O mais recente estudo sobre o assunto aponta para eficácia do bom controle glicêmico.

Muito embora vários estudos anteriores tenham comprovado a associação entre o diabetes tipo 2 (DM2) e o aumento do risco cardiovascular, esse tema ainda é bastante polêmico, principalmente em função de estudos mais recentes que questionaram um provável efeito benéfico do bom controle glicêmico na redução dos eventos cardiovasculares.

Esta talvez seja uma das polêmicas mais importantes na diabetologia nos dias de hoje.

Considerando a importância do tema, em 11 de outubro de 2010, o Diabetes Care veiculou versão eletrônica anterior à publicação de um artigo de Colayco e colaboradores (1) no qual foram avaliados mais de 55 mil pacientes com DM2 assistidos pela Kaiser Permanente, identificados por códigos diagnósticos ou por um nível de A1C> 7,5% ou por prescrições de antidiabéticos orais.

Os casos foram definidos com base na ocorrência de infarto do miocárdio não fatal, AVC não fatal ou morte devida a eventos cardiovasculares durante um período de 3 anos.

Com base nos níveis médios de A1C, os pacientes foram distribuídos em três grupos: A1C≤ 6,0%; A1C entre 6.0% e 8,0%; e A1C> 8,0%. Os resultados do estudo mostraram que os pacientes com controle glicêmico muito intensivo, com A1C≤ 6,0%, apresentaram uma probabilidade 20% maior de eventos cardiovasculares do que os pacientes do grupo de A1C entre 6,0% e 8,0%.

Por outro lado, os pacientes com mau controle glicêmico, com A1C> 8,0%, também apresentaram um aumento de 16% na probabilidade de sofrerem um evento cardiovascular, quando comparados com o paciente do grupo intermediário.

Os autores concluíram que pacientes diabéticos de alto risco com níveis de A1C≤ 6.0% e aqueles que não conseguiram atingir controle glicêmico adequado, com uma A1C acima de 8,0%, apresentaram um risco significativamente maior de eventos cardiovasculares do que o grupo com A1C entre 6,0% e 8,0%.

Em outras palavras, confirmou-se nesse estudo o conceito da distribuição do risco em “J” de complicações do diabetes em relação aos níveis de A1C, ou seja, esse risco é efetivamente maior nos extremos da distribuição dos valores de A1C. Por essa razão, a maioria das diretrizes recomenda a meta de A1C≤ 7,0% para a caracterização mais segura do bom controle glicêmico.

Fonte: Colayco, DC et al. Glycosylated Hemoglobin and Cardiovascular Outcomes in Type 2 Diabetes – A Nested Case-Control Study. Diabetes Care. DOI: 10.2337/dc10-1318. Versão eletrônica anterior à publicação, veiculada em 11 de outubro de 2010.

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