Dia Internacional da Mulher - A mulher com diabetes

Lenita Zajdenverg, em nome de Departamento de Saúde da Mulher, Diabetes e Gestação

 

No Brasil, o diagnóstico de Diabetes é significativamente mais frequente no sexo feminino.

O ultimo censo brasileiro, feito através de inquérito telefônico em 2016 (VIGITEL), revelou que houve um incremento de 61.8% do número de pessoas com diabetes nos últimos 10 anos No mundo, existem mais de 199 milhões de mulheres que vivem com a doença. Há estimativa que este total aumente para 313 milhões até 2040. O diabetes é o causador direto de 2,1 milhões de mortes por ano na população feminina mundial.

Portanto, é prioritário direcionar cuidados de saúde especificamente para a mulher com diabetes.

Em 2017, a Federação Internacional de Diabetes (IDF), reconhecendo a alta prevalência de diabetes na população feminina, estabeleceu o foco da sua campanha mundial com o lema: Mulheres e diabetes - nosso direito a um futuro saudável: Agir hoje para modificar o amanhã.

Segundo a IDF, é necessário implementar medidas para garantir e melhorar a qualidade de vida e saúde da mulher com diabetes e recomenda que:

  • Os sistemas de saúde devem prestar atenção adequada às necessidades e prioridades específicas das mulheres com Diabetes;
  • Todas as mulheres com Diabetes; devem ter acesso aos medicamentos e tecnologias essenciais para seu tratamento, educação para o autocuidado e informações sobre como alcançar resultados positivos com seu tratamento;
  • Todas as mulheres com Diabetes;devem ter acesso a serviços de planejamento pré-concepção para reduzir os riscos durante a gravidez.
  • Todas as mulheres e meninas com Diabetes; devem ter acesso a realização de atividades físicas para melhorar seus resultados de saúde.

 PARTICULARIDADES DA MULHER COM DIABETES

Além da maior prevalência de Diabetes; na população feminina brasileira, existem diversas particularidades que diferenciam a evolução e os riscos do diagnóstico de Diabetes; na mulher, em comparação com a população masculina.

Mulheres com doença cardiovascular têm menor sobrevida e pior qualidade de vida que os homens. Mulheres correm maior risco de cegueira, devido ao Diabetes; do que homens. Alguns estudos mostram que a doença renal diabética afeta as mulheres mais fortemente do que os homens. Há, também dados, que apontam maior frequência de neuropatia periférica dolorosa entre as mulheres com Diabetes.

DIABETES E GRAVIDEZ

Duas em cada cinco mulheres com Diabetes; estão em idade reprodutiva, respondendo por mais de 60 milhões de mulheres em todo o mundo.

Na gravidez, pode surgir quadro de alteração da glicose mesmo em mulheres que não tinham Diabetes anteriormente e assim, deve ser investigado o diagnóstico de Diabetes Gestacional (DMG).  Estima-se que um em cada sete nascimentos no mundo é afetado pelo DMG. A IDF estima que 20,9 milhões, ou 16,2% das mulheres que deram à luz em 2015, apresentaram alguma forma de hiperglicemia na gravidez. A grande maioria dos casos de hiperglicemia na gravidez ocorreu em países de baixa e média renda, onde o acesso a cuidados maternos é freqüentemente limitado. A hiperglicemia pode resultar em diversas complicações durante a gravidez e o parto, que podem ser evitadas com tratamento adequado. O DMG  pode acometer qualquer gestante e não apresenta sintomas na maioria das vezes. Por isso, é importante, que toda mulher, ao engravidar, tenha acesso aos cuidados pré-natais adequados e que realize rastreamento de DMG a partir da segunda metade da gravidez.

Aproximadamente metade das mulheres com história de DMG continua a desenvolver Diabetes tipo 2 (DM2) dentro de cinco a dez anos após o parto. Mudanças de hábitos alimentares e a prática de atividade física regularmente são capazes de evitar o desenvolvimento de diabetes permanente.

 A gravidez em mulheres com diagnóstico prévio de Diabetes pode se associar a diversas complicações tanto maternas como fetais. Estas complicações estão diretamente ligadas ao controle glicêmico materno ainda fases muito precoces da gestação. Portanto, é muito importante que a mulher com Diabetes planeje a gravidez atingindo bom controle da glicemia e tenha acesso ao planejamento familiar. Mas, infelizmente, no mundo inteiro, a maioria das mulheres com Diabetes iniciam sua gravidez sem nenhum preparo pré concepcional.

DIABETES E CONTRACEPÇÃO

A orientação quanto aos métodos contraceptivos é muito importante, tanto para evitar uma gravidez não planejada, como para prevenção de complicações graves para a mãe e seu bebê.

Diversos métodos contraceptivos estão disponíveis atualmente e a escolha deve ser feita baseada na conveniência e adaptação da mulher e/ou do casal. Nenhum método é contraindicado apenas pelo Diabetes preexistente. Os contraceptivos orais nas formulações atuais também não são contra indicados para a maioria das mulheres com Diabetes, e recomenda-se serem evitados apenas por aquelas em que o médico avalia terem maior risco de complicações, como o tromboembolismo.

ALERTAS: FATORES SOCIOECONOMICOS            

  • Não apenas fatores biológicos, mas aspectos comportamentais, culturais e sociais interagem e afetam a saúde das mulheres, particularmente aquelas com diabetes ou outras doenças crônicas;
  • Independente do nível socioeconômico, mulheres tem em média menor renda que os homens;
  • O estilo de vida moderno, com maior inserção feminina no mercado de trabalho e o ainda grande comprometimento com atividades domésticas e cuidados com os filhos, dificultam a adesão a um comportamento de vida mais saudável e o acesso ao tratamento adequado;
  • Mulheres têm participação importante não apenas em cuidar de sua própria saúde, mas atuam diretamente na saúde de toda a sua família. Pesquisas mostram que, quando as mães recebem melhores salários ou têm maior controle sobre os recursos familiares, priorizam a alimentação das suas famílias, especialmente a nutrição infantil e a educação.

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