Um roteiro prático de orientação básica sobre como instalar e gerenciar um serviço especializado na assistência aos pacientes diabéticos em seu município
Este projeto é um serviço de utilidade pública da Sociedade Brasileira de Diabetes - SBD - e da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia - SBEM - destinado a motivar as autoridades municipais brasileiras a implantar serviços especializados de assistência ao paciente diabético nos municípios brasileiros.
Grupo de Trabalho
Coordenador do Projeto:
Dr. Augusto Pimazoni Netto (SP)
Painel de Especialistas Participantes:
Dra. Adriana Costa e Forti (CE)
Dr. Antonio Roberto Chacra (SP)
Dra. Hermelinda Pedrosa (DF)
Dr. Jorge Luiz Gross (RS)
Dr. José Antonio M. Marcondes (SP)
Dr. Laércio Joel Franco (SP)
Dra. Laurenice P. Lima (DF)
Dra. Reine M.C. Fonseca (BA)
Dra. Rosário Bosch (SP)
Apoio
Comitê Técnico-Científico de Diabetes Mellitus do Ministério da Saúde
Associação para Educação e Controle em Diabetes (ACED)
Abbott - Bayer - Becton Dickinson - Biobrás - Aventis Pharma S.A. - Lilly - Merck - Novo Nordisk - Parke-Davis - Roche - Servier
Apresentação
A municipalização da assistência médica, no Brasil, transferiu às autoridades municipais e à comunidade local a responsabilidade de definir os rumos e as prioridades dos programas de saúde em cada município. Foi uma medida inteligente e necessária, uma vez que ninguém melhor do que o prefeito, os vereadores e a própria comunidade para decidirem sobre como aplicar os recursos de saúde, de acordo com as necessidades percebidas pela população.
O diabetes vem assumindo proporções bastante preocupantes, tanto em função do número de pacientes, como pela freqüência das complicações graves que pode ocasionar, se não controlado adequadamente. Por outro lado, quando existe conscientização das autoridades e da comunidade quanto à necessidade de um bom controle da doença, muito sofrimento pode ser evitado e muitas vidas podem ser salvas através de medidas relativamente simples de assistência preventiva.
Esta "Proposta Básica para a Assistência ao Diabético no Municipio" é um roteiro prático de orientação básica sobre como instalar e gerenciar esse serviço, segundo as recomendações mais atuais da Sociedade Brasileira de Diabetes e da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Em linguagem simples e objetiva, esta Proposta aborda os principais tópicos que precisam ser considerados para a implementação e o funcionamento adequado de tal serviço em nível municipal.
As entidades mencionadas e as empresas que compõem a AÇÃO PRÓ-PACIENTE DIABÉTICO estão à sua disposição para maiores esclarecimentos sobre o assunto.
Atenciosamente,
Sociedade Brasileira de Diabetes - SBD
Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia - SBEM
Associação para Educação e Controle em Diabetes - ACED
Justificativas médicas, sociais, econômicas e políticas para a municipalização da assistência ao paciente diabético
O diabetes está sendo considerado como uma doença de proporções epidêmicas em todo o mundo, com um número crescente de casos novos, diagnosticados a cada ano. O Censo Nacional de Diabetes, concluído em 1988, avaliou a situação do diabetes em 9 capitais brasileiras, tendo mostrado dados verdadeiramente preocupantes, tais como:
- O diabetes atinge 7,6% da população brasileira, na faixa etária dos 30 aos 69 anos, atingindo cifras próximas de 20% na população acima de 70 anos.
- Na população brasileira atual estima-se que existam cerca de 5 milhões de pacientes diabéticos.
- Metade das pessoas com diabetes tem a doença e não sabe, uma vez que o diabetes geralmente evolui silenciosamente, sem produzir sintomas de maior intensidade, podendo ser identificado somente quando surgir uma de suas complicações crônicas
- O diabetes atinge a todos, adultos e crianças, homens e mulheres, ricos e pobres, qualquer raça ou credo, sem distinção.
- Quase 1/4 da população diabética não faz nenhum tratamento.
- A qualidade do tratamento atual está muito aquém do desejável, o que indica necessidade urgente de adoção de medidas educativas, tanto para os profissionais de saúde, como para a comunidade.
O diabetes mal controlado é responsável por várias complicações agudas e crônicas, conforme mostram os dados abaixo:
- É a 4 principal causa básica de morte no Brasil.
