Quando empoderar o paciente é também uma forma de tratar

Dra. Andressa Heimbecher Soares

  • Endocrinologista
  • Especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.
  • Médica colaboradora do Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
  • Membro Titular da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e Membro Ativo da Endocrine Society.
Doutor Google

Em menos de 5 segundos seu paciente já pode tirar aquela dúvida, daquele exame que você solicitou, em uma infinidade de sites ou páginas do Facebook. Ou ainda, ser levado a assistir diversos vídeos por horas... até que ele se sinta informado o suficiente, para então chegar na consulta e ouvir a sua opinião.

Quem nunca passou por isso? O paciente que consulta o Dr. Google deixou de ser uma exceção e virou praticamente a média de todas as consultas que muitas especialidades fazem. E a nossa conduta diante de situações como essa vai definir muito de nossa relação médico-paciente a partir de agora, nos dias de hoje.

A ideia é que você está diante de um paciente que se interessa pelo seu quadro clínico, e tem grande potencial de aderência ao tratamento que você irá propor, desde que ele sinta confiança nas informações que irá ouvir de você. Antes de pensar na internet como uma potencial “atrapalhadora” de consultas, pense como uma aliada. Imagine para aquele paciente diabético que finalmente, ao pesquisar na Internet, entende que um pão branco é feito de farinha branca e que, portanto, ao ingeri-lo, ocorre elevação da glicemia tanto quanto se ingerisse açúcar?

Conhecer o perfil do paciente e o que o levou a buscar a informação no mundo virtual ajuda muito a entender um pouco do nosso atendimento aqui, no mundo real. Será que ele não buscou apoio na internet porque não se sentiu seguro em perguntar para você a dúvida? Ou a data de retorno estava muito longe? Ou ele não tinha como contatar você? Aqui, vale a sua reflexão.

E, sim, na era da informação e tecnologia, é inevitável que nossos pacientes busquem cada vez mais saber mais sobre seus exames e quadros clínicos. A nossa função é orientar para que esse conhecimento venha de fontes corretas e que ajude de fato o paciente. É a palavra da moda: “empoderamento” do paciente.

Explique que é importante que a informação lida seja de fontes confiáveis e busque, você mesmo, bons sites de informações para indicar aos seus pacientes. Hoje existem diversos portais de Saúde com informações para leigos e com embasamento técnico. Pode ter certeza que eles irão agradecer, e voltar.


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