A incompetência levada às últimas consequências...

Dr. Augusto Pimazoni-Netto

  • Coordenador do Grupo de Educação e Controle do Diabetes do Hospital do Rim e Hipertensão da Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP
  • E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.
A incompetência levada às últimas consequências...

Em apenas um parágrafo, o Conselho Federal de Medicina consegue mostrar a triste realidade da saúde pública no Brasil.


A incompetência levada às últimas consequências...

“Segundo o levantamento, a cada consulta ambulatorial realizada nos serviços contratados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o médico recebe cerca de R$ 10,00. Para tratar um Acidente Vascular Cerebral (AVC) em um paciente internado, até dois profissionais podem repartir R$ 9,20 por, no máximo, sete diárias, e que são repassados pelo Ministério da Saúde a título de remuneração pelos serviços prestados na rede pública. Esses são apenas alguns exemplos dos valores pagos às equipes médicas por procedimentos imprescindíveis à vida de milhares de brasileiros.”

1. No Brasil, temos poucos estudos sobre o número de pessoas com diabetes, complicações, gastos com internações, etc. O Ministério da Saúde publicou que em 2015 o governo gastou 92 milhões de reais em complicações. Gostaria de saber como o Brasil pode reverter este valor gasto.

Pimazoni: A simples menção dos valores de gastos governamentais com a saúde não leva a qualquer conclusão, principalmente num país onde a incompetência e a corrupção se unem em macabro matrimônio, sob as bênçãos de uma classe política totalmente despreparada. Por essas razões, ninguém pode garantir que os 90 milhões de reais foram efetivamente gastos com políticas inteligentes de saúde.

2. Por que é tão difícil no Brasil e no mundo um paciente conseguir um controle que seja igual ou menor de hemoglobina glicada de 6,5%?

Pimazoni: O embaixador Roberto Campos, um gênio de saudosa memória, costumava dizer que, “no Brasil, a ignorância tem um passado glorioso e um futuro brilhante”. Diabetes é uma doença séria, de graves consequências quando não controlada de forma adequada. Definitivamente, o controle do diabetes não é uma prioridade brasileira. Não existe soluções mágicas capazes de atingir as metas terapêuticas sem uma política efetiva de educação em diabetes.

3. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, publicados neste ano, as causas dos gastos em diabetes é o excesso de peso que afeta 54,2% dos brasileiros, a obesidade 20,1% dos brasileiros e a inatividade física que corresponde a 27,2% dos brasileiros. Você Concorda? Pode explicar por que concorda?

Pimazoni: Todos os fatores mencionados nessa questão têm efetivamente um impacto nocivo sobre o controle do diabetes. Entretanto, saliento mais uma vez que o grande problema da população diabética é a ignorância sobre como proceder para conseguir atingir as metas terapêuticas.

4. Segundo dados do IDF de 2015, no mundo são gastos 12% das despesas com saúde correspondendo a 673 bilhões de dólares. Como podemos reverter?

Pimazoni: A questão básica não se resume apenas no valor das cifras apresentadas pela IDF. Existem duas formas de se utilizar verbas de saúde pública: a forma inteligente e a forma perdulária. Creio não haver dúvidas que o caso brasileiro é caracterizado pela forma perdulária.

5. Na sua opinião, por que as autoridades e a sociedade como um todo não dão a devida atenção ao diabetes?

Pimazoni: As principais causas pelas quais o diabetes não vem recebendo a devida atenção nas estratégias de política de saúde podem ser resumidas em duas condições básicas: em primeiro lugar porque, no Brasil, não é uma prioridade de saúde pública; em segundo lugar, porém não menos importante, é a falta de um esforço conjunto entre sociedades médicas e sociedades de pacientes ligadas à atenção à população diabética.

6. Há algo a acrescentar?

Pimazoni: Nos últimos 30 anos, dediquei grande parte de meu tempo promovendo o conceito da educação em diabetes como uma estratégia essencial para vencer o grave problema das complicações derivadas do mau controle do diabetes. Infelizmente, o que observei durante esse longo período foram tentativas modestas de implementação de projetos eficazes para tal fim. Por enquanto, não tenho elementos para imaginar que, algum dia, conseguiremos fazer a coisa certa.

Fonte:

Entrevista concedida à Jornalista Vanessa Pirolo

Outras Ideias e Comentários

Fale Conosco SBD

Rua Afonso Braz, 579, Salas 72/74 - Vila Nova Conceição, CEP: 04511-0 11 - São Paulo - SP

(11) 3842 4931

!-

secretaria@diabetes.org.br

-->

SBD nas Redes