Em artigo recém-publicado, foi revelado que os adolescentes (idade média de 16,4 anos) com diabetes tipo 1 e em uso de bomba de insulina (34,8% dos 159 participantes da pesquisa) apresentam menos distúrbios (p < 0,001) e mais tempo de sono noturno (7,8h vs. 7,2h, p=0,013) do que aqueles que usam outras formas de administração de insulina injetável.1 De forma complementar, sabe-se que menos distúrbios e duração e qualidade adequadas do sono favorecem um melhor controle glicêmico, visto que auxiliam na regulação da secreção de diferentes hormônios.2

Interessante e recém-publicado, estudo teve alguns de seus resultados apresentados durante o Congresso ATTD, no início do ano. Algo que chama a atenção desde o resumo da publicação é o aumento da média da glicemia nas crianças enquanto usavam o Pâncreas Artificial (de 147 mg/dl para 169 mg/dl). Contudo, os autores enfatizam outro aspecto associado a esse primeiro: redução de três vezes no tempo total de vigência da hipoglicemia; e, durante a noite, a mediana do tempo em hipoglicemia, que era de 2,2%, passou para 0%.

É importante lembrar que existem diferentes projetos de Pâncreas Artificial (PA) no mundo e que os resultados podem ser bastante diferentes dependendo: do algoritmo usado, da inclusão ou não de glucagon no sistema, entre outros fatores. De qualquer forma, o que se destaca neste estudo é o fato de o equipamento ter passado por um teste bastante difícil, visto que as crianças submetidas ao...

Para começar ou recomeçar, neste primeiro artigo do ano, trataremos de novidades tecnológicas e farmacológicas que cedo ou tarde chegarão ao Brasil. Como de costume, a maioria delas já está disponível em diversos outros países. Iniciaremos, então, por uma novidade que causou muita empolgação em 2015, por transmitir os resultados do sensor de glicose acoplado à bomba de insulina para o celular: o dispositivo Connect®, da empresa Medtronic®. Para quem tem o celular conectado à internet, os valores são, também, imediatamente enviados ao sistema CareLink® da empresa e podem ser visualizados em tempo real por todos aqueles que têm permissão de acesso (pais, outros familiares, profissionais de saúde, etc.). Em 2015 esse equipamento foi comercializado apenas nos EUA, mas, neste ano, essa novidade deve ser liberada por agências reguladoras em outros países (possivelmente também no Brasil).

Nessa mesma direção, e também da Medtronic®, está o Guardian Mobile®, destinado a pessoas...

A ideia neste mês é apresentar resultados de dois estudos que, de certa forma, buscaram responder a essa questão, “O que motiva ou desmotiva quem tem diabetes?”. O interessante sobre essas pesquisas é o fato de serem, de certa forma, complementares. A primeira delas se dedicou a pesquisar a questão com 31 adolescentes (13 a 18 anos) com diabetes tipo 1, e teve como objetivo principal verificar a importância de pessoas próximas (familiares, pares/amigos e profissionais de saúde).1 A segunda foi feita com 52 adultos/idosos com diabetes, doença cardíaca ou pulmonar.2

Um dos interessantes resultados do estudo com adolescentes foi em relação à percepção menos negativa do que se esperava quanto a viver com diabetes, ilustrado por alguns relatos de o diabetes ter se tornado algo natural. Esses mesmos participantes revelam que o diabetes teve grande influência sobre suas vidas, incluindo o desenvolvimento de maturidade precoce, que moldou até mesmo quem são....

No “The Lancet” deste ano foi publicada uma revisão extensa e, ao mesmo tempo, sucinta sobre atualizações de consenso, controvérsias e mudanças quanto ao tratamento do diabetes mellitus em crianças e adolescentes. Seria impossível comentar sobre as 8 páginas e mais de 100 referências, por isso alguns pontos de destaque foram selecionados.

Para começar, os autores chamam a atenção para o aumento expressivo da incidência de diabetes na população de crianças e adolescentes, que, entre 2001 e 2009, foi de 21% nos EUA. Destes, 11% são de tipo 2, 0,25% diabetes neonatal (resultado de uma ou mais mutações, que levam ao desenvolvimento de diabetes antes dos 6 meses de idade) e 1,2% do tipo MODY. Aqui cabe destacar que o diabetes tipo 2 (DM2) em crianças e adolescentes (geralmente aparece a partir da puberdade, associado a fatores de risco como: obesidade, etnia e histórico familiar) é mais agressivo, de progressão...