- É a principal causa de cegueira adquirida.
- Os pacientes diabéticos têm chance duas vezes maior de desenvolver doença coronariana e de sofrer derrames cerebrais, quando comparados aos não-diabéticos.
- Os pacientes diabéticos têm chance 17 vezes maior de desenvolver doença renal, sendo o diabetes responsável por mais de 30% dos casos de insuficiência renal em programas de diálise.
- Os pacientes diabéticos têm chance 40 vezes maior de sofrer amputações nos membros inferiores.
Face a estes dados, fica plenamente justificada, do ponto de vista médico-social, a prioridade que a boa assistência ao paciente diabético deve ter na definição das políticas federais, estaduais e municipais de saúde.
IMPORTANTE
A assistência médica adequada e o controle metabólico rigoroso podem prevenir ou retardar o aparecimento das complicações crônicas do diabetes, através de medidas preventivas e curativas relativamente simples.
Do ponto de vista da economia de saúde, cada dolar investido em atividades preventivas de educação e controle metabólico do paciente diabético resultará numa economia estimada de 6 dólares nos gastos gerais com atendimento curativo na rede de saúde, conforme dados do Centro Internacional de Diabetes de Minneapolis, nos EUA.
Um aspecto importante a ser considerado é a economia proporcionada pelo controle adequado do diabetes, antes que apareçam as complicações crônicas, tais como, cegueira, amputações de membros, insuficiência renal, doenças cardiovasculares e outras, as quais exigem recursos médicos, hospitalares e financeiros de grande monta.
O administrador inteligente e o profissional de saúde consciente, só têm a ganhar ao oferecer à comunidade um serviço de qualidade, cujo bom funcionamento será inquestionavelmente reconhecido pela população assistida e seus familiares.
IMPORTANTE
O investimento da verba municipal de saúde na assistência ao paciente diabético está amplamente justificado dos pontos de vista médico, social , econômico e político.
Para que a proposta de municipalização da assistência ao paciente diabético receba a aprovação do executivo e do legislativo, de forma apartidária e no interesse geral da população, os dados apresentados neste tópico devem ser amplamente divulgados e debatidos pela classe política e pela comunidade, com o apoio de médicos e profissionais de saúde já plenamente conscientizados em relação ao problema e suas soluções.
O estado atual da assistência ao paciente diabético no Brasil
É bastante preocupante o estado atual da assistência ao paciente diabético no Brasil, seja em grandes municípios, com mais recursos técnicos e financeiros, seja nos pequenos municípios que, provavelmente, nunca receberam informação adequada sobre o assunto e que, portanto, jamais pensaram em incluir a assistência ao paciente diabético em suas prioridades de saúde.
Falta informação sobre a doença e suas complicações, falta conscientização sobre a importância do diabetes em saúde pública, falta qualificação adequada aos profissionais de saúde, faltam recursos, faltam medicamentos, enfim, falta mentalidade e vontade política para enfrentar o problema de forma eficaz.
Mesmo nas regiões mais desenvolvidas, o atendimento nas unidades básicas de saúde e nos ambulatórios dos hospitais, inclusive em centros universitários, tende a ser precário e o grau de controle da doença é inadequado.
Para cada paciente diabético conhecido, existe um paciente diabético que desconhece sua doença. Se não receber uma assistência médica adequada, provavelmente, o diagnóstico de diabetes somente será feito quando o paciente apresentar sinais evidentes de alguma complicação crônica da doença.
Recentemente, o Ministério da Saúde, as entidades médicas especializadas e a iniciativa privada deram início a um programa abrangente de promoção da saúde do paciente diabético em todos os níveis, federal, estadual e municipal.
Depende apenas da vontade política de prefeitos e vereadores a implantação de um programa de municipalização da assistência ao paciente diabético em cada município.
A importância do diagnóstico precoce e do bom controle metabólico do diabetes
O diabetes pode evoluir sem sintomas mas, mesmo assim, é capaz de promover, de maneira silenciosa, a evolução da doença no sentido de graves complicações crônicas. Em vista disso, programas eficazes e contínuos de detecção precoce do diabetes devem ser implementados.
