O diabetes nas mídias sociais

Dr. Edson da Silva

  • Doutor em Biologia Celular e Estrutural (UFV)
  • Docente da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri - UFVJM
  • Coordenador do Grupo de Estudos e Pesquisas dos Diabetes da UFVJM
  • Especialista em Educação em Diabetes (UNIP)
O diabetes nas mídias sociais

Grande parte da população utiliza as redes sociais diariamente, seja para o uso profissional ou pessoal. A rede social é um tipo de mídia social que favorece a interação entre as pessoas, independente de nível social e posição geográfica. No ambiente virtual há a criação e o compartilhamento coletivo de conteúdos em diversos formatos, principalmente textos, fotos e vídeos. Toda rede social é constituída por pessoas que possuem interesses em comum e que se relacionam e compartilham informações com um ou mais usuários da rede. Porém, será que todas as informações sobre o diabetes compartilhadas nas mídias sociais têm utilidade e são seguras para os pacientes? Ou seguem as recomendações das diretrizes nacionais e internacionais do diabetes?

Estudos apontam que os sites variam consideravelmente no que se refere à qualidade e à autenticidade de seus conteúdos em vídeos e textos, o que pode ser um risco para pacientes com diabetes e até mesmo para acadêmicos de cursos da área de saúde, além de profissionais desatualizados, pela inabilidade de identificar os conteúdos pouco úteis para atualização sobre o diabetes.

O vídeo enquanto recurso de comunicação, pode ser importante na tentativa de criar espaços de ensino e de aprendizagem mais interativos e atraentes para as gerações atuais. Dependendo dos objetivos, pode favorecer o empoderamento do paciente para o autocuidado com o diabetes, e ser uma excelente ferramenta no processo de educação em saúde. Além disso, o vídeo pode estimular a pesquisa, incentivar o compartilhamento de experiências entre a formação universitária e a população, desenvolver competências individuais e potencializar o trabalho em equipe e a atualização profissional.

Entretanto, com a popularização do YouTube, os educadores em geral encontram dificuldades no estabelecimento de parâmetros para a produção adequada de vídeos. Infelizmente, tanto no exterior quanto no Brasil, muitos vídeos do YouTube e páginas do Facebook compartilham conteúdos sem utilidade ou com promessas de cura do diabetes, o que põe em risco o tratamento e a saúde dos pacientes.

Pesquisas com vídeos do YouTube e grupos do Facebook relacionados ao diabetes têm sido realizadas e mostram que tais mídias sociais podem fornecer conhecimentos úteis, informações autênticas e apoio para educar pacientes com diabetes e seus cuidadores. Neste sentido, é preocupante o número de anúncios e de conteúdos sem utilidade que recebem “curtidas’’ nas mídias sociais. No Brasil, não conhecemos estudos que tenham identificado a origem e os conteúdos de vídeos do YouTube e de postagens em grupos no Facebook sobre diabetes e suas complicações. Assim sendo, não sabemos se os conteúdos compartilhados seguem as diretrizes nacionais e internacionais para o manejo do diabetes.

Percebemos que no YouTube do Brasil é grande o número de vídeos com falsas promessas sobre o diabetes, especialmente aqueles realizados por profissionais de saúde devidamente credenciados para o exercício profissional.

Apesar de nosso pouco conhecimento sobre a utilização das mídias sociais na promoção da saúde e no controle do diabetes no Brasil, as atividades de autopromoção e os anúncios com falsas promessas de tratamento e de cura do diabetes são riscos comuns nas interações on-line. Tais riscos devem ser severamente combatidos por todos nós, profissionais, cuidadores e pacientes envolvidos no diabetes. Além de reconhecermos a possível contribuição das mídias sociais na promoção da saúde, é necessário o entendimento de que nenhuma conduta terapêutica pode ser realizada com base nas orientações disponíveis na Internet e que nada substitui a consulta médica e a decisão terapêutica da equipe multidisciplinar de saúde que acompanha o paciente com diabetes mellitus. Seguir as orientações disponíveis nos portais da Sociedade Brasileira de Diabetes na Internet é uma boa maneira de se atualizar e esclarecer muitas dúvidas.

Referência:

1. ABEDIN, Tasnima et al. Social Media as a Platform for Information About Diabetes Foot Care: A Study of Facebook Groups. Canadian Journal of Diabetes, v. 41, n. 1, p. 97-101, 2017.

2. ABEDIN, Tasnima et al. YouTube as a source of useful information on diabetes foot care. Diabetes research and clinical practice, v. 110, n. 1, p. e1-e4, 2015.

3. MOGI, Yuhei et al. Social Networking Sites for Peer-Driven Health Communication: Diabetes-Related Communities in Google+. Diabetology International, p. 1-5.

4. PETROVSKI, Goran; ZIVKOVIC, Marija; STRATROVA, Slavica Subeska. Social media and diabetes: can Facebook and Skype improve glucose control in patients with type 1 diabetes on pump therapy? One-year experience. Diabetes care, v. 38, n. 4, p. e51-e52, 2015.



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