Diabetes e memória metabólica: uma breve história do tempo – e o quanto ele é valioso

Dra. Andressa Heimbecher Soares

  • Endocrinologista
  • Especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.
  • Médica colaboradora do Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
  • Membro Titular da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e Membro Ativo da Endocrine Society.
Diabetes e memória metabólica: uma breve história do tempo

A cada ano novos medicamentos para o controle do Diabetes tem chegado ao mercado. Desde levar o rins a filtrar uma quantidade maior de açúcar (nossos inibidores de SLGT2) , até estimular a conversa hormonal intestino cérebro (análogos de GLP-1), passando pelo desenvolvimento de insulinas de ultra longa duração, todas as armas tem se mostrado interessantes quando o assunto é controlar nossos pacientes, baseado em escolhas individualizadas. No entanto, existe uma arma que é fundamental neste contexto e independe de individualização: o tempo.

Tempo é sinônimo de memória metabólica. Fenômeno descrito a partir da observação dos efeitos prolongados do bom controle glicêmico em grandes estudos clínicos. Em resumo, quanto melhor e mais brevemente se controla o diabetes melhor será a evolução do paciente, com menores complicações crônicas. Além disso, observou-se benefício nos estudos daquele período em que os pacientes estiveram mais controlados, com também benefícios prolongados – o que chamamos de efeito legado.

E o que tiramos de lição sobre isso? A primeira delas é o diagnóstico. Não deixar de rastrear Diabetes e Pré-diabetes naqueles pacientes com fatores de risco e uma vez feito o diagnóstico, não retardar o tratamento. Para profissionais de todas as áreas envolvidos no controle do Diabetes, a abordagem multidisciplinar como base de tratamento deve ser sedimentada como forma de alavancar processo de melhora nos níveis glicêmicos. A segunda lição é que a individualização do tratamento do paciente diabético depende também de considerar que existe um tempo em que você espera ver a melhora dos níveis de hemoglobina glicada e demais parâmetros metabólicos, e atrasar uma troca ou ajuste de medicamento pode fazer a diferença nos efeitos legado e de memória metabólica.

Tempo, para o diabético, pode ser medido em rins, retina, risco cardiovascular e outras complicações. Estarmos atentos para avaliar prontamente uma nova abordagem de tratamento é fazer o relógio andar a favor do nosso paciente.

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