É importante saber que as campanhas de diagnóstico precoce não devem ser dirigidas indistintamente a toda a população mas, sim, àquelas pessoas com maior risco de desenvolver a doença. As crianças, por exemplo, não devem ser incluídas nas campanhas pelo simples motivo de que o tipo de diabetes que elas apresentam não é, geralmente, detectável através de campanhas.
O diabetes do tipo 1, antes conhecido como infanto-juvenil ou insulino-dependente, em geral, manifesta-se por um quadro clínico grave e muito evidente, exigindo, na maioria dos casos, atendimento médico de urgência e hospitalização.
Já os adultos, principalmente após os 30 anos de idade, se beneficiam bastante do diagnóstico precoce, exatamente porque, neles, o diabetes, em geral, se manifesta de maneira insidiosa, podendo, até mesmo, não apresentar sintomas. O diabetes do adulto é conhecido como diabetes tipo 2, antes chamado de não insulino-dependente.
É importante salientar que essas campanhas servem para detectar indivíduos com alta suspeita de diabetes, mas não têm a finalidade de fazer um diagnóstico definitivo. Isso só se consegue através de exames laboratoriais de comprovação.
Na verdade, essas campanhas devem visar, fundamentalmente, uma ampla conscientização da comunidade em relação ao diabetes e não apenas para detectar casos suspeitos.
Existem os chamados fatores de risco para o diabetes que determinam quais as pessoas que devem ser submetidas a testes de medida do açúcar no sangue (glicemia) para a detecção da doença, durante as campanhas ou durante o atendimento médico de rotina. Alguns destes fatores de risco são os seguintes:
- Idade acima de 30 anos.
- Obesidade ou excesso de peso.
- Histórico de perda recente de peso, sede excessiva e excesso de urina.
- Pressão alta, histórico de doença cardiovascular.
- Histórico de derrame cerebral.
- Elevação das taxas de colesterol e triglicérides no sangue.
- Mulheres que tiveram filhos com mais de 4 kg.
- Histórico familiar de diabetes.
O teste para a identificação de indivíduos com suspeita de diabetes é bastante simples, bastando apenas 1 gotinha de sangue, que é depositada sobre uma fita reagente. A leitura da glicemia é feita num aparelho portátil conhecido como glicosímetro (há várias marcas comerciais de aparelhos e de tiras reagentes). O custo de cada teste, através das tiras reagentes, é de aproximadamente US$ 1.00 (um dólar).
Quanto à necessidade de um bom controle metabólico da doença, é preciso entender que o grande vilão, ou seja, o fator responsável por grande parte das complicações crônicas do diabetes, é o excesso de açúcar no sangue (hiperglicemia) que acaba provocando alterações nos nervos e nos vasos sangüíneos de certos órgãos do corpo, onde se instalam as complicações crônicas, como na retina dos olhos, nos rins e nas terminações nervosas.
Assim, um dos grandes segredos do sucesso na prevenção de complicações crônicas do diabetes está justamente na manutenção de níveis normais de açúcar no sangue, ou seja, na manutenção de uma glicemia normal. É muito importante salientar, entretanto, que o controle adequado de outros problemas médicos associados ao diabetes, tais como pressão alta, obesidade, excesso de colesterol e triglicérides e o hábito de fumar, é tão importante quanto o controle da glicemia para a evolução favorável da doença.
IMPORTANTE
Medidas terapêuticas relativamente simples e de baixo custo, assim como o diagnóstico precoce do diabetes, permitem um controle mais adequado da doença e evitam ou retardam o aparecimento das complicações crônicas.
Antes de mais nada, é preciso salientar que, ao se planejar uma campanha de detecção do diabetes, é absolutamente fundamental que os organizadores tenham tomado as devidas providências nos sentido de encaminhar os casos detectados para a necessária assistência médica. A simples detecção, sem o encaminhamento adequado dos casos identificados, é uma prática inútil e condenável.
IMPORTANTE
Não basta detectar os suspeitos de diabetes. É preciso cadastrá-los e encaminhá-los para tratamento e controle adequados.
Uma campanha de detecção do diabetes é um ponto de partida importante e de muito impacto para o início de um programa de municipalização da assistência ao paciente diabético. Essa campanha serve para chamar a atenção da imprensa local para a divulgação de conceitos importantes sobre o controle do diabetes e, também, sobre as possíveis conseqüências do diabetes mal controlado, em termos de complicações crônicas.
