Agir Estrategicamente Para Combater as Doenças Crônicas Não-Transmissíveis (#DCNTs) Agora

Dr. Mark Barone

  • Doutor em Fisiologia Humana (ICB/USP)
  • Especialista em Educação em Diabetes (ADJ-IDF-SBD, UNIP e IDC)
  • Autor dos livros “Tenho diabetes tipo 1, e agora?” e “Diabetes: conheça mais e viva melhor”
  • Autor do blog www.tenhodiabetestipo1eagora.blogspot.com
Agir Estrategicamente Para Combater as Doenças Crônicas Não-Transmissíveis (#DCNTs) Agora

A maioria dos países, incluindo o Brasil, não possui um registro consistente e atualizado de indivíduos com DCNTs. Embora o acesso ao tratamento seja geralmente o desafio primeiro, existem outras necessidades difíceis de identificar. Por isso, neste artigo de abertura do ano, duas iniciativas, com o objetivo de mapear deficiências e encontrar soluções para as DCNTs, são exploradas.

A primeira delas teve sua apresentação pública durante a celebração de aniversário de 80 anos da empresa Abbott no Brasil. Na ocasião a consultoria Nielsen compartilhou dados de uma pesquisa, na forma de entrevista, realizada em 8 capitais do Brasil, com 480 pessoas com hipertensão (HT) e 480 com diabetes (DM). Apesar das limitações referentes ao número de entrevistados, frente aos milhares com diabetes e hipertensão espalhados por todos os municípios do Brasil, os resultados fornecem pistas sobre necessidades que merecem ações imediatas das autoridades e dos sistemas de saúde. Abaixo, algumas das informações mais reveladoras:

  • 53% dos indivíduos passam a maior parte do tempo sentados, 37% se movem muito durante o dia - note que a população estudada é bastante jovem (média de idade: 27 anos para DM e 36 para HT) - e 46% praticam exercícios (caminhar é o mais frequente, reportado por 63%)
  • A maioria dos entrevistados procura ter hábitos saudáveis: 87% tentam comer saudavelmente, 77% procuram dormir 6-8 horas, 60% dão preferência a comidas frescas (embora apenas 10% estejam felizes com seus hábitos alimentares e não gostariam de mudá-los);
  • 59% admitem que o mais importante são hábitos saudáveis, enquanto apenas 12% veem a tecnologia médica como o item faltante mais importante;
  • 80% procuram informações na internet, 15% em entidades especializadas e 10% com farmacêuticos (quem faz uso do setor público conta mais frequentemente com a orientação de farmacêuticos do que quem utiliza o setor privado: 52% vs 39%);
  • 70% dos com DM e 76% dos com HT estão em tratamento, sendo que 41-44% fizeram interrupções devido a um ou mais dos seguintes fatores: falta de disciplina, decisão de parar depois de se sentir melhor ou sofrer algum efeito colateral, e 12-15% nunca iniciaram o tratamento porque não acreditam que seja importante;
  • 59-64% usam terapias alternativas;
  • 64% fazem os autocuidados (portanto, 36% dependem de um fator externo para lembrar da terapia).

Uma das primeiras conclusões que pode ser extraída desse estudo é a de que as pessoas sabem o que precisa ser feito na maior parte do tempo, mas não necessariamente o fazem. Enquanto a maioria dos entrevistados tenta ter hábitos saudáveis, muito poucos estão felizes com seus hábitos. Além da orientação do médico, confiável segundo 90%, outros profissionais, como os farmacêuticos, podem fazer a diferença, especialmente para quem faz uso do setor público. Além do sistema de saúde, essas informações devem ser levadas em consideração para projetar ou redesenhar estratégias em outros setores, como, por exemplo, de educação. Cursos universitários devem ter ampliada e melhorada a carga horária dedicada às disciplinas de educação em saúde e de enfrentamento aos determinantes sociais da saúde. Profissionais formados nessas circunstâncias teriam melhores condições de influência e mudança do atual cenário, no qual o entendimento das terapias contínuas e autocuidados, e sua integração à realidade diária dessas pessoas com DCNTs são limitados e a busca por terapias alternativas frequente. Cursos universitários de outras áreas também se beneficiariam – e, consequentemente, beneficiariam a sociedade – com renovação. Seja pedagogia e licenciatura, com disciplinas a respeito da inclusão de crianças com DCNTs, seja jornalismo e comunicação, com acesso a fontes informação confiáveis e de relevância em saúde pública

(referências sugeridas: https://goo.gl/UTPnAC, https://goo.gl/9DSRBQ e http://www.bmsg.org/).

A segunda iniciativa, de certa forma, complementa a primeira. Em outubro de 2017 foi lançado o Fórum Intersetorial para Combate às DCNTs no Brasil (https://goo.gl/P1LPjz), com participação de 40 autoridades dos setores público, privado e 3º setor. Neste, que foi o evento de inauguração, os projetos HealthRise Brazil e Doutor Saúde, que contam com a participação dos diferentes setores desde o planejamento até a execução, foram apresentados. As lideranças tiveram, ainda, a oportunidade de conhecer dados atualizados sobre as diferentes DCNTs em cada região do Brasil, explorar potenciais parcerias e indicar caminhos para a continuidade estratégica do grupo. Na ocasião, a diretora do Ministério da Saúde, Dra. Maria de Fatima Marinho de Souza, mostrou que, apesar de progressos em relação tanto às DCNTs quanto muito de seus fatores de risco, há claro desbalanço entre as regiões do Brasil.

Esta segunda iniciativa, que contará com outro encontro presencial em maio de 2018, se beneficiará das informações apresentadas acima e de outras fornecidas pelo Ministério da Saúde para se alinhar aos compromissos prioritários apontados pela ONU e pela OMS e, em conjunto entre os diferentes setores, construir soluções para os desafios tanto sistêmicos quanto específicos relacionados às diferentes DCNTs (https://goo.gl/uYUQr5). Afinal, apesar dos progressos relatados, tanto os fatores de risco comuns para a maioria das DCNTs, como o sobrepeso, quanto a ineficiência das estratégias de tratamento para o diabetes e a hipertensão, por exemplo, ainda são problemas crescente para toda a sociedade e levam a consequências muito mais custosas - como complicações crônicas, AVC e infarto - do que o controle dessas mesmas condições.

Fale Conosco SBD

Rua Afonso Braz, 579, Salas 72/74 - Vila Nova Conceição, CEP: 04511-0 11 - São Paulo - SP

(11) 3842 4931

!-

secretaria@diabetes.org.br

-->

SBD nas Redes