O Exercício Físico Melhora o Controle Glicêmico de Pacientes Diabéticos Tipo 2 em tratamento com Insulina


Helena Schmid, MD, PhD
Professora Associada da UFRGS/ HCPA
Professora Titular UFCSPA

Conforme recomendações da Sociedade Americana de Diabetes, 2010, apresentada em coluna anterior, pacientes diabéticos devem receber recomendação para realizar pelo menos 150 min/semana de exercício físico aeróbico de moderada intensidade (ou seja, atingindo 50 a 70% da freqüência cardíaca máxima). Na ausência de contra-indicações, pacientes com Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) devem ser encorajados a realizar treinos de resistência, pelo menos 3 vezes por semana. Estas recomendações são decorrentes do fato de que tem sido mostrado em diferentes estudos, que o exercício regular melhora o controle glicêmico, diminui os fatores de risco cardiovasculares, contribui para perda ponderal e produz bem-estar. Mas será que benefícios ocorrem também em pacientes do tipo 2, obesos, e que já estejam usando insulina? Apresentamos a seguir artigo original no qual esta possibilidade foi avaliada.

O estudo foi publicado na revista “Diabetes Care” 30 (10), de outubro de 2007, título: “O Exercício Físico Melhora o Controle Glicêmico de Pacientes Diabéticos Tipo 2 em Tratamento Permanente com Insulina”; tendo sido publicado por De Feyter, HM e cols. No artigo os autores chamam a atenção para o fato de que a prática regular de exercícios físicos tem sido descrita como uma estratégia efetiva para prevenir e/ou tratar o diabetes tipo 2, mas que os benefícios clínicos deste tipo de intervenção em um grupo de pacientes diabéticos tipo 2 tratados permanentemente com insulina e com co-morbidades associadas são menos evidentes. No estudo que os autores verificaram a viabilidade e os benefícios de um programa de 5 meses de exercícios de baixo impacto, combinando, ambos, treinos aeróbicos e de musculação sobre o controle glicêmico, a composição corporal, a capacidade de trabalho muscular e capacidade oxidativa da musculatura esquelético de pacientes diabéticos tipo 2, com alto risco cardiovascular, tratados já por longo tempo com insulina. Onze pacientes diabéticos tipo 2, voluntários, do sexo masculino, com idade de 59 ± 3 anos, em média obesos, diagnóstico de diabetes tipo 2 há 12 ± 2 anos, tratamento com insulina há 7 ± 2 anos, sedentários, de elevado risco cardiovascular e em terapia estável para o diabetes há pelo menos 3 meses antes do estudo participaram da avaliação. Os treinamentos realizados eram de resistência muscular (musculação) progressiva, suplementados com intervalos de treinamento de alta intensidade: 4 tipos de exercícios da musculatura da parte superior do corpo (2 x 10 repetições e “leg-press” (2 x 10 repetições). 

O treinamento suplementar era realizado com 4 – 8 ciclos pedalando em bicicleta, por 30 a 60s em frequência cardíaca máxima de 50 a 60%. As sessões de exercício duraram em torno de 45 minutos e eram realizadas 3 vezes por semana.O treinamento físico neste estudo resultou em: melhora do controle glicêmico, com reduções significativas nas concentrações de glicemia de jejum e da HbA1c (de 7,6 ± 0,3 para 7,2 ± 0,2); diminuição da exigência diária de insulina ao longo do tempo, diminuição da pressão arterial média, diminuição da pressão arterial sistólica, aumento da força muscular, diminuição da massa de gordura do tronco e aumento da massa magra muscular das pernas. 

Considerando os achados os autores do artigo recomendam a combinação de exercícios do tipo musculação e aeróbicos de baixo impacto (por exemplo, em bicicleta, como no estudo) para os pacientes diabéticos tipo 2 tratados com insulina.

Comentário dos autores da coluna ao leitor: é importante lembrar que para o treinador e paciente tenham informação sobre a freqüência cardíaca atingida no treino, a mesma deve ser permanentemente monitorada enquanto o paciente faz os exercícios físicos.

Por: Cláudio Fernando Goelzer Neto (Biomédico, Mestrando em Ciências da Saúde – UFCSPA); 

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