Como estimar a população de pacientes diabéticos de um município
Com base nos resultados do Censo Nacional de Diabetes e com informações sobre o tamanho atual da população, pode-se estimar o número provável de pacientes diabéticos de um determinado município.
O Censo Nacional de Diabetes mostrou que a ocorrência da doença é de 7,6% da população adulta, na faixa dos 30 aos 69 anos. Abaixo dos 30 anos, essa freqüência é de apenas 0,1% da população e, acima dos 70 anos, sobe para aproximadamente 20%.
Também é importante saber que, em média, 60% da população do município, está abaixo de 30 anos; cerca de 37% está entre 30 e 69 anos; e apenas 3% está acima dos 70 anos.
O quadro a seguir é um resumo das informações mencionadas, correlacionando as respectivas faixas etárias com a freqüência do diabetes em cada faixa. Em seguida, você encontrará tabelas orientativas para calcular o número de pacientes diabéticos em seu município.
DISTRIBUIÇÃO ETÁRIA DA POPULAÇÃO E FREQÜÊNCIA DO DIABETES | ||
| Faixa etária | Porcentagem da população no município | Taxa de ocorrência do diabetes |
| baixo de 30 anos | 60% | 0,1% |
| Entre 30 e 69 anos | 37% | 7,6% |
| 70 anos ou mais | 3% | 20% |
Com base nos dados acima, você pode estimar o número de pacientes diabéticos em seu município. Basta conhecer a população do município e aplicar índices equivalentes aos dados acima, conforme mostra o quadro abaixo.
POPULAÇÃO DO MUNICÍPIO (P): _____________ HABITANTES | |||
| Distribuição por faixa etária | Ocorrência do diabetes | ||
| I. Multiplicar (P) por | II. População na faixa etária | III. Multiplicar (II) por | IV. Nº de pacientes diabéticos |
| 0,60 |
| 0,001 |
|
| 0,37 |
| 0,076 |
|
| 0,03 |
| 0,20 |
|
| NÚMERO ESTIMADO TOTAL DE PACIENTES DIABÉTICOS | |||
Como exemplo, vamos imaginar um município com 100 mil habitantes. Utilizando-se o quadro acima, os números obtidos seriam os seguintes:
POPULAÇÃO DO MUNICÍPIO (P): 100.000 HABITANTES | |||
| Distribuição por faixa etária | Ocorrência do diabetes | ||
| I. Multiplicar | II. População | III. Multiplicar | IV. Número de |
| 0,60 | 60.000 | 0,001 | 60 |
| 0,37 | 37.000 | 0,076 | 2.812 |
| 0,03 | 3.000 | 0,20 | 600 |
| NÚMERO ESTIMADO TOTAL DE PACIENTES DIABÉTICOS | 3.472 | ||
Aspectos legislativos e orçamentários para garantir verbas de implantação e custeio
O diabetes é uma doença crônica que exige tratamento pelo resto da vida. Por isso, ao se comprometer a prestar assistência adequada aos pacientes diabéticos, os administradores municipais precisam garantir recursos permanentes para essa atividade, através de dotações orçamentárias específicas para essa finalidade.
Assim, tanto as despesas de implantação, como as de custeio, devem estar previstas em legislação específica e não apenas incluidas na rubrica geral de despesas com a saúde.
Contando com recursos próprios e com uma administração eficiente dos recursos, o Serviço Municipal de Assistência ao Paciente Diabético - SEMAPAD - poderá desempenhar, com eficácia, o importante papel de cuidar bem dos pacientes diabéticos de seu município.
Recomendação básica quanto ao local de instalação do Serviço Municipal de Assistência ao Paciente Diabético - SEMAPAD
A principal característica do SEMAPAD é justamente a de otimizar os recursos de saúde existentes, procurando aproveitar estruturas físicas já disponíveis, dentro da rede básica de assistência à saúde do município. O mesmo conceito também se aplica em relação à disponibilidade de recursos humanos (médicos e outros profissionais de saúde; pessoal de apoio). Esta postura está de acordo com os princípios técnicos de otimização de recursos públicos.
Assim, a recomendação básica que se faz quanto ao local de funcionamento do SEMAPAD é que ele deva ser implantado numa unidade de saúde já existente, dispensando, portanto, investimentos desnecessários em construção de novas áreas físicas. A maior parte dos recursos financeiros disponíveis deve ser aplicada na aquisição de equipamentos e instrumentos absolutamente necessários ao bom funcionamento da unidade e ao bom atendimento aos pacientes, devendo esses recursos serem dimensionados de acordo com a estimativa da população de pacientes diabéticos a ser atendida, calculada conforme as orientações do item anterior.
