Restrição calórica no diabetes tipo 2: esta conduta é efetiva?

Dra. Maria Cristina Foss-Freitas

  • Endocrinologista, Docente da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP e Coordenadora do Serviço de Diabetes do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto.

Rafael Conceição Ferraz

  • Doutorando do Programa de Pós Graduação em Clínica Médica FMRP-USP

Muitos estudos estão direcionados para elaborar intervenções que possam bloquear ou minimizar as doenças metabólicas induzidas pela obesidade. Dentre estes, o nosso grupo de pesquisa estuda mecanismos e intervenções capazes de melhorar o controle metabólico, modulando o bom funcionamento do organismo frente aos danos decorrentes principalmente do diabetes mellitus tipo 2. A restrição calórica tem se mostrando como uma ótima intervenção no combate as doenças metabólicas em diferentes espécies, desde leveduras até mamíferos. A utilização da restrição calórica como estratégia alimentar foi testada pela primeira vez pelos pesquisadores McCay CM, Crowell MF, Maynard LA da Universidade de Cornell, sendo que seus resultados foram publicados na revista The Journal of Nutrition em 1935. Desde então, muitos grupos utilizaram protocolos de restrição calórica em diversas patologias, entretanto, os dados sobre a restrição calórica em seres humanos não estão bem estabelecidos.

Dessa forma o objetivo principal do nosso grupo de pesquisa na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto-USP é definir os mecanismos de ação da restrição calórica em seres humanos que apresentam diabetes mellitus tipo 2, tendo como foco a avaliação dos parâmetros moleculares, bioquímicos e metabólicos propiciado por essa intervenção nutricional. O nosso interesse maior é compreender como a restrição calórica modula as diferentes vias metabólicas envolvidas nos processos que promovem os benefícios observados em outras espécies. Estamos estudando indivíduos portadores de diabetes mellitus tipo 2 entre 20 e 60 anos, em um protocolo de restrição calórica desenhado por nosso grupo, durante o período de 4 semanas. Nossos dados preliminares mostram que a restrição calórica reduz significativamente os níveis de glicemia de jejum, hemoglobina glicada, colesterol total e triglicérides. Este projeto de pesquisa é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e esperamos contribuir para o conhecimento na área, uma vez que acreditamos que a elucidação dos mecanismos possivelmente envolvidos nos benefícios da restrição calórica, nos permitirá propor estratégias mais direcionadas e mais aplicáveis para o tratamento do diabetes mellitus tipo 2.

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