Diabetes no Brasil: podemos melhorar o atendimento?

Dr. Augusto Pimazoni-Netto

  • Coordenador do Grupo de Educação e Controle do Diabetes do Hospital do Rim e Hipertensão da Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP
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Diabetes no Brasil: podemos melhorar o atendimento?

1. A diabetes é controlável, mas muitas pessoas não sabem que têm a doença. Quais os sinais que servem de alerta para a diabetes?

De fato, o diabetes é, em geral, uma condição controlável, com maior ou menor dificuldade de controle, dependendo de cada paciente. O grande problema para o diagnóstico é o fato de que, na maioria dos casos, o diabetes evolui sem produzir sintomas mais expressivos. Classicamente, as pessoas que apresentam sinais e sintomas do diabetes na evolução da doença podem apresentar excesso de sede, fome excessiva e excesso de urina, entre outras manifestações.

2. Quais os fatores que favorecem o desenvolvimento da doença? A idade avançada é um deles?

Sim, o diabetes é uma doença progressiva que exige avaliações frequentes (a cada 6 ou 12 meses, conforme a evolução clínica de cada paciente). A idade avançada é uma condição na qual pode haver uma dificuldade maior para o controle da doença.

3. Quais os tipos de diabetes e as diferenças entre eles?

Basicamente, os tipos mais comuns de diabetes são o diabetes tipo 1 (DM1, mais frequente em crianças e adolescentes), o diabetes tipo 2 (DM2, também conhecido como o diabetes do adulto) e o diabetes gestacional (DG, aquele que se manifesta durante a gravidez).

4. Quantos brasileiros têm hoje diabetes e quantos devem desenvolver a doença nos próximos anos?

Atualmente, a população estimada de pessoas com diabetes, no Brasil, atinge a cifra de 13 a 14 milhões de pessoas. A doença vem ocorrendo com uma frequência cada vez maior, sendo atualmente considerada uma epidemia em todo o mundo.

5. Segundo a OMS, os casos de diabetes estão crescendo em todo o mundo e é agora mais comum nos países em desenvolvimento. Quais são as razões que levam a esse crescimento nesses locais?

Na verdade, o diabetes é uma condição “democrática”, atingindo pessoas de todos os sexos, raça ou nível social. Para aquele segmento de nível sócio cultural mais baixo as consequências tendem a ser intensificadas em função da falta de acesso às abordagens terapêuticas mais modernas. Além disso, os mais pobres sofrem também as consequências da falta de acesso às informações sobre a doença, tendo em vista que as atividades de educação em diabetes a todos os segmentos da população comprometida ainda são muito tímidas.

6. Quais os principais riscos da doença?

Os principais riscos do diabetes são as complicações crônicas decorrentes do mau controle glicêmico que atinge a maior parte das pessoas com diabetes. Entre as complicações mais sérias, decorrentes do mau controle glicêmico podemos destacar o aumento do risco de cegueira, complicações renais, complicações cardiovasculares, amputações de membros inferiores, entre outras.

7. Como evitar as complicações do diabetes?

Não existe milagre. Cuidado com as falsas promessas mirabolantes prometendo a cura do diabetes. As complicações podem ser evitadas ou retardadas através da educação em diabetes e da adoção de condutas terapêuticas mais eficazes e mais seguras.

8. Há medicamentos para controle da doença distribuídos na Farmácia Popular do governo federal. Essa medida pode ser combinada com alguma outra política pública de prevenção e controle? Qual?

A farmácia popular é, sem dúvida, um programa importante em termos de facilitar o acesso ao tratamento farmacológico do diabetes. Entretanto, ainda não dispõe de opções terapêuticas mais modernas, principalmente em função do custo mais elevado. Mais uma vez chamamos a atenção no sentido de que, se não houver educação em diabetes, a eficácia do tratamento medicamentoso estará bastante comprometida.

9. Há muita diferença entre a forma como tratamos a doença no Brasil, em comparação com países desenvolvidos? Quais?

Por razões óbvias, os países mais desenvolvidos tendem a oferecer uma melhor abordagem, tanto educacional como terapêutica, para as pessoas com diabetes.

10. Há dez anos, o tratamento e o controle da diabetes eram muito diferentes dos de hoje? O que mudou? E quais as tendências para os próximos anos?

Nos últimos 10 anos, o progresso na terapêutica farmacológica do diabetes foi muito expressivo, o que permitiu que os esquemas terapêuticos se tornassem mais seguros e eficazes. Entretanto, a abordagem farmacológica, mesmo a mais moderna, pode ter sua eficácia prejudicada se não houver uma política eficaz de educação em diabetes.

11. Abordagens mais modernas não promoveriam um maior impacto em termos de custo do diabetes?

Creio que podemos escolher entre duas opções: maior custo inicial com melhor tratamento ou maior custo de longo prazo por conta das complicações crônicas. Controle do diabetes em curto prazo é investimento. Complicações crônicas decorrentes do mau controle do diabetes é simplesmente um custo.

12. Há algum comentário extra que queira fazer sobre o tema?

Com uma política eficaz de educação e controle do diabetes, sem sombra de dúvidas, poderemos melhorar bastante o controle da doença, prevenindo ou retardando as complicações. Por outro lado, se nada for melhorado no programa brasileiro de atenção às pessoas com diabetes, não há como termos perspectivas animadoras sobre o controle da doença.

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