Recomendação básica quanto a coordenação operacional do SEMAPAD
Para o bom funcionamento do SEMAPAD, será necessária a indicação de um Coordenador Operacional que deverá responder pelo bom desempenho do serviço. Evidentemente, o número e a qualificação dos profissionais de saúde envolvidos em cada SEMAPAD dependerá das disponibilidades específicas de cada município.
O coordenador deve ser escolhido mediante critérios técnicos fundamentados na qualificação profissional e no comprometimento com o sucesso do serviço.
Recomendações básicas quanto aos recursos humanos
A assistência aos pacientes diabéticos, sempre que possível, deve ser proporcionada por profissionais de saúde de várias áreas, constituindo a chamada equipe multiprofissional. Dessa equipe, poderão participar os seguintes profissionais:
- Médicos endocrinologistas e/ou clínicos com experiência/treinamento em diabetes.
- Enfermeiras.
- Auxiliares de enfermagem.
- Agentes de saúde.
- Nutricionistas.
- Assistentes Sociais.
- Psicólogos.
- Educadores em diabetes (profissionais de qualquer área, com treinamento em educação para pacientes diabéticos).
- Dentistas.
- Farmacêuticos.
- Fisioterapeutas.
- Outros profissionais administrativos e de atividades de apoio.
Evidentemente, dependendo do município, não haverá disponibilidade de profissionais habilitados em todas essas áreas. Assim, é preciso saber que a equipe mínima indispensável para o funcionamento de um SEMAPAD pode, mesmo, ficar restrita a um médico, um enfermeiro, um auxiliar de enfermagem e agentes de saúde.Para o bom funcionamento integrado da equipe, é indispensável que sejam bem definidas as responsabilidades específicas de cada profissional técnico, tanto em relação ao atendimento do paciente diabético, como em relação à equipe multiprofissional como um todo.
IMPORTANTE
A equipe mínima do SEMAPAD pode ficar restrita a médico, enfermeiro, auxiliar de enfermagem e agentes de saúde.
Aos profissionais de saúde do SEMAPAD deverá ser garantido um treinamento especializado no atendimento ao paciente diabético em suas respectivas áreas de atuação, para que possam desempenhar suas funções com alto nível técnico. Esse treinamento deverá ser proporcionado por Centros de Referência em Diabetes reconhecidos pelo Ministério da Saúde e pela Sociedade Brasileira de Diabetes.
Acordos operacionais com empresas, instituições, clubes de serviços, etc.
As parcerias entre governos, universidades e iniciativa privada, quando concebidas dentro dos estritos limites da lei e da ética, podem se constituir num valioso recurso para a implementação e o desenvolvimento de projetos de fundo social, cultural ou de saúde pública.
Todo o movimento de conscientização sobre o diabetes como um problema de saúde pública, iniciado na década de 80, nasceu de uma salutar cooperação entre o Ministério da Saúde, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq, a Sociedade Brasileira de Diabetes, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e a iniciativa privada. O próprio Censo Nacional de Diabetes foi viabilizado com recursos governamentais e da iniciativa privada.
Este projeto de municipalização da assistência ao paciente diabético pode ser outro exemplo bem sucedido de parceria entre governo, universidades, sociedades médicas e iniciativa privada. Para as empresas, a prestação de serviços deste tipo constitui-se em forma ética de promoção de sua imagem institucional. Para o Governo, tal suporte significa a viabilização de importantes projetos de cunho médico-social, com otimização da relação custo/benefício. Para as universidades e as sociedades médicas, parcerias deste tipo proporcionam a oportunidade de prestação de relevantes serviços à comunidade.
Os clubes de serviços, costumam dar apoio a atividades de promoção da saúde e poderão ser bons aliados em programas de conscientização e de detecção do diabetes.
Esta proposta foi desenvolvida de acordo com orientação do Ministério da Saúde e com projetos que estão sendo desenvolvidos pelas Secretarias Estaduais de Saúde, voltados à política de assistência ao paciente diabético.