Pode parecer óbvio que a prática de atividade física, especialmente se regular e planejada (exercício físico), auxilia na prevenção de complicações através da melhoria do controle glicêmico. Contudo, pesquisadores indicam que não é só isso. Ou melhor, a prática regular de atividade física, aliada a um estilo de vida saudável (com destaque à alimentação), pode melhorar outros fatores de risco para o desenvolvimento de complicações, incluindo: hipertensão, dislipidemia e obesidade. Mesmo para quem não tem diabetes, o investimento também vale a pena. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a inatividade física é a principal causa de aproximadamente 21%-25% dos cânceres de mama e de cólon, 27% dos casos de diabetes e aproximadamente 30% da carga de doença isquêmica do coração

No caso de estudos durante acampamentos de diabetes, nos quais as crianças praticam atividade física todos os dias e se alimentam de forma saudável, os resultados são...

Nas últimas décadas, evidências têm se acumulado de que o peptídeo-C, diferente do que se pensava, tem sim efeito fisiológico. No presente artigo serão discutidos os dados compilados em uma recém-publicada revisão sobre o tema.1 Como não poderia deixar de ser, os autores da revisão começam o texto com informações sobre a descoberta dessa molécula, em 1967, e dão prosseguimento revelando resultados de estudos que não identificaram inicialmente que ela tinha ação biológica. Sabendo-se, então, que o peptídeo-C faz parte da molécula de pró-insulina, que, ao ser clivada, dá origem a esse peptídeo e à insulina, ambos armazenados e secretados juntos nas células-beta pancreáticas, entendeu-se que seria apenas um resíduo resultante da formação da insulina.

Com isso, a dosagem de peptídeo-C consagrou-se como forma indireta para detectar e quantificar a produção de insulina. Conforme observado em pesquisa, no próprio site da SBD pelo termo “peptídeo-C“, a maioria dos autores citam...

Preparava-me para escrever sobre hipoglicemias noturnas, quando me deparei com um curto artigo na PLoS Medicine1, em que hipoglicemias graves, ou severas, e assintomáticas também eram exploradas. Então, lembrei-me das estratégias publicadas pela JDRF2 para reverter hipoglicemias assintomáticas, o que me fez optar por uma discreta mudança do tema deste mês.

Para começar, é importante lembrar que a secreção de hormônios responsáveis pelo controle da glicemia, e da hipoglicemia, é comprometida em quem tem diabetes tipo 1. É, justamente, graças à ação desses hormônios, que quem não tem diabetes dificilmente apresenta hipoglicemia. Entre eles, fundamentais para a contrarregulação, estão o glucagon e a adrenalina. Um dos principais motivos para essa desregulação é o fato de a insulina, que já foi injetada, não ser inibida com a baixa da glicemia. Com isso, a ação desse hormônio (insulina), além de estimular a continuidade da retirada da glicose do sangue, inibe a liberação...

Além de felicidade, paz, amor e saúde, é possível esperar para 2015 muitas novidades em termos de medicamentos e tecnologias médicas que facilitem o manejo do diabetes e o controle da glicemia. Durante de 2014, muitos anúncios, resultados de pesquisas, lançamentos e pré-lançamentos mundiais apontaram para essas novidades. Além disso, eventos científicos nacionais e internacionais não faltarão para que elas sejam conhecidas (muitos deles já divulgados site da SBD: www.diabetes.org.br/eventos.

Dentre as novidades lançadas no Brasil, e amplamente divulgadas, vale a pena lembrar da insulina Degludec, primeira insulina basal a apresentar período total de ação bastante maior que 24 horas. Outro medicamento há muito aguardado para uso em diabetes tipo 2, a Dapagliflozina, também foi lançado, permitindo a eliminação de glicose na urina mais precocemente (antes que ocorra hiperglicemia). Além da bomba de insulina Veo®, que suspende a liberação de insulina quando é atingido determinado valor de glicose pré-programado, a...

A relação entre o diabetes tipo 2 e distúrbios do sono  já está bem estabelecida, como é o caso da apneia obstrutiva (paradas respiratórias devido à interrupção física na passagem de ar para os pulmões). Além disso, a qualidade do sono deteriorada e a redução crônica na duração do sono noturno têm sido apontadas como fatores de risco para o desenvolvimento de obesidade, hipertensão e diabetes tipo 2. Os motivos parecem muitos e entre eles estão: maior oportunidade para se alimentar excessivamente enquanto acordado, alteração no perfil e nos níveis de hormônios responsáveis pelo apetite e pela saciedade (destacam-se a grelina e a leptina), e ativação de mecanismos de estresse, como o sistema nervoso simpático e a liberação de hormônios hiperglicemiantes em quantidade e horário inesperados.

Apesar de poucos grupos de pesquisa terem se debruçado sobre a questão do sono em diabetes tipo 1 (DM1), os achados dos últimos anos...

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