O risco de periodontite em pessoas com diabetes

Dra. Elisa Grillo Araújo

  • Cirurgiã-Dentista especialista em Periodontia ACDC - Campinas
  • MBA em Gestão de Clínicas Médico-Odontológicas Fasam - Goiânia
  • Habilitação em Laserterapia USP - São Paulo

A periodontite (doença periodontal) é uma infecção crônica que acomete os tecidos de proteção e sustentação do dente (gengiva, ligamento periodontal e osso). Esse processo inflamatório, se não tratado, leva à perda do osso que sustenta o dente na boca e, consequentemente, à perda do próprio dente.

A inflamação da gengiva é desencadeada por bactérias gram-negativas, que geram uma resposta inflamatória que pode influenciar diversas condições sistêmicas. Isso faz com que a periodontite seja considerada a sexta complicação clássica do diabetes.

A interação entre o diabetes e a periodontite ocorre em uma ação bidirecional. Alterações na resposta do hospedeiro, na vascularização periodontal e nos níveis glicêmicos do fluido sulcular gengival facilitam a instalação ou alteram o curso da doença periodontal em diabéticos. Por outro lado, a inflamação da gengiva também dificulta a absorção de insulina, podendo causar uma descompensação glicêmica nos portadores de diabetes.

Apesar das evidências científicas dessa forte relação, existe uma carência de informação sobre o assunto, apontando a necessidade de maior integração entre o periodontista e a equipe médica.

Estudos epidemiológicos apontam que a grande maioria dos diabéticos desconhece a relação existente entre as duas doenças e também não é acompanhada por um periodontista regularmente. Ocorre que, sendo um problema silencioso, sem sintomatologia dolorosa, a periodontite, quando é enfim diagnosticada, já se encontra em fase avançada, apresentando mobilidade e perda dentária.

O tratamento periodontal curativo e preventivo pode evitar que o paciente diabético venha a perder dentes e, além disso, pode garantir um melhor controle metabólico. Por isso a importância do encaminhamento do paciente para avaliação periodontal tão logo seja diagnosticado o diabetes.

Conclui-se, diante do exposto, que é altamente recomendado que o dentista faça parte da equipe multidisciplinar responsável pelo acompanhamento dos pacientes diabéticos. Dessa forma, é possível reduzir as complicações periodontais e outras manifestações bucais associadas à doença, proporcionando melhor qualidade de vida a esses pacientes.


Referências Bibliográficas

  1.          BRUNETTI MC. Periodontia Médica: Uma Abordagem Integrada. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2004.
  1.          LITTLE W. J. et al. Manejo Odontológico do Paciente Clinicamente Comprometido. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008.
  1.          OPPERMANN RV, RÖSING CK. Periodontia para todos: da prevenção ao implante. Nova Odessa SP: Napoleão, 2013.
  1.          SILVA EB, GRISI DC. Periodontia no contexto interdisciplinar: integrando as melhores práticas: A interface entre a periodontia e condições sistêmicas. Volume 2. Nova Odessa SP: Napoleão, 2015.

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