Definição de serviços de referência secundária e terciária
O SEMAPAD pode ser implementado numa estrutura de atendimento primário e, portanto, assumindo a responsabilidade de promover a detecção e o diagnóstico precoce do diabetes, o cadastramento e acompanhamento médico-social de pacientes diabéticos não complicados e as atividades de educação continuada para os pacientes diabéticos e seus familiares. A dispensação gratuita de medicamentos para o tratamento do diabetes e de doenças concomitantes (tais como, pressão alta, elevação de colesterol e triglicérides, etc.) devem ser feitas diretamente pelo SEMAPAD.
IMPORTANTE
A atividade principal do SEMAPAD é o atendimento primário, voltado ao diagnóstico, cadastramento, controle metabólico e atividades de educação continuada para o paciente diabético e sua família.
Os centros de referência secundária são unidades com maior capacidade técnica e de atendimento especializado ao paciente diabético, tratando principalmente dos casos mais graves e das complicações crônicas da doença. Todo SEMAPAD tem que definir um centro de referência secundária, para onde serão encaminhados os casos mais graves, com pior controle metabólico ou com complicações crônicas que exijam tratamento especializado.
O centro de referência terciária é um hospital com atendimento em várias especialidades médicas, geralmente ligado a uma universidade e apto a prestar atendimento médico mais especializado para os casos de maior gravidade, inclusive internação de pacientes com complicações.
Definição de medicamentos essenciais para o tratamento do diabetes e de patologias associadas
Basicamente, os dois principais grupos de medicamentos utilizados no tratamento do diabetes são as insulinas e os chamados antidiabéticos orais. As insulinas são utilizadas obrigatoriamente em pacientes portadores do diabetes do tipo 1 (também chamado de infanto-juvenil ou insulino-dependente) e, eventualmente, em pacientes portadores do diabetes tipo 2 (também chamado de diabetes do adulto ou não insulino-dependente). Os antidiabéticos orais constituem a principal modalidade de tratamento nos pacientes diabéticos do tipo 2.
Há vários tipos de insulina e de antidiabéticos orais disponíveis no mercado, cada um deles com indicações específicas. O importante é manter um estoque permanente das drogas disponíveis, providenciando sua aquisição com antecedência para que não ocorram faltas de remédios, com conseqüente prejuízo do tratamento.
IMPORTANTE
Pacientes diabéticos exigem tratamento contínuo e permanente para o resto da vida. Qualquer interrupção em seu fornecimento pode causar graves problemas aos pacientes, inclusive risco de morte.
Outra recomendação importante é não ficar mudando a relação de medicamentos disponíveis a cada compra, uma vez que isso é prejudicial ao paciente, comprometendo o bom controle metabólico do diabetes.
O diabetes, em muitos casos, vem acompanhado de problemas médicos concomitantes, como obesidade, colesterol e triglicérides elevados, pressão alta, etc. Portanto, na definição da política municipal de assistência farmacêutica aos munícipes, o prefeito e as autoridades de saúde precisam estabelecer que o SEMAPAD também se encarregará da dispensação de medicamentos para o tratamento, não só do diabetes, mas, também, de outras doenças que costumam afetar o paciente diabético, como as mencionadas acima.
É necessária uma palavra de cautela quanto à aquisição de medicamentos em geral, para a distribuição à rede pública. É preciso ter em mente o perigo de critérios puramente econômicos na aquisição dos medicamentos, devendo-se levar em consideração a qualidade intrínseca do princípio ativo e do produto acabado. O bom controle metabólico do diabetes poderá ser gravemente comprometido com a utilização de medicamentos de baixa qualidade.
Equipamentos e reagentes necessários à avaliação do controle metabólico do paciente diabético
O paciente diabético precisa de um controle rigoroso e permanente de seu estado metabólico, o que pode ser avaliado através de exames laboratoriais gerais, realizados em laboratórios clínicos próprios ou conveniados da rede municipal de saúde.
Entretanto, o SEMAPAD precisa estar equipado com glicosímetros e tiras reagentes para a determinação dos níveis de glicose no sangue e na urina e de cetonas e proteínas na urina. Os testes de glicemia capilar (com sangue da ponta do dedo) permitem uma avaliação rápida e confiável, podendo ser realizados instantaneamente, sempre que necessário, além de oferecer resultados imediatos. Isso facilita a avaliação do nível de controle metabólico do paciente pela equipe de saúde.
