Quem diria: Sobrepeso reduz risco de mortalidade em pessoas com diabetes tipo 2


Dr. Augusto Pimazoni-Netto
Coordenador do Grupo de Educação e Controle do Diabetes do Hospital do Rim e Hipertensão da Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP
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Afinal de contas, qual é o efeito do excesso de peso sobre o risco de mortalidade em pessoas com diabetes tipo 2? No conceito tradicional, e universalmente aceito, o excesso de peso seria uma condição que levaria a um aumento do risco de morte. Mas as coisas não parecem ser bem assim. Quando falamos em excesso de peso, temos que considerar duas condições clínicas distintas: o sobrepeso (IMC entre 25 e 29,9 kg/m2) e a obesidade franca (IMC > 30 kg/m2).

Um estudo recentemente publicado no Annals of Internal Medicine investigou a correlação entre o índice de massa corpórea (IMC) e o prognóstico clínico de pacientes com DM2, que não apresentavam doença cardiovascular conhecida no início do estudo. Informações sobre mortalidade por todas as causas e sobre a ocorrência de morbidade cardiovascular (síndrome coronariana aguda, AVC e insuficiência cardíaca).

Foram incluídos 10.568 pacientes, os quais foram acompanhados por um prazo de 10,6 anos. A idade mediana foi de 63 anos e 54% dos pacientes eram do sexo masculino. Os resultados desse estudo foram até certo ponto surpreendentes, em função dos seguintes achados: tanto os pacientes com sobrepeso como aqueles com franca obesidade apresentaram uma taxa mais alta de eventos cardíacos, tais como síndrome coronariana aguda e insuficiência cardíaca em comparação aos pacientes que apresentavam peso normal (IMC entre 18,5 e 24,9 kg/m2). Entretanto, apesar do grupo com sobrepeso apresentar aumento na taxa de eventos cardiovasculares, esse grupo apresentou um risco de mortalidade similar àquele apresentado por pessoas de peso normal.

Em outras palavras, os resultados desse estudo caracterizaram a condição conhecida como “o paradoxo da obesidade”, uma vez que, apesar dos pacientes com sobrepeso apresentarem risco mais alto de eventos cardiovasculares, paradoxalmente, esse risco de maior morbidade não teve como consequência um aumento de risco de mortalidade. Em resumo, os autores concluíram que os pacientes com DM2 que apresentavam sobrepeso ou obesidade, também apresentaram maior probabilidade de hospitalização por doenças cardiovasculares, enquanto que o grupo com sobrepeso apresentou uma redução inesperada do risco de morte.

Referência:

Costanzo P et al. The Obesity Paradox in Type 2 Diabetes Mellitus: Relationship of Body Mass Index to Prognosis: A Cohort Study. Ann Intern Med 2015;162(9):610-618. DOI 10.7326/M14-1551.

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Comentários  

Carlos Sarquis 29-04-2016 00:49
A explicação é simples, e isto é visto no consultório: pacientes em estágios iniciais de DM2 apresentam uma maior produção de insulina do que pacientes em estágios mais avançados. Portanto, os pacientes em estágios iniciais possuem peso maior do que os que estão em estágios mais avançados do DM2. Então, é sabido que pacientes insulinopênicos são mais magros e são os principais representantes do diabéticos em estágios mais avançados, onde já ganharam inúmeras lesões micro e macrovasculares . No DM2, há sim um perda de peso gradativa enquanto a doença avança, o que explica facilmente porque este paradoxo de sobrepeso não parecer estar ligado à aumento de mortalidade cardiovascular!

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