O impacto econômico de hospitalizações atribuídas ao diabetes e suas complicações

Luciana Bahia

Dra. Luciana Bahia
CRM-RJ 52-52723/7

  • Mestre em Endocrinologia e Doutora em Biociência
    pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Recentemente foi publicado o estudo “Disease and Economic Burden of Hospitalizations Attributable to Diabetes Mellitus and Its Complications: A Nationwide Study in Brazil” desenvolvido por uma colaboração de pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG), a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) para estudo de custos das doenças crônicas no Brasil em consonância com a implementação do Plano de Ações Estratégicas para o enfrentamento das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) no Brasil e atendendo a uma demanda do Ministério da Saúde.

O diabetes impõe uma grande carga econômica aos sistemas de saúde e aos indivíduos, uma vez a doença aumenta o uso de serviços de saúde, a perda de produtividade e a incapacidade. Em função das complicações, pacientes diabéticos estão em maior risco de desenvolver outras doenças em comparação a não diabéticos. A carga econômica total do diabetes no Brasil ainda é pouco estudada. Os custos de hospitalizações associados ao diabetes e suas complicações são relatadas como a porção mais significativa de custos médicos diretos. Neste estudo, estimou-se o número de internações por DM e atribuíveis as suas complicações em todas as unidades de saúde do SUS no ano de 2014.

As estimativas foram feitas com base na prevalência auto-referida de diabetes derivada da Pesquisa Nacional de Saúde/2013 e considerando a população maior de 18 anos e nas 27 Unidades da Federação, regiões e país como um todo. Os dados brutos de hospitalização foram obtidos dos arquivos do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH-SUS). As internações foram categorizadas em dois grupos: (a) DM propriamente dito e (b) complicações crônicas do DM e outras doenças relacionadas. A proporção de internações por DM foi estimada pelo método do risco atribuível para o segundo grupo. Esse método considera que os pacientes diabéticos utilizam mais os serviços de saúde do que os não-diabéticos e que uma parte dos cuidados associados a esses cuidados médicos pode ser atribuída ao DM. O risco de apresentar determinada condição médica, de acordo com a presença ou não de DM, e a proporção da população com a doença são combinados para calcular a fração etiológica.

Estimou-se que 17.320.339 indivíduos adultos no país seriam diabéticos. Um total de 11.3 milhões de hospitalizações foram registradas em 2014, dos quais 8.6 milhões (76,2%) foram em adultos. Destas internações, 313.273 foram por DM, correspondendo a 3,6% das internações totais e representando uma taxa de internação de 22,8/10.000 adultos. DM per se representou 41,9% das internações, seguido das doenças cardiovasculares atribuíveis ao diabetes (26,5%). As internações devido ao DM e condições relacionadas custaram R$463 milhões, representando 4,3% dos custos totais de hospitalizações no SUS (R$10.6 bilhões). A diferença entre as regiões do Brasil é bastante expressiva, variando o custo entre 18 milhões de reais para a Região Norte e 224 milhões de reais para a Região Sudeste.

As taxas de hospitalização da população adulta foram de 3,5 e 3,8/10.000 para homens e mulheres (respectivamente) entre 20-44 anos, e 146 e 133,3 para a faixa etária de 75 anos ou mais. Quando considerado o número absoluto e a taxa de hospitalização bruta, as mulheres tiveram mais internações que os homens. No entanto, ao considerar as taxas ajustadas por idade, estas são mais elevadas para os homens (23,9/10.000 habitantes) quando comparadas às mulheres (21,9/10.000). Enquanto o custo médio de uma hospitalização de um indivíduo adulto foi de R$1.240,75 em 2014, o custo médio de uma hospitalização por diabetes e doenças relacionadas foi aproximadamente 19% maior, atingindo R$1.478,75 reais. Entre as internações atribuíveis ao DM, as internações devido a doenças renais (R$2.803) e cardiovasculares (R$2.675) foram as que apresentaram maior custo médio. O custo médio de hospitalização foi significativamente maior em homens em todas as faixas etárias e para todos os grupos de diagnóstico, com exceção de neoplasias selecionadas, provavelmente por causa dos custos de câncer de mama incluídos neste grupo.

Este estudo apresentou uma visão geral detalhada das internações atribuíveis ao DM no Brasil considerando a perspectiva do SUS. Compreender os custos do diabetes e suas principais complicações são cruciais para aumentar a conscientização e permitir a avaliação de estratégias para reduzir sua prevalência e seu impacto.

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