A culpada da crise é a má alimentação dos nossos políticos

Dr. Reginaldo Albuquerque

  • Professor da UnB (1967-1981)
  • Superintendente de Ciências da Saúde CnPq (1982-1991)
  • Editor do site da Sociedade Brasileira de Diabetes (2005-2011)
  • Ex-Consultor em Educação da UnaSus/Fiocruz

De repente, quase que de repente, os políticos começaram a ficar confusos. Raciocínios tortuosos, comportamentos inapropriados, discursos que não diziam coisa com coisa. Alguns, adeptos de uma dieta vinda dos pampas. Outros em jantares e recepções sem fim.

Jornalistas do mundo inteiro, sociólogos, antropólogos, cientistas políticos, sindicalistas e é claro os economistas, procuram explicá-la com os argumentos do seu viés profissional.

Como médico, estudioso das relações entre nutrição e funcionamento cerebral, não posso deixar de meter a minha colher nesta lambança e começo declarando: a forma de se alimentar dos políticos é a grande culpada da crise. E passo a explicar.

O eixo intestino-cérebro: os dois cérebros do organismo

Durante, o desenvolvimento embrionário, uma porção pequena do tecido fetal se divide. Uma se torna o sistema nervoso cerebral (o cérebro e nervos da espinha), enquanto uma outra parte forma o sistema nervoso intestinal, embebido em camadas de tecido que vão do esôfago ao estômago, intestino delgado e colo.

Os cientistas descobriram que existe uma relação importante entre o bioma intestinal e o bem estar. Denomina-se microbioma um conjunto de bactérias que vivem no trato intestinal. Dos nossos pais recebemos 23 mil genes. Um número pequeno, quando comparados com os 3.3 milhões de genes, provenientes de bactérias alojadas no corpo exercendo funções importantes. Produzem micronutrientes essenciais, regulam o sistema imunológico e nos protege contra os germes virulentos.

O intestino tem 9 metros de comprimento, 500 milhões de neurônios e trilhões de células que nem humanas são. Controla muito do que fazemos, influencia o que pensamos e fica dentro da nossa barriga.

O bate-papo entre os dois cérebros se faz por três mecanismos: fisicamente pelo nervo vago que vai do cérebro ao aparelho digestivo, pelos neurotransmissores e hormônios gastrointestinais levados pela corrente sanguínea.

A grelina e a leptina, que estimulam e inibem o apetite, respectivamente são dois destes hormônios. Quando um dos cérebros se torna doente, outro também sofre. Cada um influencia o outro. Quem nunca teve uma diarreia diante de um stress?

A dieta pode mudar as bactérias intestinais e afetar a função cerebral

Pesquisadores da Universidade da California demonstraram que mudanças na alimentação, promovem alterações no funcionamento do cérebro, principalmente, em áreas relacionadas com cognição e às emoções.

Há uma queda na produção de serotonina e mensagens desencontradas podem ser enviadas ao cérebro comprometendo o bom funcionamento dos neurônios, abrindo caminhos para a depressão, alterações de cognição, confusão mental e perda do raciocínio. O reconhecimento, que sinais enviados do intestino, modulam a atividade cerebral abre um longo caminho para o tratamento de várias doenças crônicas, mentais e neurológicas.

Existem uns provérbios antigos que dizem “você é o que você come”, “fulano tem o rei na barriga” ou ainda “aquele só tem porcaria na cabeça”.

Resta aos estudiosos da gastronomia brasiliense refletirem sobre o que estão servindo aos políticos brasileiros. É a minha última esperança para a solução da crise.

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