A depressão e seu impacto sobre o diabetes

Dr. Augusto Pimazoni-Netto

  • Coordenador do Grupo de Educação e Controle do Diabetes do Hospital do Rim e Hipertensão da Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP
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“Sou diabética do tipo 1 há 23 anos. Logo que descobri o diabetes, comecei a ter fortes dificuldades para acordar/levantar (desde os 13 anos; isso acontece até hoje).

Minha hemoglobina glicada (A1C) sempre ficou em 8,0 a 8,3 durante os primeiros 15 anos da doença.

Quando eu estava terminando a faculdade, entrei em uma depressão profunda, imobilizadora (tinha 22 anos na época), minha memória foi para o espaço e minha capacidade de concentração e habilidade de fazer as coisas era muito grande (sinto que nunca me recuperei). Fui a psiquiatras na época, tomei alguns remédios, mas o estado depressivo profundo nunca me deixava fazer o tratamento corretamente (abandonava o uso dos remédios pouco tempo depois que começava a usá-los).

Aos 27-28 anos iniciei um tratamento melhor com as novas insulinas (Lantus/Novorapid) e minha A1C baixou, ficando entre 7,2 e 6,2. Após esse período, tive uma melhora no meu estado emocional. Consegui voltar a trabalhar. No entanto, meus atrasos (problemas ao levantar) e a dificuldade em terminar minhas tarefas eram sempre recorrentes.

De uns tempos para cá (agora estou com 35 anos) estou me sentindo depressiva novamente (em estado emocional e em realização de tarefas-bloqueio). Minha última A1C foi de 6,6. Segundo meu endócrino, especialista em diabetes, esse valor é considerado como bom. Surgiu o hipertiroidismo também, por volta dos 32 anos tive o diagnóstico. Noto que com a tireoide controlada, meu estado emocional melhora também, mas SEMPRE o acordar incomoda.

O estado de bloqueio para a realização de minhas atividades profissionais e minha memória NUNCA melhoraram. Estou me sentindo esgotada, cansada em conseguir ajustar todas essas doenças juntas. A sociedade (amigos, familiares, conhecidos) cobra, julga e isso piora tudo. Sei que não sou eu, mas sempre me sinto perdida quanto ao que fazer. Se é diabetes, tireoide ou depressão mesmo. Existe algum lugar que tenha tratamento conjunto de diabetes e relacionados à depressão?”


NOTA DO EDITOR

O relato franco e aberto sobre os problemas de saúde enfrentados por nossa leitora (LF) é um exemplo típico das consequências da depressão sobre o diabetes. Para ser mais preciso, esse relato parece refletir o contrário, ou seja, o impacto do diabetes sobre um estado de permanente depressão. Na verdade, esses dois fatores negativos interagem profundamente e casos como esse devem efetivamente receber uma abordagem interdisciplinar com o objetivo maior de reduzir os conflitos enfrentados com muito esforço por nossa leitora.


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Comentários  

Cris Dias 11-04-2017 11:53
Não é fácil pra ninguém, em nenhuma das etapas da vida.
Vivo com este problema há 35 anos, e ainda hoje sofro com as limitações.
Apesar de tudo, hoje com 42 anos, um filho adolescente, formada, trabalho, sou independente, mas o medo de depender de alguém algum dia por conta das complicações da doença me aterroriza todos os dias.
Faço uso de sertralina, e acredito que isso me deixa mais animada pra levar a vida.
Pratico atividade física, tenho uma vida social, busco me relacionar com pessoas positivas, e gosto de ajudar as pessoas que se sentem mal com esta doença, falando sobre a minha experiência.
Problemas todo mundo tem, basta descobrir qual a forma mais adequada para conviver com eles.

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