O que podemos aprender sobre diabetes no YouTube?

Dr. Edson da Silva

  • Doutor em Biologia Celular e Estrutural (UFV)
  • Docente da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri - UFVJM
  • Coordenador do Grupo de Estudo do Diabetes da UFVJM
  • Especialista em Educação em Diabetes (UNIP e ADJ-IDF-SBD)
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O YouTube é uma plataforma online com acesso gratuito que permite aos seus usuários o carregamento, a transmissão e a visualização de vídeos em formato digital e sem limites de inserção de conteúdos. O YouTube admite a interação entre seus usuários por meio de fórum para as pessoas se conectarem, compartilharem seus vídeos, se informarem e se inspirarem umas às outras. Atua também como plataforma de distribuição de conteúdo original utilizado por criadores e/ou anunciantes que vendem seus produtos ou serviços. Tais características atraem multidões que buscam a utilização mundial desse tipo de mídia social para se conectarem às pessoas que possuem condições crônicas como o diabetes.

Não é difícil entender porque essa plataforma de vídeos atrai a divulgação de informações na área do diabetes e na saúde em geral. Temos maior clareza sobre o tema quando percebemos que o YouTube é um sítio da Web utilizado com várias finalidades, tanto públicas quanto privadas e de interesse individual, das organizações, empresas ou governos. Nos últimos anos o YouTube tornou-se o maior meio de comunicação de massas do mundo. Atualmente, é considerada a maior plataforma de hospedagem de vídeos online da Internet que vem crescendo e tornando-se fonte de informações de credibilidade, apresentadas de forma leve e por meio de produções cada vez mais profissionais.

Além disso, o YouTube tem mais de um bilhão de usuários, o que representa quase um terço de todas as pessoas na Internet. Desta forma, todos os dias as pessoas assistem a centenas de milhões de horas no YouTube e geram bilhões de pontos de vista. Para o público adulto de 18 a 34 anos, o YouTube tem maior alcance do que qualquer outra rede de TV a cabo nos Estados Unidos, sendo que mais da metade das visualizações do YouTube são provenientes de dispositivos móveis. Até maio de 2018 o YouTube estava disponível em mais de 88 países com oferta de navegações em 76 idiomas. No que se refere ao Brasil, estima-se que o Youtube é a mídia social mais visualizada em nosso país e que atinge 63% dos 139 milhões de internautas.

Diante disso, as produções de vídeos para o YouTube com abordagem sobre o diabetes mellitus e suas complicações são cada vez mais frequentes no exterior e no Brasil. As grandes organizações internacionais e nacionais de saúde e de diabetes, e muitos profissionais bem qualificados em diabetes utilizam o YouTube e exercem um papel muito importante na educação em diabetes através do compartilhamento de conteúdo educativo atualizado, gratuito e de acesso ilimitado. No entanto, falta regulamentação sobre o conteúdo disponível no YouTube, o que favorece o crescente uso indevido dessa mídia social por pacientes e pessoas leigas, na maioria das vezes, despreparados para orientar uma pessoa sobre o diabetes. Além disso, nenhuma condutada pode substituir a orientação individualizada para cada paciente, a qual deve ser realizadas por membros da equipe de saúde que acompanha cada pessoa que tem o diabetes.

Pesquisas relataram que informações enganosas, não confiáveis ou imprecisas publicadas em vídeos no YouTube podem colocar em risco a saúde dos espectadores. Pode existir também limitações e deficiências nas informações fornecidas pelos vídeos. Mas, todo este processo que envolve vantagens, desvantagens ou limitações quanto ao uso do YouTube como ferramenta de educação ainda é pouco esclarecido, especialmente quanto ao seu potencial para a educação em diabetes.

Atualmente o YouTube pode ser um importante recurso para os pacientes e seus familiares, uma vez que nesta plataforma os pacientes podem registrar sua experiência e compartilhar informações através de vídeos. Estudos analisaram a importância do YouTube como fonte de informação para algumas doenças, condições ou procedimentos de saúde. No entanto, poucos estudos na literatura avaliaram o conteúdo e a origem (profissional, pessoal, anúncio, etc.) de produção dos vídeos do YouTube sobre diabetes. Além disso, as pesquisas avaliaram apenas alguns tópicos, entre eles, a neuropatia periférica, a relação da hipertensão arterial com o diabetes, os cuidados com o pé diabético e retinopatia diabética. No entanto, a maioria destes estudos avaliaram os vídeos postados e narrados no idioma inglês e até o momento são raros artigos publicados sobre a análise do conteúdo de vídeos brasileiros do YouTube abordando o diabetes e suas complicações.

De forma geral, pesquisas mostram que o YouTube é amplamente utilizado tanto na disponibilização, quanto na busca de informações sobre o diabetes. Os estudos evidenciam que há predominância de vídeos de origem pessoal, vídeos de pacientes e leigos com a finalidade de anunciar serviços ou produtos, o que poderia representar grande risco em caso de veiculação de informações imprecisas ou enganosas. Os vídeos mais visualizados e comentados são produzidos por leigos e pacientes.

A carência de regulamentação sobre o tipo de conteúdo disponível no YouTube é uma realidade e precisamos enfrentá-la para combater os mitos, as promessas de tratamentos milagrosos e de cura do diabetes. Por isso, pesquisas mais abrangentes são necessárias para nosso esclarecimento sobre o processo envolvido na produção e na transmissão dos vídeos compartilhados no YouTube para explorarmos o seu potencial de uso na educação em diabetes, especialmente no Brasil.

Referências:

1. ABEDIN, Tasnima et al. YouTube as a source of useful information on diabetes foot care. Diabetes research and clinical practice, v. 110, n. 1, p. e1-e4, 2015.

2. BASCH, Corey Hannah et al. Widely viewed English language YouTube videos relating to diabetic retinopathy: a cross-sectional study. JMIR Diabetes, v. 1, n. 2, p. e6, 2016.

3. DA SILVA, Edson et al. Análise de vídeos do YouTube sobre hipertensão arterial e diabetes. Arq. Bras. Cardiol (eletronic), v. 107, p. 1-4, 2016.

4. GUPTA, Harsh V. et al. Analysis of YouTube as a source of information for peripheral neuropathy. Muscle and nerve, v. 53, n. 1, p. 27-31, 2016.

5. LEONG, Amanda Y. et al. Is YouTube Useful as a Source of Health Information for Adults With Type 2 Diabetes? A South Asian Perspective. Canadian journal of diabetes, 2017.

6. NOMINATO, Gabriela de Araújo et al. Analysis of Brazilian videos about diabetic neuropathy shared on YouTube. Diabetology and Metabolic Syndrome 10 (Suppl 1), 10. 2018

7. WOO, Benjamin KP. What Can We Learn From Diabetes-Related YouTube Videos? Canadian Journal of Diabetes.

8. YOUTUBE. YouTube Statistics. Disponível em:https://www.youtube.com/yt/press/statistics.html Acesso em 06 de maio de 2018.

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