Sempre que possível, o SEMAPAD deverá dispor de alguns glicosímetros e das respectivas tiras reagentes para emprestar aos pacientes recém diagnosticados e em início de tratamento para que eles realizem os exames de glicemia em suas próprias casas, algumas vezes ao dia, para verificar o efeito do tratamento em seus níveis de glicose. Atingindo o controle metabólico desejado, o paciente devolve o glicosímetro ao SEMAPAD para ser emprestado a outros pacientes. Essa conduta também é útil em pacientes com difícil controle da glicemia, que estejam passando por ajustes de doses ou de medicamentos utilizados.
Você poderá contatar as empresas fabricantes de glicosímetros e de tiras reagentes para discutir modalidades de aquisição desses materiais em condições bastante vantajosas como, por exemplo, o sistema de comodato.
Critérios para a avaliação da eficácia do programa de municipalização da assistência ao paciente diabético
Faz parte das boas técnicas administrativas a avaliação periódica da eficácia de qualquer programa, complementado com determinado fim, na administração pública ou privada. Não se pode admitir que um programa governamental na área de saúde consuma amplos recursos públicos sem que se consiga comprovar, objetivamente, sua eficácia.
O programa de municipalização do diabetes não pode ser exceção: o contribuinte precisa ser assegurado de que seu dinheiro de impostos esteja bem empregado. No caso específico deste programa, há formas práticas, simples e corretas de avaliação de sua eficácia, como por exemplo, a redução no número de internações por causa do diabetes e a comparação entre os resultados laboratoriais que refletem o nível de controle metabólico do diabetes (testes de hemoglobina glicosilada).
Da mesma forma, é preciso avaliar continuamente o desempenho técnico dos profissionais de saúde do SEMAPAD, proporcionando-lhes a oportunidade de reciclagem e atualização de conhecimentos, de forma continuada.
Os beneficiários do SEMAPAD, ou seja, os pacientes atendidos, também devem sentir-se na responsabilidade de avaliar, continuamente, a qualidade do atendimento recebido. Um simples sistema de registro de queixas, reclamações e sugestões, quando gerenciado com competência e com transparência, pode constituir-se em importante instrumento de avaliação contínua da qualidade dos serviços prestados, gerando subsídios para possíveis e necessárias mudanças de rumo.
MENSAGEM FINAL
Implantar um Serviço Municipal de Assistência ao Paciente Diabético é um grande desafio médico, social, econômico e político e somente os administradores com maior visão de saúde pública se sentirão motivados a levar este projeto adiante. Diferenças político-partidárias devem ser deixadas de lado, em benefício da necessitada população de pacientes diabéticos de seu município.
Esta PROPOSTA BÁSICA PARA A ASSISTÊNCIA AO PACIENTE DIABÉTICO NO MUNICÍPIO é apenas um documento básico e preliminar, que não tem a pretensão de ser completo e nem de esgotar o assunto. O Ministério da Saúde tem procurado estimular o desenvolvimento de ações preventivas e de controle em relação ao diabetes. Aos municípios e aos estados, cabe a responsabilidade pela efetiva implementação dos programas de assistência ao paciente diabético.
As sociedades médicas da especialidade (SBD e SBEM) garantem o suporte técnico para o desenvolvimento de políticas eficazes de cuidados com os pacientes diabéticos.
A iniciativa privada, através da AÇÃO PRÓ-PACIENTE DIABÉTICO, desempenha seu papel de relevância social no sentido da promoção da saúde, colaborando com a universidade, a comunidade acadêmica e as sociedades médicas da especialidade para que, todos juntos, possam reverter o preocupante quadro do diabetes no Brasil.
Como obter informações adicionais
Se você se interessou em implementar este projeto de assistência ao paciente diabético em seu município, por favor, comunique-se por fax, carta ou e-mail com a Sociedade Brasileira de Diabetes, manifestando o seu interesse.
Depois de avaliar o número total de municípios interessados neste projeto, a Sociedade Brasileira de Diabetes estabelecerá uma estratégia de disponibilização de informações adicionais e de reuniões de orientação quanto a aspectos práticos do projeto.
Endereço para Correspondência / Fax / e-mail:
SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES
PROJETO MUNICIPALIZAÇÃO
Av. Paulista, 2.073 - 21º andar - Cjto 2123 CEP 01311-300, São Paulo, SP
FONE/FAX: 0**(11) 289 - 2941
e-mail: [email protected]





