Interações clinicamente relevantes em fármacos antidiabéticos


Dra. Caroline Mesquita
-Farmacêutica
-Doutora em Farmacologia - Faculdade de Ciências Médicas - UNICAMP
-Especialista em Fisiologia Endócrina e Fisiopatologia do Diabetes
-Membro Ativo da Endocrine Society

Dra. Caroline Mesquita

  • Farmacêutica
  • Doutora em Farmacologia - Faculdade de Ciências Médicas - UNICAMP
  • Especialista em Fisiologia Endócrina e Fisiopatologia do Diabetes
  • Membro Ativo da Endocrine Society

O número de medicamentos prescritos está aumentando cada vez mais. Observa-se, em decorrência do maior consumo de medicamento, frequentes situações de polifarmácia em pacientes, principalmente naqueles com DM2.

Efeitos adversos de drogas, tais como comprometimento cognitivo, quedas resultantes de tontura, mudança de peso e cardiopatia concomitante são vistos mais frequentemente em pacientes com polifarmácia. Em geral, quanto mais medicamentos forem consumidos maior a interação medicamentosa clinicamente relevante(1).

Os fitoterápicos podem apresentar um problema complexo quando tomados simultaneamente a certos medicamentos. Estas substâncias bioativas podem interagir com medicamentos farmacológicos de uma maneira indesejada (1).

Um exemplo de fitoterápico frequentemente utilizado, e que apresenta um elevado potencial de interação com fármacos de uso largamente disseminado, é a erva de São João, usualmente ministrada em tratamentos caseiros. A erva de São João induz enzimas CYP hepáticas (CYP3A4, 1A2, 2D6, 2E1) e a Glicoproteína –P (1,2), causando interações e ineficiência na ação do medicamento.

Da mesma forma, outros fitoterápicos de uso comum tais como: aloe vera, ginseng, Andrographis paniculata, karela, lycium isoflavonas e levocarnitina podem afetar o metabolismo de fármacos antidiabéticos, deve-se atentar ao seu uso, pois mesmo tratando-se de substâncias bioativas, o uso das mesmas pode representar um grave problema, quando associado a outros fármacos (1).

Um dos principais medicamentos prescritos para tratamento de DM2 é a metformina. Esta substânica foi desenvolvida a partir de uma erva chamada Galega officinalis e foi sintetizada em 1922, em Dublin, como um agente hipoglicemiante e tem sido amplamente prescrita em todo o mundo desde que foi introduzida na prática clínica em 1957 (3).

Este fármaco, largamente aplicado no tratamento do diabetes mellitus tipo 2, apresenta uma série de interações e, portanto, deve ser utilizada com precaução. A combinação com agentes anticolinérgicos aumenta a sua biodisponibilidade oral, alterando a motilidade gastrointestinal. Existem ainda outros fármacos que podem, quando associados à metformina, comprometer sua atividadetais como a cimetidina, cefalexina, pirimetamina devido à redução redução da excreção renal causada (1,3).

O uso de metformina muitas vezes está associado a quadros anemia e má absorção de vitamina B12. Esta deficiência deve-se ao efeito, mediado pela metformina, sobre a motilidade do intestino delgado que diminui a absorção de vitamina B12.Por esta razão é comum observar deficiências de vitamina B12 em pacientes diabéticos, que fazem uso de metformina, indica-se, nestes casos, a suplementação com vitaminas. Mesmo em pacientes com níveis plasmáticos B12 dentro do intervalo normal, a suplementação parece ser benéfica (1,3).

Tendo em vista estas interações, é imprescindível passar as todas as informações relevantes ao médico. Somos geneticamente diferentes e existem muitos fatores que afetam a absorção, distribuição, metabolismo e excreção das substâncias no organismo e, por esta razão, uma gestão adequada da polimedicação é fundamental na manutenção de uma terapia saudável e sem causar problemas graves de saúde.

Referência:

(1) May M, Schindler C. Clinically and pharmacologically relevant interactions of antidiabetic drugs. Therapeutic Advances in Endocrinology and Metabolism. 2016;7(2):69-83. doi:10.1177/2042018816638050.

(2) Rogers, Janyce F., Anne N. Nafziger, and Joseph S. Bertino. "Pharmacogenetics affects dosing, efficacy, and toxicity of cytochrome P450–metabolized drugs." The American journal of medicine 113.9 (2002): 746-750

(3) Chhetri HP, Thapa P, Van Schepdael A. Simple HPLC-UV method for the quantification of metformin in human plasma with one step protein precipitation. Saudi Pharmaceutical Journal : SPJ. 2014;22(5):483-487. doi:10.1016/j.jsps.2013.12.011.

Fale Conosco SBD

Rua Afonso Braz, 579, Salas 72/74 - Vila Nova Conceição, CEP: 04511-0 11 - São Paulo - SP

(11) 3842 4931

SBD nas Redes