O fim da necessidade de jejum para a realização exames de sangue

Dr. Reginaldo Albuquerque

  • Professor da UnB (1967-1981)
  • Superintendente de Ciências da Saúde CnPq (1982-1991)
  • Editor do site da Sociedade Brasileira de Diabetes (2005-2011)
  • Ex-Consultor em Educação da UnaSus/Fiocruz

Esta dúvida é frequente e é uma pergunta inevitável após a entrega das requisições dos médicos aos pacientes. Ao longo dos anos foi se consolidando a rotina da obrigatoriedade do jejum para a realização de exames bioquímicos.

Existe realmente uma razão científica por trás desta prática? Na verdade, o jejum, é pouco estudado em humanos, mas nele sabemos que as reservas de glicose vão se esgotando e que outras fontes de energia, como proteínas e gorduras, passam a ser utilizadas para que o organismo se mantenha vivo. Quanto mais longo for o jejum, mais gorduras e proteínas vão sendo consumidas.

Os laboratórios alegam que vários nutrientes podem interferir nas dosagens bioquímicas. Na verdade estamos vivendo revoluções tecnológicas e avanços importantes no conhecimento da epidemiologia que estão alterando de uma forma significativa estes conceitos.

As técnicas se tornaram mais precisas, os contaminantes já podem ser removidos na fase pré-analítica e a reações das dosagens se tornaram tão específicas que os nutrientes deixaram de influenciar nos resultados finais.

A epidemiologia, por sua vez, tem dado uma significativa contribuição, ao mostrar que algumas determinações quando feitas no estado pós alimentar, guardam uma melhor relação com o aparecimento das complicações cardiovasculares.

Os exemplos típicos são da glicemia pós-prandial e dos triglicérides, cujas determinações pós-prandiais têm uma maior valor preditivo do que que as realizadas em jejum. Já com relação ao colesterol, não existe diferenças quando o exame é realizado em jejum ou após 12 horas de abstinência alimentar.

Estamos num período de transição, no qual muitos laboratórios de ponta, começam a mudar as suas rotinas não exigindo jejum, ou mesmo estabelecendo períodos diferentes dependendo das análises a serem realizadas.

Vale lembrar que o exame mais solicitado, o hemograma, não necessita de jejum e disto já sabemos nas nossas atividades de urgência.

Com a diminuição ou abolição do jejum, os nossos pacientes, certamente, ficarão mais agradecidos e confortáveis e terão menos resistência para a realização dos exames que necessitam realizar.

O gráfico abaixo mostra a situação atual e a evolução provável na solicitação dos exames pelos médicos:

Regras para Cada Exame:

Exames que precisam de jejum:

  • Triglicérides: 12 horas
  • Fator reumatóide: 6 horas
  • Fósforo: 4 horas
  • Glicose: 8 horas

Leitura adicional:

Sidhu D and Naugler C. Fasting Time and Lipid Levels in a Community-Based Population – A Cross-sectional Study. Arch Intern Med. 2012;172(22):1707-1710. doi:10.1001/archinternmed.2012.3708

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