome. Consulte um Nutricionista!

 

Tabela Internacional de Índice Glicêmico (IG) e Carga Glicêmica (CG) - Revisada 2002

Tabela:

 

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