Quando perder o peso é apenas metade do caminho

Dra. Andressa Heimbecher Soares

  • Endocrinologista
  • Especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.
  • Médica colaboradora do Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
  • Membro Titular da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e Membro Ativo da Endocrine Society.

Vamos começar com um estudo saído do forno, de agosto de 2016, que reuniu 14 dos 16 participantes do Reality show Biggest Loser. Este estudo, publicado na conceituada revista médica Obesity, acompanhou os participantes ao longo de 6 anos e é no momento o mais longo (que se saiba) sobre como se comporta o organismo quando perdemos e reganhamos peso.

Durante o período, a maior parte dos participantes apresentou – infelizmente – reganho de peso, exceto um participante que não ganhou peso. No entanto, o que chamou atenção, foi a taxa metabólica basal.

A taxa metabólica basal é o quanto nosso metabolismo gasta para se manter em repouso. Logo após o final do programa, os participantes, com um peso menor do que no começo do programa, tiveram suas taxas metabólicas medidas e comparadas com o começo do programa. Surpreendentemente os resultados mostraram que as taxas metabólicas do começo - antes da perda de peso - eram maiores e, após perderem peso, menores. Porém, quando os participantes voltaram a ganhar peso, suas taxas metabólicas continuaram baixas e bem semelhantes aos níveis do final do programa.

Isso é chamado adaptação metabólica, que age impedindo uma perda peso adicional – como um mecanismo de proteção, o que torna manter o peso perdido mais complicado com o passar do tempo.

Nosso corpo apresenta a tendência de conservar energia e evitar a perda de peso. Evoluímos assim ao longo dos milênios e é esse um dos motivos da dificuldade de perder e manter o peso perdido. Pesquisadores agora tem a ideia do tamanho do boicote do nosso corpo quando estamos de dieta. Para ser exato: a cada 900 gramas de perda de peso, seu corpo tende a fazer você comer mais 100 kcal. Possivelmente, uma das causas de reganho de peso esteja aí: além da redução do metabolismo, o aumento compensatório do apetite.

E tem saída? Bem, não é fácil. Dietas radicais não são a solução, pois muito raramente você conseguirá mantê-las por um longo período de tempo, além da perda de massa muscular (e não da massa gordurosa) poder acontecer com maior intensidade em perdas de peso muito agressivas. Fórmulas mágicas não existem e aqui a boa e velha dica de programar atividades físicas regulares e duradouras na sua vida e, também rever de vez seu cardápio são providências fundamentais. E não esqueça: uma avaliação médica e nutricional sempre vai bem!

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