O que você precisa saber sobre lipohipertrofia

Dr. Augusto Pimazoni-Netto

  • Coordenador do Grupo de Educação e Controle do Diabetes do Hospital do Rim e Hipertensão da Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP
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A lipohipertrofia é um efeito colateral bastante comum em pacientes submetidos à terapia insulínica de longo prazo, sendo caracterizada por lesões fibrosas e pobremente vascularizadas, localizando-se no tecido adiposo subcutâneo.

Estudos em diferentes países mostram uma prevalência de 28 a 64% em pacientes com DM1 ou DM2, sendo geralmente mais comum no DM1.

Embora a etiologia exata da lipohipertrofia ainda seja pouco esclarecida, podemos dizer que fatores pré-disponentes incluem duração do tratamento insulínico, frequência de reuso da agulha e, especialmente, a prática de injeções repetidas na mesma área do corpo e relacionada à injeção incorreta e à falta de técnicas de rotação do local da injeção.

Existe uma tendência natural do paciente preferir aplicar a insulina diretamente na lesão lipohipertrofia, tendo em vista que, segundo a maioria dos pacientes, a dor da injeção ficaria reduzida.

Um excelente artigo sobre o assunto da lipohipertrofia mereceu uma publicação online antes da publicação impressa, no dia 13 de julho de 2016, na prestigiada revista Diabetes Care. Basicamente, o estudo foi conduzido em pacientes que já apresentavam lesões de lipohipertrofia. Com o objetivo de avaliar o impacto da aplicação intra-lesional de insulina nas lesões lipohipertróficas, em comparação com aplicações em áreas não afetadas por essa complicação, o estudo foi conduzido em 13 pacientes com diabetes tipo 1.

Os resultados do estudo mostraram uma redução na absorção e nos efeitos hipoglicemiantes de insulina quando aplicada diretamente nas lesões de lipohipertrofia, o que provoca um aumento maior ou igual a 26% nos níveis de glicemia pós-prandial. Níveis glicêmicos da ordem de ≥300 mg/dL foram detectados em 2 pacientes que receberam injeção intra-lesional de insulina.

Os autores concluíram que a absorção e a ação da insulina estão prejudicadas, promovendo, ainda, um aumento considerável da variabilidade intra-individual quando as injeções eram aplicadas intra-lesionalmente. Essas condições promovem uma deteriorização profunda no controle glicêmico pós-prandial.

Para terminar, quero dizer que de nada adianta o médico dispor das melhores insulinas se o paciente não seguir rigorosamente as técnicas recomendadas para a autoaplicação de insulina.

Refência Bibliográfica

Famulla S et al. Insulin Injection Into Lipohypertrophic Tissue: Blunted and More Variable Insulin Absorption and Action, and Impaired Postprandial Glucose Control. Diabetes Care 2016 Jun; dc160610. https://doi.org/10.2337/dc16-0610

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